<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401</id><updated>2012-02-27T23:13:28.912-03:00</updated><category term='Beaumarchais'/><category term='pânico'/><category term='coragem e covardia de amantes'/><category term='duras'/><category term='vida de artista'/><category term='morte do amor'/><category term='Lacan'/><category term='evasao amorosa'/><category term='paixao muda'/><category term='infelicidade conjugal'/><category term='amores cruéis'/><category term='revolução'/><category term='vida erotica'/><category term='narcisismo'/><category term='Livros'/><category term='si mesmo'/><category term='instintos'/><category term='tolerância'/><category term='Delacroix'/><category term='impossibilidade do amor'/><category term='erotismo'/><category term='Linguagem'/><category term='assédio'/><category term='amores perversos'/><category term='violencia'/><category term='desamparo'/><category term='desejo'/><category term='amizade'/><category term='educação das crianças'/><category term='perda do outro'/><category term='estado de direito'/><category term='memória'/><category term='poesia'/><category term='gozo'/><category term='banalizaçao da violencia'/><category term='alegrias expelidas'/><category term='música e teatro'/><category term='parceria amorosa'/><category term='paranóia'/><category term='orquestra'/><category term='toque'/><category term='repetiçao'/><category term='morte e vida'/><category term='alegria da vida'/><category term='exílio'/><category term='perda'/><category term='tempo'/><category term='identificação'/><category term='vida cotidiana'/><category term='cultura maníaca'/><category term='poeta'/><category term='Revolução Francesa'/><category term='França'/><category term='narrativa'/><category term='depressão'/><category term='individualismo'/><category term='clínica da melancolia'/><category term='castração'/><category term='busca de si mesmo'/><category term='Amor e crânio'/><category term='solidão'/><category term='Victor Hugo'/><category term='amordio'/><category term='amantes errados'/><category term='outono'/><category term='masoquismo'/><category term='música'/><category term='atropelamento de ciclistas'/><category term='silencio'/><category term='humanidade'/><category term='arte'/><category term='infidelidade'/><category term='perversão'/><category term='interditos'/><category term='espetáculo cênico-musical'/><category term='narcisismo de morte'/><category term='Imprensa'/><category term='intolerância'/><category term='coragem'/><category term='consumismo'/><category term='sofrimento'/><category term='violoncelo'/><category term='vulgaridade'/><category term='baudelaire'/><category term='albatroz'/><category term='solidariedade'/><category term='feminilidade'/><category term='insatisfaçao amorosa'/><category term='complexo de édipo'/><category term='onipotência infantil'/><category term='diferença sexual'/><category term='amor e cérebro'/><category term='função paterna'/><category term='melancolia contemporânea'/><category term='apatia melancólica'/><category term='laço social'/><category term='romance com a música'/><category term='amor'/><category term='desmame'/><category term='incesto'/><category term='paixão'/><category term='infância'/><category term='Amor e Humanidade'/><category term='prazer e erotismo'/><category term='amor e melancolia'/><category term='tormentos masculinos'/><category term='amores sádicos'/><category term='intolerancia'/><category term='agressividade'/><category term='Amor e masoquismo'/><category term='Freud'/><title type='text'>Rosane Pereira escritora - literatura, psicanálise, romance, livro, divã, desejo.</title><subtitle type='html'>porto alegre, RS, rio grande do sul, literatura, psicanálise, narrativa literária, narcisismo, escritores, romance, livro, leitores, lembrança, memória, inconsciente, paixão, desejo, separação, reconstrução, narrativa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>65</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-4108529328835455543</id><published>2011-08-07T00:18:00.002-03:00</published><updated>2011-08-07T02:05:53.599-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida erotica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e masoquismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='insatisfaçao amorosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infelicidade conjugal'/><title type='text'>Nao hà quem nos desate? Eros e Psiquê contemporâneos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-veB-tyO12-Y/TjtnnTvpO3I/AAAAAAAAATc/TPtPvJKxt1Y/s1600/rosane_pereira_02+A.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-veB-tyO12-Y/TjtnnTvpO3I/AAAAAAAAATc/TPtPvJKxt1Y/s400/rosane_pereira_02+A.jpg" t$="true" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Queridos, obrigada pelas visitas que vocês nunca deixam de me fazer aqui, na minha casinha da internet. E também, perdoem minha excessiva pausa entre uma postagem e outra, mas é que realmente a vida anda muito cheia de turbulências, &amp;nbsp;o tempo para escrever cada vez menor, a clinica&amp;nbsp;tem me ocupado tempo integral.&amp;nbsp;Entretanto, juro que estou tratando de corrigir isso, de inventar um tempo para encontrar vocês, pois adoro escrever aqui no blog, sempre gostei muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomei esses dois&amp;nbsp;temas "nao hà quem nos desate?" e "Eros e Psiquê" porque&amp;nbsp; tenho estado cada dia mais estupefata em constatar o quanto eles estao ligados, intricados, hoje em dia.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Vocês devem lembrar, pois eu jà escrevi aqui&amp;nbsp;sobre os dois temas, que a impossibilidade da separaçao dos casais infelizes me parecia estar muito atrelada a uma certa erotizaçao do sofrimento, uma certa paixao pela infelicidade amorosa. E também, que o beijo de Eros - tal qual o do principe na bela adormecida - trazendo Psiquê de volta à vida, jà nao faz mais o mesmo efeito. Aliàs, nem sempre Psiquê se deixa encontrar por Eros. Ao contràrio, ela parece preferir ficar dormindo onde ele jamais poderia encontrà-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Ou seja, quanto mais deserotizada a vida, mais fàcil de levà-la. Claro que nao é nada disso, que a dificuldade em erotizar a vida traz para qualquer um de nos as maiores agruras, é muito triste, podemos até mesmo adoecer gravemente disso, tanto no corpo quanto na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Mas o fato é que&amp;nbsp;o unico lugar possivel para Eros, hoje em dia, parece ser o do vilao, do homem que deixa sua parceira infeliz e decepcionada, e mesmo chocada com o tratamento que recebe dele. Enfim, hoje em dia parece prevalecer uma disposiçao a uma&amp;nbsp;vida levada "às avessas" com Eros, uma vida "anti-erotica", onde tudo se reduz&amp;nbsp;a eventos&amp;nbsp;mal ou bem sucedidos,&amp;nbsp;a encontros sem grande valor de acontecimento.&amp;nbsp;Pelo menos&amp;nbsp;para os encontros na noite, as ditas "ficaçoes". Ou entao, temos&amp;nbsp;uma erotizaçao às avessas da vida conjugal, que apesar de insatisfatoria e mesmo insuportavel, nem por isso corre o risco de uma separaçao. Ao contràrio, a regra parece ser "quanto pior, melhor", assim nenhum dos dois se arrisca a ser feliz, pois a felicidade exige muito de cada um, homem ou mulher. Jà imaginaram, uma felicidade&amp;nbsp;erotica, o quanto pode nos custar?&amp;nbsp;Melhor nao! é muito caro, o preço a pagar!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hà algumas semanas atràs, participei de um programa noturno em uma emissora de ràdio da cidade, sobre o tema do encontro de homens e mulheres. A produçao escolheu o&amp;nbsp;assunto estimulada pelo resultado do ultimo censo, que revelou, mais uma vez, que o numero de mulheres na populaçao brasileira é infinitamente maior do que o numero de homens .Estavam todos preocupados em saber como isso podia ser resolvido, essa disproporçao numérica de pessoas disponiveis ao outro sexo. A mim parece que se fosse o contràrio, daria no mesmo, e ainda que fosse proporcional, daria no mesmo, nao tem soluçao.&amp;nbsp;Porque homens e mulheres nao foram feitos para "se completarem" no encontro, dentro de uma proporçao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Sempre vai ser um disparate, a diferença entre dois amantes, entre o que cada um dos dois tem&amp;nbsp;pra dar ao outro.&amp;nbsp;O amor, &amp;nbsp;o desejo e a paixao, essa triade feita da mesma matéria, e&amp;nbsp;da qual o erotismo depende para existir, é a unica responsavel pela&amp;nbsp;permanência dos amantes um ao lado do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entao, podemos construir a hipotese de que a unica coisa que mantém um homem e uma mulher juntos é o desejo, o amor e a paixao. E ela se confirma, claro, do ponto de vista da experiência humana. Mas curiosamente,&amp;nbsp;nem sempre é assim. Muitas vezes, a condiçao humana é o de menos, na experiência, e é preferivel um certo delirio de imortalidade, como se&amp;nbsp;tivessemos todo o tempo do mundo para ser felizes, e nossa conjugalidade pode ser miseravel, nossa vida de encontros com o outro sexo também .E quanto a isso, tanto faz se se&amp;nbsp; se trata de um casamento com mais de 25 anos ou de sucessivos encontros fortuitos entre pessoas ditas "livres". A regra é nao ser feliz na vida erotica, e por isso, nada nem ninguém nesse mundo separa esses amantes. A vida inteira, dia apos dia, ou a cada sexta e sabado, hà que cuidar pra que o parceiro seja errado e decepcionante, jamais alguém que poderia nos deixar felizes ou pelo&amp;nbsp;menos alegres. Nessa repetiçao da frustraçao, da decepçao e da insatisfaçao é que me parece se situar o parentesco entre esse " nao hà quem nos desate?",&amp;nbsp; o casal&amp;nbsp;do Capricho 75 de Goya, e o encontro de&amp;nbsp;Eros e Psiquê de hoje em dia. Um e outro estao fielmente ligados, inseparavelmente ligados por um pacto de&amp;nbsp;insatisfaçao e infelicidade.O outro sexo sempre vai estar aquém do que esperamos dele se&amp;nbsp; o idealizamos, se&amp;nbsp;o encarregamos de nos fazer felizes, e isso equivale a uma aposta no fracasso,&amp;nbsp;jà que&amp;nbsp;ninguém tem condiçoes de se incumbr de alguma felicidade que nao seja&amp;nbsp;a sua. Pois&amp;nbsp;somente se pode estar bem com&amp;nbsp; outro se nao&amp;nbsp;cobramos dele o que nao conseguimos dar a nos mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Do ponto de vista da insatisfaçao,&amp;nbsp;homens e mulheres seriam sempre "qualitativamente" diferentes e nao apenas "quantitativamente", como informa o senso. E é nessa diferença supostamente qualitativa que parece se situar a dificuldade, como pretende o feminismo ou o discurso machista.&amp;nbsp;Mas&amp;nbsp;na verdade, essa diferença nao é nem qualitativa, nem quantitativa, é apenas pura diferença, o que coloca de outro jeito as coisas. &amp;nbsp;A dficuldade maior està, hà séculos, situada na diferença enquanto tal. E é dessa diferença, dessa dificuldade mesmo, dessa disporporçao, é dela que nasce o erotismo, &lt;strong&gt;pois o erotismo&amp;nbsp;depende da falta que um faz ao outro, de uma incompletude essencial e constante.&amp;nbsp;Se um completa o outro, se dois fazem um, &amp;nbsp;entao tudo està mesmo catastroficamente perdido, pois completar seria anular a diferença, adotar uma logica unica, sem,falha.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vocês haverao de me desculpar pela insistência, mas nao hà como deixar de lembrar o que nos propoe Marguerite Duras na "Doença da morte":"...&lt;em&gt;&lt;strong&gt; O amor, talvez ele advenha de uma falha sùbita na&amp;nbsp; logica do universo"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, sao apenas digressoes de alguém que està trabalhando com o tema do amor e do masoquismo. Da proxima vez falaremos mais sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo vocês entao com a imagem da escultura do Cânova de Eros e&amp;nbsp;Psiquê, e a do Capricho 75 do Goya,&amp;nbsp;&amp;nbsp;pra que vocês reflitam se elas nao sao mesmo muito parecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WPF9JhcTMGg/Tj4XauPfBNI/AAAAAAAAATw/jRIvC4r7Z28/s1600/antonio-canova-cupid-and-psyche-1796.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-WPF9JhcTMGg/Tj4XauPfBNI/AAAAAAAAATw/jRIvC4r7Z28/s320/antonio-canova-cupid-and-psyche-1796.jpg" t$="true" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-TikXXf6Xd4w/Tj4XoPZ5mxI/AAAAAAAAAT0/_qSm-_np1TE/s1600/%2525C2%2525BFNo_hay_qui%2525C3%2525A9n_nos_desate%25253F.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-TikXXf6Xd4w/Tj4XoPZ5mxI/AAAAAAAAAT0/_qSm-_np1TE/s320/%2525C2%2525BFNo_hay_qui%2525C3%2525A9n_nos_desate%25253F.jpg" t$="true" width="219" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Maria Rosane Pereira&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Psicanalista e escritora&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-4108529328835455543?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/4108529328835455543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/08/nao-ha-quem-nos-desate-eros-e-psique.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4108529328835455543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4108529328835455543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/08/nao-ha-quem-nos-desate-eros-e-psique.html' title='Nao hà quem nos desate? Eros e Psiquê contemporâneos'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-veB-tyO12-Y/TjtnnTvpO3I/AAAAAAAAATc/TPtPvJKxt1Y/s72-c/rosane_pereira_02+A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-1730007554405247641</id><published>2011-06-12T09:38:00.000-03:00</published><updated>2011-06-12T09:38:20.133-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='masoquismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prazer e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores sádicos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores perversos'/><title type='text'>´´ E se eu te amo... toma cuidado!!!´´( Bizet- ´´Carmem´´)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TBGtTW9yWVI/AAAAAAAAANU/85kJLJn1ZeY/s1600/5429_EK%2520Carmen.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" qu="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TBGtTW9yWVI/AAAAAAAAANU/85kJLJn1ZeY/s400/5429_EK%2520Carmen.jpg" width="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;´´..Et si je t´aime...prends garde à toi!´´&lt;/em&gt;&amp;nbsp; &lt;/strong&gt;É a advertência&amp;nbsp;que Bizet coloca na boca de sua Carmem, personagem que ele&amp;nbsp;encontra na novela de Prosper&amp;nbsp;Merimé, a partir da qual ele compõe sua ópera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que se diga que o século vinte revolucionou os costumes, e que a vida amorosa das&amp;nbsp;pessoas ficou muito melhor de ser vivida depois disso, ainda acho que&amp;nbsp;essa ópera do Bizet&amp;nbsp;é a radiografia de nossa alma contemporânea, naquilo que todos nós carregamos, consciente ou inconscientemente, de fascínados pela perversão, quando amamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais do que nunca, os amores tendem a ser perversos&lt;/strong&gt;. E vai ver, é da essência dele mesmo, como nos diz Bizet: ´&lt;em&gt;´l´amour est un&amp;nbsp;oiseau rebelle, il n´a jamais connu de Loi´´ ( o amor é um pássaro rebelde, que jamais conheceu a Lei).&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso,&amp;nbsp;cada vez as pessoas ficam mais nos extremos: ou se interditam completamente a possibilidade de amar, evitam, se protegem disso&amp;nbsp;com todas as suas forças, ou amam de maneira completamente passional, se entregando de forma quase suicida ao desejo de um outro que as apaixona, desde que esse outro não as abandone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, &lt;strong&gt;é o que todo masoquista pede a seu sádico: ´´faça de mim o que quiser, mas não me abandone´´.&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;É impressionante, o quanto esse outro sempre&amp;nbsp;adverte o apaixonado de sua crueldade, e o quanto esse apaixonado jamais escuta essa advertência de Carmem: &lt;strong&gt;´´cuidado com meu amor, pode ser perigoso ou fatal pra você´´.&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;E nem sempre essa advertência é assim verbal. Na maior parte do tempo, ela vem nas atitudes que dão conta da disposição cruel do ser amado para com&amp;nbsp;o amante, que nada quer saber, nada quer ´´escutar´´ disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;O horror à solidão e ao desamparo - que fazem a essência de nossa condição humana -, muitas vezes faz com que aceitemos tudo o que o outro nos impõe de seu desejo perverso. É uma espécie de lógica gramatical infernal que aderimos: ficamos felizes em ser objetos do desejo do outro, e não em sermos sujeitos de nosso próprio desejo. É isso, a perversão, é quando um outro faz a Lei para nós, e que&amp;nbsp;não está, ele, submetido&amp;nbsp;à mesma Lei que nós, quando amamos e desejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi bem isso o que aconteceu na trama da Ópera ´´Carmem´´. Não vou contá-la aqui pra vocês, vou falar apenas do que me parece essencial:&amp;nbsp; Don José, o objeto do desejo de Carmem, é um rigoroso&amp;nbsp;oficial militar, um ´´homem da Lei´´, encarregado de velar para que ela seja cumprida. Homem de bem, diriam muitos, e mesmo invejável. As crianças que Bizet coloca cantando em coral na ópera dão conta desse ideal - todos querem ser como ele, quando crescerem. Até que Carmem o encontre, e o seduza. Ela consegue fazer dele um marginal, um fora-da-Lei, e no final, seu próprio assassino. Como dizemos em linguagem de nossos dias, ela ´´se puxou´´ pra isso, e ele também. Coitado, ele não aguentou mesmo sua Carmem aprontando todas, só poderia matá-la com sua faca,&amp;nbsp;naquele final trágico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse final me parece bem coerente: não há relação perversa que não termine muito mal, mesmo que demore para terminar. Talvez&amp;nbsp; quanto mais demore, quanto mais se arraste a dominação perversa sobre um outro, mais violenta e agressiva possa ser a atitude de ´´fechamento´´ desse outro que vinha sendo dominado.Ninguém aguenta ser objeto o tempo inteiro, por mais que tenha medo da solidão e do desamparo. A menos que o tal medroso seja ainda mais perverso do que seu dominador, e que termine mesmo sendo o assassino dele ( real ou metafórico, faz pouca diferença).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já que comecei falando da Carmem do Bizet, não esqueçamos disso: todos nós somos um pouco Don José, um pouco Carmem. Pois é isso, Don José devia mesmo estar à procura de uma mulher para amar e que ele pudesse matar. Era seu desejo (perverso?), por isso ele se apaixonou por ela. É o que o amor tem de narcísico: sempre nos apaixonamos por um outro muito diferente e muito parecido com nós mesmos. A eterna ´´briga´´ dos casais não é outra coisa .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não posso deixar de contar ainda uma coisinha a mais pra vocês: sempre que vejo de novo ou escuto essa ópera do Bizet, me lembro de um texto de &lt;strong&gt;Marguerite Duras&lt;/strong&gt;, essa escritora da ´´nouvelle vague´´ francesa pela qual sou apaixonada:&amp;nbsp; ´&lt;strong&gt;´O homem sentado no corredor´´.&lt;/strong&gt; É uma história breve, bem como hoje em dia todos gostam, de um homem que está em um corredor, e no final desse corredor, uma mulher que lhe dá todos os sinais de sedução, de desejo físico por ele. Depois de muito hesitar, ele acaba ido até ela, no final do corredor,&amp;nbsp;e os dois têm um encontro erótico de dar inveja, completamente perverso e maravilhoso nisso. Consumado o Prazer desse encontro erótico, ele a mata (não vou contar como, leiam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vocês verem ou ouvirem a ópera do Bizet, e lerem o texto da Duras, vão entender porque tudo isso me preocupa tanto.&amp;nbsp;É que me parece que o amor é uma coisa na fantasia erótica de todos nós, o que o torna tão interessante e imprescindível para&amp;nbsp;nossas vidas, outra coisa na vida que vivemos todos os dias.&amp;nbsp;Quero dizer com isso que&lt;strong&gt; o amor&lt;/strong&gt;, como eu dizia no texto anterior evocando &lt;strong&gt;Serge Gainsbourg&lt;/strong&gt;,&lt;em&gt;&lt;strong&gt; ´´...é físico, não tem saída´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;,(&lt;em&gt; l' amour est physique, et sans issue&lt;/em&gt;...Gainsbour et Birkin- &lt;em&gt;Je t' aime, moi non plus&lt;/em&gt;-1969)&amp;nbsp;mas nem por isso ele precisa ser perverso, destruidor, ou assassino. Deixemos nossas fantasias perversas para nossos lúdicos encontros com o o desejo de nosso outro apaixonante, lá na cama nossa de cada noite. É onde tudo isso pode ser maravilhoso, onde nosso narcisismo encontra sua fonte-espelho, e que o Prazer nos deixa inteiros para enfrentarmos a manhã seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que jamais, nessas manhãs,&amp;nbsp;essas mesmas fantasias&amp;nbsp;consigam dominar nossa vida real, tão cheia de Leis. Nela, sejamos todos parceiros, cúmplices, e no limite, comparsas mesmo. Tudo, menos inimigos na trincheira, daqueles que podem nos massacrar&amp;nbsp;a qualquer momento, sem aviso prévio. E píor ainda, nos fazer perder essa linha diferencial entre o jogo lúdico com o Prazer, e a realidade da vida, duas coisas tão necessariamente diferentes e parecidas. Para sustentar uma coisa tão difícil como essa, só mesmo muita delicadeza, muito cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, amorosos do mundo, sempre ouçam a advertência de seus objetos de desejo: Cuidem-se!! Saiam de seus corredores, larguem suas facas!! Realizar a fantasia, é coisa de perversos, e perversos, são sempre infelizes de carteirinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam felizes, nesse dia dos enamorados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereitra&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-1730007554405247641?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/1730007554405247641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/e-se-eu-te-amo-toma-cuidado-bizet.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1730007554405247641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1730007554405247641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/e-se-eu-te-amo-toma-cuidado-bizet.html' title='´´ E se eu te amo... toma cuidado!!!´´( Bizet- ´´Carmem´´)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TBGtTW9yWVI/AAAAAAAAANU/85kJLJn1ZeY/s72-c/5429_EK%2520Carmen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6512423746352315544</id><published>2011-06-10T23:46:00.000-03:00</published><updated>2011-06-10T23:46:33.882-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desejo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impossibilidade do amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amantes errados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='perda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paixão'/><title type='text'>´´Mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons´´ (Chico Buarque e Edu Lubo)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TA2undAmBkI/AAAAAAAAAM0/QJSg-_ITiCM/s1600/cavalete+sarau+1.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" qu="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TA2undAmBkI/AAAAAAAAAM0/QJSg-_ITiCM/s400/cavalete+sarau+1.JPG" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ano passado, eu postei aqui vàrias coisas sobre o amor, quando o dia dos namorados se aproximava. Neste ano, eu comecei a escrever sobre o amor para postar&amp;nbsp; nessa semana e, acreditem, eu me peguei dizendo exatamente as mesmas coisas que hà um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entao achei melhor assumir que nao mudei em nada de opiniao, que continuo uma romântica fora de hora porém com generosidade para pensar nos percalços do amor e do desejo.&amp;nbsp;Mas&amp;nbsp;nao tenho o desespero fatalista dos românticos, ao contràrio, sou otimista.&amp;nbsp;E também jà faz tempo que nao&amp;nbsp;preciso mais acreditar ou nao em conto de fadas. Afinal... na minha idade, os finais sao sempre felizes....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, vocês me desculpem eu reeditar textos de um ano atràs, mas é que sao realmente os mesmos que eu escreveria hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabem como é, uma escritora sempre tem muito amor por seus personagens, pelas coisas que eles dizem um ao outro ou que leram, juntos ou separados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entao , espero que vocês curtam mais um pouquinho da Yasmina e do Mathieu, falando de seus amores. Os que jà haviam lido com certeza vao redescobrir algo , e os que nao haviam lido vao talvez gostar de encontrar esses dois amantes tao simpaticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto de junho de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nessas noites frias que têm feito a gente queimar lenha na lareira, tomar vinho e ouvir música com vontade de amar, nada mau, lembrar dessa frase do ´&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´Choro Bandido´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, vocês não acham?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como eu dizia no texto anterior, estamos em junho, o mês dos amorosos. Faltam poucos dias para que comemoremos, todos, nossa&amp;nbsp;possibilidade de amar&lt;em&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, a Yasmina e o Mathieu, meus personagens do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Estranhos, Noturnos... e amantes´´,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&amp;nbsp;falaram muito de amor, debateram feito loucos todas as suas possibilidades e impossibilidades de amar. E inclusive, falaram&amp;nbsp;disso que o Chico dizia sobre amantes errados. Lá pela página 85, quando eles falam da festa mágica, de encontros mágicos e de morangos silvestres (metáfora que eles tomam emprestado de&amp;nbsp;Bergman para falar do reencontro- da &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´retrouvaille´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; na &lt;br /&gt;lembrança), esse assunto vira realmente um debate de amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi logo depois do primeiro grande mal-entendido entre eles - graças à bendita, e maldita internet! - que eles se reencontraram naquela festa, segundo as lembranças deles. Foi nessa festa que ele a convidou para viajarem juntos e que ela lhe disse que com ele iria até para o inferno - o que o deixou meio aflito. No dia seguinte, ela estava em estado de graça, com tudo o que havia acontecido com eles, e lhe diz que lembra daquela festa como um ´´momento mágico´´. Ele lhe responde dizendo que não há magia em festas, que são os encontros que&amp;nbsp;podem ou não, ser&amp;nbsp;mágicos, quando se trata dos amantes certos. Então ela lhe devolve, no e-mail seguinte, sua lucidez feminina, dizendo que eles jamais foram os amantes certos, e evoca essa frase do ´´Choro bandido´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TA22icXe0lI/AAAAAAAAANM/7WSZPOeVsOQ/s1600/morangos_silvestres.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" qu="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TA22icXe0lI/AAAAAAAAANM/7WSZPOeVsOQ/s400/morangos_silvestres.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Aliás, é neste ponto do debate que eles começam a falar de lembranças com valor de reencontros, de ´´retrouvailles, o Mathieu chega a&amp;nbsp; dizer que ´´lembranças também são mágicas´´. Tem até algo que eu acho muito divertido na discussão deles, quando eles falam de suas ´´comidinhas de anoréticos´´ e que além de alguns biscoitinhos, quando se encontravam,&amp;nbsp;eles só precisavam daquele suco de morangos silvestres em pó, diluído em água mineral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mathieu não concorda com ela, pelo menos com a certeza dela de que os dois eram amantes errados. E eu gosto muito quando ele lhe diz, sobre o suco de morangos silvestres, que os dois precisavam igualmente dele: ´&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´Errados ou não, tinhamos a mesma sede´´. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;E é verdade, ninguém pode dizer que os amores deles não foram bons, e que os dois não estivessem com a mesma intensidade de desejo daqueles encontros que tiveram. No fundo, os dois têm razão: ela quando evoca a frase do Chico, ele quando diz que errados ou não, o que importava era o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E realmente,&amp;nbsp; no sarau ´&lt;strong&gt;´De Chico a Chopin´´,&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;lá no Auditório Barbosa Lessa, em novembro do ano passado, quando a Câmara&amp;nbsp;Estadual&amp;nbsp;do Livro acolheu meus personagens naquele maravilhoso palco durante a Feira do Livro, um dos momentos que mais me emocionou foi este.&amp;nbsp;&amp;nbsp;A Márcia Mota encarnando a Yasmina, e o Paulo Gleich encarnando o Mathieu, me fizeram esquecer completamente que eu era a autora do livro. Por um momento, esqueci completamente que eu havia inventado esses dois, fiquei convencida de que eles é que haviam me inventado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser porque a discussão deles era muito apaixonante, muito verdadeira, tão verdadeira e intensa quanto foi o encontro deles. E isso é algo do qual homens e mulheres de todas as idades reclamam, todos os dias: da dificuldade&amp;nbsp;de acontecer, em suas vidas, encontros intensos e verdadeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois olhem, eu até que sou bem otimista. Acredito que os encontros verdadeiros, até porque são verdadeiros, não acontecem toda hora. A possibilidade do amor não anda assim, solta pelas ruas, em qualquer festa, como dizia o Mathieu. Mas ela está na vida de todos nós, e os encontros acontecem na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta nada cairmos na impotência melancólica de dizer que o amor não existe mais, pois isso sempre é desmentido pelo desejo de amar, que sempre se cruza com a contingência, com o inesperado. Então, não é bem da inexistência do amor que vale a pena se queixar, mas talvez de alguma pobreza nossa no modo como vivemos nossas vidas, como nos deixamos encontrar nela. Quem decide a intensidade de nossas experiências, senão nós mesmos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Aliás, o&amp;nbsp;amor é o tipo da coisa que ´´quem procura, não acha´´. Lembram o&amp;nbsp;que o &lt;strong&gt;Bizet&lt;/strong&gt; dizia, na sua ópera ´&lt;strong&gt;´Carmem´´&lt;/strong&gt;?&lt;em&gt; &lt;strong&gt;´´Você acredita evitá-lo, é ele quem evita você, você não o&amp;nbsp;espera&amp;nbsp;mais, e ele está ali, diante de você..´´.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; É assim, esse &lt;strong&gt;&lt;em&gt;´´pássaro rebelde´´&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; é mesmo incontrolável, nunca sabemos direito como ele é, quem ele é, o que ele é. No máximo conseguimos saber tudo o que ele não é. Por isso ele é tão fascinante, e tão imprescindível para nós, humanos. Afinal, sempre vale a pena não esquecer que isso que chamamos de infelicidade amorosa, é uma prerrogativa, um privilégio dos humanos. Nenhum outro animal tem esse problema, somente nós, e isso é um luxo que o fato de falarmos, de sermos&amp;nbsp;dotados da linguagem, nos dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, digressão feita, eu acrescentaria ainda uma coisa sobre os meus ´´estranhos amantes´´, a Yasmina e o Mathieu: Eles suportaram, tanto no encontro quanto no reencontro, na ´´retrouvaille´´ deles, esse ´´fio da navalha´´ que a paixão amorosa é pelo fato de se tratar de um homem e de uma mulher. Cada um dos dois sexos vive a vida, lê o universo em que a vive, com uma lógica própria. E elas são inconciliáveis, sempre serão. Há&amp;nbsp; um abismo entre um homem e uma mulher, no qual qualquer um dos dois pode despencar de um momento para o outro. Mas&amp;nbsp;é&amp;nbsp;talvez nesse abismo que se encontra o&amp;nbsp;ponto desencadeante da paixão,&amp;nbsp;o ponto cego na nossa alma, a falha na nossa lógica.&amp;nbsp;E a Yasmina foi sábia quando disse ao Mathieu que na noite em que o amou pela primeira vez, teve o sentimento de estar sendo tomada por &lt;em&gt;&lt;strong&gt;uma falha súbita na lógica do universo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (ela era mesmo uma grande leitora de Marguerite Duras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois me parece que é isso mesmo, o amor, quando ele vem no registro da paixão, é uma falha súbita na lógica do universo. Vai ver é por isso que&amp;nbsp;a felicidade é tão frágil: porque ficamos, quem sabe, muito apegados, cada um de nós&amp;nbsp;à sua&amp;nbsp;própria lógica , esquecendo ou recusando que o outro está no mesmo universo, mas não&amp;nbsp;vive nele com a&amp;nbsp;mesma lógica. Essa era a tal ´&lt;strong&gt;´Doença da morte´´&lt;/strong&gt; da qual falava &lt;strong&gt;Duras&lt;/strong&gt;, é onde se instala a impossibilidade do amor, onde o desejo fica encalacrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coragem de amar não é coisa simples de ser experimentada, pois é preciso sempre contar com a perda, o outro é muitas vezes inapreensível em seu mistério. A qualquer momento, seu desejo pode tomar rumos inesperados, incompreensíveis, e nos fazer sofrer muito.&amp;nbsp;Mas quando essa coragem pode ser vivida, ela nos faz descobrir que vale a pena, o amor sempre dá certo, mesmo que ele termine, mesmo que&amp;nbsp;os amantes acabem um dia se perdendo um do outro, virando morangos silvestres, lembranças um para o outro. Como a Yasmina diz: &lt;em&gt;´´... alguns amores duram dez, vinte, trinta anos, outros uma vida inteira, outros uma noite, um instante...´´&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o deles durou um verão, e ela reconhece que &lt;em&gt;´´ficou muita coisa´´&lt;/em&gt;. E fica, sempre fica. É nisso que podemos dizer que o amor é eterno, e não no fato de um casal ficar necessariamente juntos. Na verdade, os amantes, como o amor, são atemporais, são presente, passado e futuro. Mais um ponto para a Yasmina, quando ela diz que ´&lt;em&gt;´ Os amantes são sempre os mesmos. Ou melhor, o amor, o desejo, a paixão, são sempre os mesmos. O&amp;nbsp;que&lt;/em&gt;&lt;em&gt; muda, e por isso é mágico, é o jeito de acontecer, é multiforme´´.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês não acham isso tudo muito parecido com uma frase do Chico Buarque nos ´&lt;strong&gt;&lt;em&gt;´Futuros Amantes´´&lt;/em&gt;? &lt;/strong&gt;Lembram que ele diz: ´&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´ Não se afobe não, que nada é pra já, amores serão sempre amáveis...´´?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está algo que vale a pena ser lembrado por aqueles que acham que a vida anda muito triste, e que especialmente nessa época do ano, se desesperam por não ter ainda encontrado o amor, ou por tê-lo perdido. E já que falei tanto do Chico, que&amp;nbsp; assim como a Yasmina, eu adoro,&amp;nbsp;aproveito para deixar pra vocês&amp;nbsp; o fragmento de um poema do Ricardo Silvestrin, meu amigo poeta e escritor do qual também gosto muito:&lt;em&gt;&lt;strong&gt; ´´...em algum lugar do futuro, um encontro aguarda a sua hora´´.".&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6512423746352315544?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6512423746352315544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/mesmo-sendo-errados-os-amantes-seus.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6512423746352315544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6512423746352315544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/mesmo-sendo-errados-os-amantes-seus.html' title='´´Mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons´´ (Chico Buarque e Edu Lubo)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TA2undAmBkI/AAAAAAAAAM0/QJSg-_ITiCM/s72-c/cavalete+sarau+1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7878227836335398650</id><published>2011-04-28T01:33:00.001-03:00</published><updated>2011-04-28T01:34:12.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='si mesmo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='instintos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='narcisismo de morte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='agressividade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='perda do outro'/><title type='text'>"Espelho, espelho meu..."</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-iBoUVweNDjA/Tbd81nIVVwI/AAAAAAAAATQ/DiIVeSzrIUQ/s1600/narciso.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" i8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-iBoUVweNDjA/Tbd81nIVVwI/AAAAAAAAATQ/DiIVeSzrIUQ/s320/narciso.jpg" width="267" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Este Narciso de Caravaggio, eu jà comentei em outro texto do ano passado, nem vou cansar vocês&amp;nbsp; com minhas frases de apaixonada. Coloquei ele para introduzir esse texto porque&amp;nbsp; é mesmo disso que se trata: do narcisismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia eu discutia com uma amiga sobre a tal declaraçao do senhor que atropelou violentamente os ciclistas, hà algumas semanas atràs: " agi instintivamente". Ficamos, eu e minha amiga e colega, um tempao conversando sobre essa historia de insistirmos em dizer que somos seres instintuais. Tudo mentira, como diria um amigo poeta. Nao temos isntinto. Desde a primeira palavra que alguém diz a nosso respeito, antes de nascermos, estamos fadados a perder o dominio de nossa vida instintual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me explico: Quando uma mulher gràvida compra o primeiro sapatinho para seu filhinho, e que alguém lhe pergunta : "jà sabes se é menino ou menina?", ou entao: "como vai se chamar"? Acabou, nao tem&amp;nbsp;mais vida instintual possivel para o bebê que vai nascer, ele jà é um ser mergulhado na palavra, na representaçao, nao adianta espernear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, sentimos fome, sede, sono, e se nos encontramos em situaçao de perigo de vida, ou se vemos nossos filhos em risco de morte, somos capazes de tudo para apaziguar nossa afliçao. Isso é o que nos resta de nossa vida instintual: a luta pela sobrevivência e pela preservaçao da espécie. Mesmo assim, é sempre bom lembrar que comemos, bebemos e dormimos bem mais do que a necessidade - instintual - nos imporia, e que cuidamos de nossas crias com uma imensa disproporçao entre o que elas realmente necessitam e o quanto lhes damos&amp;nbsp;de atençao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E nessa disproporçao jà està colocado o quanto perdemos de nossa vida instintual. Cuidamos de nossas crianças porque nos enxergamos nelas, sao nossos espelhos. Comemos e bebemos&amp;nbsp;mais do que precisamos porque é uma celebraçao,&amp;nbsp;&amp;nbsp;um rito de prazer, e nao de necessidade.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nao existe animal mais desnaturado do que o homem, exatamente por causa da palavra. E a palavra, sempre vem do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Nao existe animal mais prematuro para nascer do que o homem. Ele somente sobrevive à sua prematuridade porque o outro ( a mae ou alguém que lhe dispense cuidados maternos ) està ali, olhando e falando com ele, desejando que ele se torne uma pessoa. Mas é claro que isso supoe muita competência desse outro, para que ele suporte esse desejo, e essa competência vai depender em muito do quanto ele também um dia foi amparado e desejado por um outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entao, palavra, olhar e desejo vindos do outro é o que nos salva da morte por inaniçao quando chegamos neste mundo, enquanto para os outros animais, que jà chegam aqui prontinhos, tudo se resolve pelo instinto. Eles sao pura necessidade, jamais se enredam nessa teia chamada desejo. Para os humanos, é outra coisa,&amp;nbsp;&amp;nbsp;e muito&amp;nbsp;complexa, e essa complexidade vai ser a mesma com que vamos crescer e andar pelo mundo convivendo com os outros, nossos semelhantes. Por isso é tao ineficaz qualquer tentativa de simplificaçao do nosso psiquismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentar explicar nossas derrapagens na relaçao com o semelhante pelo bom ou mau funcionamento de nossas tripas, sinceramente, ou é ingênuidade ou é canalhice, pois em nada nossas tripas decidem se amamos ou odiamos, se agredimos ou suportamos a presença do outro. Ao contràrio, sao nossas paixoes que podem fazer com que nossas tripas funcionem mal. Nesse sentido, as doenças do corpo sempre tem em sua essencia uma dose de enfermidade da alma, sempre sao algo que endereçamos ao outro como uma espécie de carta de convocaçao ao desejo dele, ao olhar dele, à palavra dele.&amp;nbsp; O corpo é uma imagem, e uma imagem que&amp;nbsp;somente o olhar de um outro pode validar como tal, na medida em que ele pode se&amp;nbsp;ver refletido nela, ao mesmo tempo em que ele sabe que é a imagem de um outro. As doenças de repetiçao na infância,&amp;nbsp;otites, amigdalites, etc...sempre tem alguma funçao dessa ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Também sabemos o quanto uma&amp;nbsp;criança, e principalmente um bebê, quando começa sua vida social&amp;nbsp;- na creche, na escolinha - fica vulneràvel a doenças. Nada tem a ver com a famosa "promiscuidade" que o convivio infantil tem&amp;nbsp;de espalhar viroses, e sim com o fato deste pequeno ser ter que suportar a presença de tantos pequenos outros. Eles adoram a creche e a escolinha, mas também odeiam, pois ali as leis sao comuns a todos, a vida é uma partilha igualitària, nao hà " sua majestade o bebê" como no idîlio com a mae. Além disso, sabemos o quanto para uma doença do corpo de uma criança pode estar correspondendo um sofrimento psiquico do adulto que a cuida. Isso é o espelho, isso é nossa imagem refletida no olhar do outro, isso é o narcisismo que sustenta a vida, transformando nossas tripas em palavras e imagens, nos permitindo desejar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois para quem nao sabe, o Narciso de Ovidio, mito que inspira essa noçao de narcisismo, nao se apaixonou por sua propria imagem. Quando ele vê seu corpo e seu rosto refletido no lago, ele pensa que é um outro; E quando ele se dà conta que é dele mesmo que se trata, ele se desespera, pois nao pode mais viver sem aquela imagem adorada. E decide morrer ali, na beira daquele lago, olhando para aquela imagem da qual nao pode mais se separar. Entao, de um tempo no qual a imagem de um suposto outro "acende" &lt;br /&gt;o&amp;nbsp;desejo de Narciso, passa-se a um tempo em que a imagem dele mesmo "apaga" esse desejo&amp;nbsp;e o deixa ali, prostrado, estagnado na fascinaçao do seu proprio reflexo. O narcisismo é, neste tempo, a morte do desejo, pois&amp;nbsp;o apagamento do outro condena Narciso&amp;nbsp;à sua propria morte. O que era um drama - como se fazer amar pelo outro a quem ele ama - virou uma tragédia. Nao hà mais outro, entao nada mais resta senao morrer adorando a mim mesmo. Essa é a logica do narcisismo de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei novamente - ano passado eu jà tinha escrito varias coisas&amp;nbsp;sobre isso - de narcisismo, &amp;nbsp;porque é um assunto muito delicado e dificil, é o nucleo duro, por assim dizer, do nosso psiquismo, o germe de nosso inconsciente. Acho preocupante que a idéia de narcisismo seja reduzida ao amor por si mesmo ou a alguma medida da vaidade humana. Claro que isso sempre està incluido no narcisismo, mas nao dà conta dele. O "si mesmo" ou a beleza que nele é reconhecida, jamais està dissociado do olhar do outro, é sempre no outro que nos reconhecemos. E este outro, exatamente porque ele é diferente, nos angustia, nos desespera, pois primeiro vemos nele uma imagem ideal, a nossa, depois descobrimos que ele é outro&amp;nbsp; - inversamente ao mito, na ordem - e entao queremos eliminà-lo, e ficarmos&amp;nbsp;ali, adorando nossa imagem na beira do lago, a té a morte.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Basta observar as crianças pequenas brincando e a gente sabe o que é a agressividade com o outro, a furia que a diferença dele nos causa. Mas enfim,&amp;nbsp; nossa educaçao se encarrega de nos tirar deste lugar de " sua majestade o bebê" e nos ensina a amar o outro em sua diferença. Primeiro vemos nossos pais, sexualmente diferentes e&amp;nbsp;também com funcionamentos muito diferentes, se amarem, mesmo se eles brigam muito.&amp;nbsp;Depois nossos irmaos, brigando e se amando, e por fim, nossos parceiros de brincadeiras, tao diferentes e&amp;nbsp;tao apaixonados e apaixonantes. Em pouco tempo, ir&amp;nbsp;à escola se transforma em uma festa. Vamos à escola mais para encontrà-los do que para aprender. Mesmo assim, nao brigamos menos com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim&amp;nbsp;vamos, vida afora, amando e odiando nosso semelhante.&amp;nbsp;Claro que na medida em que amadurecemos, vamos suportando&amp;nbsp;melhor&amp;nbsp;esse outro, aprendemos a nos proteger da agressividade dele, e ele da nossa. Mas nem sempre é assim. As guerras, os&amp;nbsp;assassinatos, a violência urbana e a violência doméstica, entre outras tragédias sociais, nos falam todos os dias deste narcisismo de morte, nossa tragédia contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometo que vou continuar a falar disso, pois é um assunto longo e nao hà como esgotà-lo em um ou em alguns textos. Senti vontade de abrir essa reflexao&amp;nbsp;novamente aqui no blog porque é importante que a gente consiga nao dissociar essa idéia de "instinto" no ser humano de uma derrapagem narcisica importante: Se o homem perdesse, por algum acidente historico ou cultural, a prerrogativa da palavra, se ele perdesse seu psiquismo de um dia para o outro - digamos por alguma tragédia - ele ficaria muito mais miseràvel do qualquer outro animal. Pois qualquer outro animal està desde que nasce na mais plena intimidade com seus instintos, que nada tem de complexos. O homem nada sabe do instinto, pois perde essa condiçao desde que uma primeira palavra, vinda de um outro, o marca para sempre como um ser de representaçao, de linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nenhum momento eu estive interessada em elucidar o que quer que seja do psiquismo desse senhor que atropelou os ciclistas. Nenhum clinico que se preze pode se permitir tamanha burrice, além de ser uma aberraçao ética - a de fazer diagnosticos de um fenômeno psiquico que ele mesmo nao està tratando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas me interessou aproveitar a perplexidade que me causou sua declaraçao: " agi instintivamente", para abrir uma dicussao sobre esse assunto, primeiro com minha colega, e agora com vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensemos que o tema do espelho, do narcisismo, nao é de se jogar fora. Na verdade, desde muito pequenos todos nos fascinamos pela madrasta malvada - variante de Narciso? -&amp;nbsp; que faz a pobre princesa Aurora dormir cem anos ( no bosque-lago?) porque seu espelho um dia nao lhe confirma sua beleza absoluta, lhe diz que hà uma outra, para ele, mais bela do que ela. E é essa outra que ela quer destruir a qualquer preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vocês podem ver, ainda&amp;nbsp;nao existiam bicicletas, nem psicanalistas, e jà havia o problema do espelho, do outro, e da diferença. O conflito com o outro, a agressividade... sao mesmo muito antigos na historia da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-7878227836335398650?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/7878227836335398650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/04/espelho-espelho-meu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7878227836335398650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7878227836335398650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/04/espelho-espelho-meu.html' title='&quot;Espelho, espelho meu...&quot;'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-iBoUVweNDjA/Tbd81nIVVwI/AAAAAAAAATQ/DiIVeSzrIUQ/s72-c/narciso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6259304688103921191</id><published>2011-03-15T00:17:00.001-03:00</published><updated>2011-03-15T00:19:10.316-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte e vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='toque'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gozo'/><title type='text'>OUTONAL</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-ZfIUqTETUdM/TX7TIHzWbRI/AAAAAAAAATM/yZew8vlycfA/s1600/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_preferido.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-ZfIUqTETUdM/TX7TIHzWbRI/AAAAAAAAATM/yZew8vlycfA/s400/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_preferido.jpg" width="357" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nos seus bons &lt;em&gt;&lt;strong&gt;tempos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (inicio dos anos 80), Gilberto Gil escreveu um poema genial chamado &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Drao"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, falando da separaçao, do amor, e da morte do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Genial, o que ele diz ali:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"...o amor da gente é como um grao, tem que morrer pra germinar, ressuscitar no chao, nossa semeadura... cama de tatame, pela vida afora..."&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com efeito, parece que o amor nasce com sua morte anunciada, e também, que ele precisa dessa morte para nascer de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entao eu achei que dava pra etntar, mais uma vez, escrever algo de poético pra vocês, e aproveitei para falar do outono, que està chegando. Para mim, é uma estaçao que representa muita coisa, no que diz respeito ao amor, à vida e à morte. Cada vez que ele chega, penso nas&lt;em&gt; &lt;strong&gt;"àguas de março"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; de Tom Jobim.&amp;nbsp; Certo, é o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;" fim do caminho"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, mas tem também uma &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"promessa de vida"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; no coraçao da gente. Nao é pouca coisa, nossa alma outonal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou deixar voces em paz, sem evocar tanto a&amp;nbsp; poesia alheia. Me arrisco a mostrar entao o que pude fazer&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;OUTONAL&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;De repente chega ele,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como quem vem do nada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Se intrometer com a luz&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Nublando o dia, aliviando do inferno&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fora de hora, esquecido&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vai penetrando a alma&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fazendo ela gozar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Escorrendo vida&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Caules umidos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Corpos quentes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Solo avido&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Luva de tule&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tocando o colo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Do homem em desejo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;que se esvai&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Como um outono doente do inverno.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6259304688103921191?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6259304688103921191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/03/outonal.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6259304688103921191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6259304688103921191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/03/outonal.html' title='OUTONAL'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-ZfIUqTETUdM/TX7TIHzWbRI/AAAAAAAAATM/yZew8vlycfA/s72-c/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_preferido.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6552030612633512726</id><published>2011-03-01T01:35:00.005-03:00</published><updated>2011-03-02T08:22:59.568-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violencia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banalizaçao da violencia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estado de direito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='atropelamento de ciclistas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='intolerancia'/><title type='text'>" No meu pais, se é feliz... (dom) : DEU PRA TI, ANOS DE CHUMBO!! (Rosane Pereira)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-5HBo0Z7eVks/TKlNaW_J6cI/AAAAAAAAARc/GRm_2sAGlQc/s1600/garage1+domi+linda.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;à Dominique, Livia e Caroline, que voam com suas asas de desejo e liberdade, assim como a todos os ciclistas agredidos em 25.02.2011 em Porto Alegre-RS. Brasil.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando resolvi escrever este texto, pensei em buscar alguma imagem de violência urbana, alguma imagem que mostre como sobrevivemos socialmente à psicopatologia da vida cotidiana em nossa "sociedade contemporânea". Sinceramente jà me parece completamente idiota usarmos este "atualizador" do tempo como se fosse sinal de avanço civilizatorio. E enquanto buscava as tais imagens disponiveis na internet, fiquei ainda mais convencida de que é um equivoco confundirmos modernidade, pos-modernidade e vida contemporânea com civilizaçao avançada e modernizada.Eram imagens muito grotescas, algumas pareciam cenas de ficçao-terror, de uma violencia arcaica&amp;nbsp;insuportavel ao olhar.&amp;nbsp; Por isso&amp;nbsp;desisti de colocar uma dessas imagens aqui.&amp;nbsp;Mesmo porque a violência, como tal, é impossivel de ser representada. Ela&amp;nbsp;é sempre mostrada em imagens que causam furor de curiosidades alimentadas pela morbidez de cada&amp;nbsp;um. Mas representà-la, elaborar como experiencia do olhar, é impossivel. Nossa escrupulosa humanidade nos impede&amp;nbsp; de elaborar uma fruiçao dessas. Apenas os sadicos perversos fazem algo com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entao preferi "reeditar" aqui essa imagem da minha filha Dominique alegre, vivendo a plenitude de sua liberdade enquanto percorre o mundo com sua arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nao pensem que sou pessimista. Ao contràrio, acho que&amp;nbsp;nosso laço social, graças à evoluçao da historia e dos costumes, avançou muito, sim. Somos capazes de um convivio extraordinariamente prazeroso com nosso semelhante, e nossa concepçao de vida coletiva é aberta a uma maravilhosa labilidade. Do primeiro ao ultimo ano de nossas vidas,&amp;nbsp;jamais desistimos de "encontrar nossa turma", praticamos e aprendemos sem cessar a arte de conviver.&amp;nbsp;E somos eternas crianças cada vez que fazemos um novo amigo, ficamos vibrando de faceirice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos o animal mais prematuro para nascer, por isso o&amp;nbsp;mais desamparado e fràgil. Por isso precisamos do outro e o amamos.&amp;nbsp;Sem o outro, nao sobrevivemos. A perda dele nos deprime. A morte de nosso semelhante nos choca, a agressao dele ou&amp;nbsp;a ele nos aterroriza, nos aniquila. Porque somos espelhos uns para os outros, por isso semelhantes. Esse é o chamado "narcisismo de vida", o espelho em que nos vemos e no qual nos&amp;nbsp;colocamos no lugar do outro, mas sabendo que é o lugar dele, que nao somos idênticos, que temos desejos distintos e muita empatia, muita "identificaçao", muitos gostos partilhados. Dessa possibilidade de partilha parece vir a noçao de "interesse comum". Isso é o que faz com que formemos comunidades, grupos, casais, parcerias de trabalho etc.. Nos apaixonamos uns pelos outros porque descobrimos que nossas diferenças nos ajudam a ir mais longe na elaboraçao do pensamento critico. "Trocar idéias" é isso, é poder aprender uns com os outros, discordar, criticar,&amp;nbsp;crescer juntos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Mas nao é nada fàcil. A vida da comunidade humana é muito delicada, exige um exercicio constante de tolerância, de amor ao coletivo, de cuidado com o outro, de tato para manifestar nossa insatisfaçao com ele, para debater com ele nossas diferentes&amp;nbsp;concepçoes do mundo.&amp;nbsp;Graças a Deus jà evoluimos o bastante pra saber que "no grito" nao se leva nada do outro, pois o grito é a expressao minima do humano, impossivel de ser validado como uma palavra, e&amp;nbsp;é a palavra o que&amp;nbsp;sempre faz compromisso de&amp;nbsp;reciprocidade.Também jà evoluimos o bastante para saber que a brutalidade, a violência e o assassinato ( em intençao agressiva&amp;nbsp;ou em ato), é o grau zero da humanidade, por isso irrepresentavel. Nao hà espelho possivel, mortos nao refletem nos espelhos, lembram? aprendemos isso com os antigos filmes de terror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou falando tudo isso para tentar passar para voces o quanto me deixou estarrecida o&amp;nbsp;acontecimento recente com os ciclistas, na cidade baixa. Os detalhes, suponho que todos conheçam, foram bastante divulgados. As interpretaçoes também nao foram poucas. Nossa imprensa, escrita em papel e virtual, nem sempre consegue ter algum consenso ético para veicular os fatos. A violencia minimizada, banalizada por aqueles&amp;nbsp;(bem entendido, nem todos), que&amp;nbsp;têm o dever de informar o acontecimento usando a logica essencial de um estado de direito,&amp;nbsp;segundo a qual o corpo do outro é intocàvel, é realmente chocante. Hoje, lendo os noticiàrios, faltou pouco para que as vitimas se transformassem em réus, e nem mesmo o "condicional" da lingua, tipo " o advogado de defesa afirma que "teria sido assim, e nao assado, etc...", lembram? Até a logica de nossa gramatica supoe que um réu que foge do local do crime e que teve milhares de testemunhas de seu delito, além de imagens veiculadas,&amp;nbsp;precise provar muito para ter suas afirmaçoes colocadas no tempo das assertivas: "foi assim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste também, saber que este senhor, além de toda essa violencia contra aquelas pessoas, muitas delas jovens, ainda arraste seu filho adolescente nesse "espelhamento" com a mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza ele brigou muito com aquelas pessoas. E nao é dificil imaginar que tenha ameaçado algumas delas com seu carro, e que elas tenham de alguma forma reagido à sua brutalidade. Nao dà pra saber, mas o proprio menino admite que "o pai começou primeiro a briga".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando minha filha era pequena, um rapaz, na sinaleira da avenida Goethe, com um carro importado sem capota, musica bem alta, percebeu que eu estava com receio de atravessar a faixa de pedestre com o sinal verde para mim, porque ele fazia de conta que ia arrancar a qualquer momento. Mesmo assim, atravessei. E quando cheguei diante de&amp;nbsp;seu carro, ele "brincou de nos atropelar". Foi horrivel, ele freou a um centimetro de nos duas, minha filha panicada, eu fora de mim, aterrorizada. Quando ele seguiu adiante, foi obrigado a&amp;nbsp;parar no sinal que havia em seguida.&amp;nbsp;Eu, pra suportar aquele traumatismo, joguei uma pedra em seu carro. Nem o alcançou, mas ele nao deixou por menos: levantou seu braço armado e deu um tiro pra cima. Foi um pesadelo, aquela travessia, Corri aterrorizada,&amp;nbsp; com minha filha no colo, com medo de levarmos um tiro daquele monstrinho enlouquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior é que, se caso ele tivesse nos acertado, dificilmente iria para a cadeia. Os restos dos nossos "anos de chumbo" em que a impunidade da classe alta, ou daqueles a quem nao interessavava ao sistema perturbar ainda eram grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, vendo tanta gente no facebook manifestar sua indignaçao com este acontecimento, com a veiculaçao da imprensa e com a atitude policial, fiquei arrepiada, parecia coisa do tempo dos anos de chumbo, sim, onde tudo o que era feito por alguma comunidade era desprezivel, nao tinha nenhum&amp;nbsp;"direito de cidadania"&amp;nbsp;&amp;nbsp;Do mesmo modo, tudo o que fosse feito contra essas comunidades era minimizado, banalizado. Por vezes faltava pouco para dizerem que o agressor havia "prestado um serviço" ao&amp;nbsp;Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E esses ciclistas, para além da ideologia que os reuniu, &amp;nbsp;eram mesmo uma "massa" de pessoas em torno de um interesse comum. Nao conheço todos, muito menos a ideologia deles,&amp;nbsp;mas simpatizo com a idéia do espaço publico ser mais disponivel ao cidadao do que aos veiculos. Isso é progresso social de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos retomar nossas ruas, nossos parques, nossa memoria da cidade. Jà crescemos muito nisso, jà fizemos muita "arqueologia social" resgatando lugares e habitos coletivos que a ditadura militar fez questao de enterrar nas profundezas do esquecimento,&amp;nbsp;graças à promoçao do&amp;nbsp;confinamento social&amp;nbsp;. O numero de crianças adoecidas pelo isolamento em apartamentos e pela falta de contato com o espaço exterior foi imenso, da década de setenta pra cà. E nao foi somente a tragédia da desigualdade social o que fez com que a violencia ocupasse massivamente o espaço urbano. As pessoas, de um modo geral, passaram a viver em pequenos nucleos isolados, circuitos fechados, para evitar " se misturar" com as massas. O exterior foi virando, em muitos aspectos, cenarios dantescos de deterioraçao humana e social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Mas hà muito reagimos a essa paranoia social, estamos brigando bonito com ela, e ganhando a parada. Ainda tem muito caminho, muita pedalada pela frente, mas o cheiro de mofo que nossa ausencia deixava no exterior, jà desapareceu. Precisamos da cidade para viver, nao para enlouquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos caminhar com nossos filhos, com nossos amigos. Precisamos percorrer as ruas da cidade sem medo de ser agredidos, temos o direito de querer que nossas crianças&amp;nbsp;tenham com a cidade em que nasceram e vivem a mesma intimidade&amp;nbsp;que tem com sua casa.Urgentemente, precisamos cultivar a boa-fé uns comos outros&amp;nbsp;para nao desistirmos da vida em comunidade. Sempre teremos divergências, mas sempre teremos a palavra e o direito de escolher, sabendo que a cada atitude corresponde um preço moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao sei o que se passou na cabeça desse senhor que agrediu daquela forma assassina um grupo tao grande de pessoas que estavam cultivando um exercicio de cidadania. Imagino algo parecido com a atitude o playboy que brincou de&amp;nbsp;atropelar a mim e a minha filha e depois se enfureceu com minha reaçao. Pedestres, para ele, deviam ser cidadaos desclassificados. Vai ver esse senhor achou um absurdo, um montao de bicicletas atrapalhando o caminho dele, cidadao apressado&amp;nbsp;que dirigia seu automovel. Ciclistas sao gente que nao tem o que fazer além de atrapalhar as avenidas. Mas faltou esse senhor lembrar que o tempo do pensamento unico acabou, e que&amp;nbsp;acabou também o tempo em que o outro estorvava, ou que andar de bicicleta era coisa de desclassificado social. Qualquer pais de primeiro mundo estimula este hàbito, que ainda por cima, é convivial, além de ser um avanço em termos de colaboraçao para a vida do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também, a imagem dos ciclistas, eu vi o video, era algo que dizia " no meu pais se é feliz", como canta minha filha em sua musica. O pais que é o nosso, seja ele o Brasil ou qualquer outro do mundo, é o que fazemos nele, com ele. O pais da gente é nosso jeito de viver com os outros, de querer a cidade melhor para todos, de ter prazer em conviver com o semelhante e com a diferença dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse senhor, o agressor, é um exilado de si mesmo, nao tem pais algum. E talvez ele até fique mesmo bem, dentro de um carcere. Seria realizar seu jeito de viver, jà que ele vive isolado em sua propria lei. Mas insisto, é muito triste que ele nao poupe seu filho desse confinamento social no qual parece estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a isso de inverter perversamente os lugares, o da vitima e do criminoso, é surpreendente que ainda existam advogados que acreditem convencer como as ditaduras faziam quando transformavam perseguidos e torturados em ladroezinhos baratos ou mesmo em bandidos sociais perigosos,jogando por cima deles provas forjadas de crime de narcotràfico ou coisa pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso também acabou, os anos de chumbo jà vao longe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora podemos andar todos de peito aberto, caminhando juntos, pedalando juntos, lutando juntos por nossas liberdades, aprendendo a discordar do semelhante sem medo de alguma furiosa reaçao dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;em&gt;"..No meu pais, os homens sao de qualquer cor&lt;/em&gt;...(dom), e isso quer dizer muita coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border="0" height="265" l6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-5HBo0Z7eVks/TKlNaW_J6cI/AAAAAAAAARc/GRm_2sAGlQc/s400/garage1+domi+linda.jpg" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva a tolerância, pois somente ela nos faz contemporâneos uns dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira Pinto&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6552030612633512726?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6552030612633512726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/03/no-meu-pais-se-e-feliz-dom-deu-pra-ti.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6552030612633512726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6552030612633512726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/03/no-meu-pais-se-e-feliz-dom-deu-pra-ti.html' title='&quot; No meu pais, se é feliz... (dom) : DEU PRA TI, ANOS DE CHUMBO!! (Rosane Pereira)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-5HBo0Z7eVks/TKlNaW_J6cI/AAAAAAAAARc/GRm_2sAGlQc/s72-c/garage1+domi+linda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-3066813269260943044</id><published>2011-02-17T12:50:00.006-02:00</published><updated>2011-02-17T12:52:22.269-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e Humanidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e cérebro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amores cruéis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amor e crânio'/><title type='text'>"O Amor e o Crânio" de Charles Baudelaire</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oiOBgr7KwIU/TV0rXVl5W5I/AAAAAAAAASI/k7hua78kkkg/s1600/1219704387_art_rodin_the_kissxxx+em+s%25C3%25A9pia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" j6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-oiOBgr7KwIU/TV0rXVl5W5I/AAAAAAAAASI/k7hua78kkkg/s400/1219704387_art_rodin_the_kissxxx+em+s%25C3%25A9pia.jpg" width="310" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorei para postar algo novo aqui, desculpem. O tempo anda mesmo muito escasso, e estou às voltas com o acabamento da minha coletânea de contos que espero em breve ver publicada. Chama-se&lt;em&gt;&lt;strong&gt; " A invençao do Sentimento"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Começo a achar quase supersticioso, mas nao consegui nao abrir meu novo livro com uma citaçao de Baudelaire. Os que leram o romance que lancei em 2009 lembram, eu abro com uma citaçao dele, um fragmento de seu poema &lt;em&gt;&lt;strong&gt;" La musique",&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; das &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Fleurs du mal".&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui estou eu de novo, desta vez abrindo &lt;em&gt;&lt;strong&gt;" A invençao do Sentimento"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; com "&lt;em&gt;&lt;strong&gt; O Amor e o Crânio"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, das &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Flores do Mal&lt;/em&gt;, &lt;/strong&gt;como quem pede licença a um Deus para entrar em seu templo e esse Deus fica ali na porta, generosamente dizendo a meus convidados: "sejam bem-vindos!". Sei que é bastante pretensioso o que estou dizendo, mas é que sou mesmo "devota" de Baudelaire, é na obra dele que meu espirito se espelha, e eu nao conseguiria escrever nada, se nao o lesse. Talvez eu nao seja uma "boa fiel", talvez Baudelaire preferisse nem ter devotas como eu, nao sei. Mas o fato é que sou, sim, Baudelairiana de corpo e alma, e as "Flores do mal" sao a minha Biblia. Entao, mais uma vez, é com este &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Credo" &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;que mostro a vocês uma espécie de foto panorâmica do que està escrito em meu proximo livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A traduçao é minha, e como sempre, sem nenhuma preocupaçao com a métrica ou a rima, apenas com a intensidade do que diz o Poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O AMOR E O CRÂNIO&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Amor està sentado sobre o Crânio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Da Humanidade,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E sobre este trono o profano&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Com riso insolente,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sopra gaiatamente bolhas redondas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que sobem ao ar,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como para juntar-se aos mundos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No fundo do éter&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O globo luminoso e débil&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Toma uma grande impulsao, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;explode e cospe sua alma em minusculos cacos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;como um sonho de ouro.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ouço o Crânio a cada bolha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gemer e suplicar:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- "Este jogo feroz e ridiculo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quando deve terminar?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pois o que tua boca cruel&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Espalha pelo ar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Monstro assassino, é meu cérebro,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Meu sangue e minha carne!"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L'AMOUR ET LE CRANE&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L'Amour est assis sur le crâne&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De l'Humanité,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Et sur ce trône le profane,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Au rire effronté,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Souffle gaiement des bulles rondes,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Qui montent dans l' air,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Comme pour rejoindre les mondes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Au fond de l' éther.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Le globe lumineux et frêle&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Prend un grand essor,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Crève et crache son âme grêle&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Comme un songe d' or&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;J' entends le crâne à chaque bulle&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Prier et gémir:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;-" Ce jeu féroce e ridicule,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quand doit-il finir?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Car ce que ta bouche cruelle &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eparpille en l' air,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Monstre assassin, c' est ma cervelle,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mon sang et ma chair!"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Charles Baudelaire " Les Fleurs du Mal", Classiques Garnier, Paris 1997, p. 138-139.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-3066813269260943044?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/3066813269260943044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/02/o-amor-e-o-cranio-de-charles-baudelaire.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3066813269260943044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3066813269260943044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/02/o-amor-e-o-cranio-de-charles-baudelaire.html' title='&quot;O Amor e o Crânio&quot; de Charles Baudelaire'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-oiOBgr7KwIU/TV0rXVl5W5I/AAAAAAAAASI/k7hua78kkkg/s72-c/1219704387_art_rodin_the_kissxxx+em+s%25C3%25A9pia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7955061285842988994</id><published>2011-01-25T01:25:00.006-02:00</published><updated>2011-01-26T23:46:10.572-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alegrias expelidas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paixao muda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='silencio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte do amor'/><title type='text'>SILÊNCIO DE EROS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TT4-HR3rr-I/AAAAAAAAASA/JvoSCyF_-JY/s1600/581px-Canova-eros%252526psique4u.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" s5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TT4-HR3rr-I/AAAAAAAAASA/JvoSCyF_-JY/s400/581px-Canova-eros%252526psique4u.jpg" width="386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ano passado eu jà falei pra vocês dessa escultura do Cânova, que eu adoro. Lembram? Foi naquele texto sobre Eros e Psiquê. Acho que foi na mesma época em que eu andava falando de amor e melancolia, perguntando se eles ainda existiriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também eu jà havia falado de Eros. Lembro de um texto, là por maio ou junho do ano passado, em que eu falava da célebre formulaçao de Freud quando ele diz que " Todo barulho da vida emana de Eros". Era um texto sobre pessoas que nao suportam nenhum ruido que venha do outro. Algo assim como pessoas que seriam capazes de mover um processo judicial contra seu vizinho porque ele tosse muito alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, nao reli nenhum desses meus textos. Nao sei a data precisa, nem o teor exato deles. Na verdade, hoje nem estou muito interessada em falar disso, embora seja um assunto que me convoque muito, o que escrevi nos dois textos, disso estou certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu preferi deixar com vocês mais uma&amp;nbsp;das minhas pequenas ousadias com a poesia, gênero que eu respeito e amo demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao sei se consegui&amp;nbsp;escrever algo que esteja à altura de meus leitores,&amp;nbsp; nem saberia dizer tampouco algo da intençao poética com a qual escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sei é que é de amor e erotismo que se trata, mais nada. O resto, somente voces podem saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;SILÊNCIO DE EROS&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Apenas se olharam,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;palavras cegas e surdas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;declaraçoes mudas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;nas noites absurdas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de alegrias doloridas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Feitos gêmeos fetos mergulharam,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;olhos crispados&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;bocas confundidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;na borbulhante agua&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;da paixao transpirante&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de duas vidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;que, olhos fechados,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;bocas afogadas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;na agua sangrenta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;da paixao calada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;das alegrias expelidas,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;feito gêmeos fetos se abortaram,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;cegas e&amp;nbsp;perdidas.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-7955061285842988994?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/7955061285842988994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/01/silencio-de-eros.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7955061285842988994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7955061285842988994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/01/silencio-de-eros.html' title='SILÊNCIO DE EROS'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TT4-HR3rr-I/AAAAAAAAASA/JvoSCyF_-JY/s72-c/581px-Canova-eros%252526psique4u.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6817935429878297764</id><published>2011-01-22T23:12:00.001-02:00</published><updated>2011-01-22T23:18:43.313-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evasao amorosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amordio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repetiçao'/><title type='text'>DO(LOR)IDO</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TTtz-SsGunI/AAAAAAAAAR4/4zCZoOXlMqU/s1600/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_preferido.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" s5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TTtz-SsGunI/AAAAAAAAAR4/4zCZoOXlMqU/s400/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_preferido.jpg" width="357" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Eu andei tentando deixar pra vocês um poema, mas nao deu muito certo. Era uma homenagem a Baudelaire que eu tentei fazer. Eu dizia a vocês que era meu jeito de dizer o quanto ele era para mim um mestre.&amp;nbsp; Prometo que voltarei a tentar. Principalmente porque Baudelaire, e vocês todos que me visitam aqui, merecem. Mas olhem, escrever poesia é muito dificil. Nao basta a gente ter inspiraçao, é preciso muito trabalho com as palavras, "lutar" realmente com elas, como dizia Drummond, meu outro mestre.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Eu achei melhor deletar aquele poema " ao mestre, com carinho" porque realmente me pareceu muito pobre, vocês merecem mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Hoje&amp;nbsp; eu faço mais uma tentativa, dessa vez mostrando a vocês nao um poema em homenagem a Baudelaire. Isso vou continuar tentando, està prometido. Vou deixar aqui um poema que escrevi em junho de 2010, quando eu preparava o roteiro da peça &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"On part en voyage"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; inspirada no meu romance &lt;strong&gt;&lt;em&gt;" Estranhos, Noturnos... e amantes".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Nao deixa de ser um concentrado do que a Yasmina, minha personagem, diz, durante o romance todo, a seu amado Mathieu.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Aqueles que leram o livro vao saber melhor&amp;nbsp;&amp;nbsp;do que os que nao leram, porque eu peço desculpas se o poema for muito "o&amp;nbsp;romance em alguns versos".&amp;nbsp;Mas olhem,&amp;nbsp;a grande genialidade da poesia està justamente nisso de poder contar um romance de quase trezentas paginas em menos de uma. Claro que eu nao consegui, nao tenho essa genialidade. Mas sim, pretendo que estejam&amp;nbsp;nesse poema as angustias mais&amp;nbsp;intensas da Yasmina, assim como a de muitas Yasminas desse mundo. O que delas nao estiver, é porque ainda hà mesmo muito trabalho pela frente, muita luta com as palavras.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Essa historia de transformar livro em roteiro para teatro dà nisso. Em junho eu escrevi esse poema, e me ajudou muito a seguir em frente naquele trabalho.&amp;nbsp;Hoje retomei o livro para escrever um novo roteiro, e aqui estou, querendo mostrar o poema a vocês.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Ah! Quanto à imagem do "beijo" de Rodin, creio que vocês jà sabem, pois ano&amp;nbsp;passado eu contei aqui, que é "a carinha", quase uma fotografia, de meus personagens. Tem até uma passagem do romance em que a&amp;nbsp;cena se passa na frente do atelier de Camille Claudel, lembram?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;E somente pra terminar, desculpem também minha péssima acentuaçao dos novos textos. Meu netbook veio da França em dezembro, Papai Noel me trouxe diretamente de Paris, e ele ainda nao se adaptou à ortografia de seu pais&amp;nbsp;de imigraçao. Mas chegaremos là, prometido, certo?&amp;nbsp; Entao ai vai o poema:&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Eterno retorno&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;A cada vez teu desafeto me encontra&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;desejosa, amorosa, e depois odiosa&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;A cada vez partes mais impassivel&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;E no teu desapreço desapareço&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;A cada vez voltas ao meu desejo,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;e creio que hà ali alguém﻿&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Mas é somente o espectro&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;de teu desafeto que vem&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;A cada vez assombrar a paixao&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Impregnando meu corpo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;de avidez por tua morte&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Com ela me deixas, a cada vez sozinha&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;com minha sorte&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;E partes com teu desapreço&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;sem compaixao&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Até que voltes, a cada vez&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Pra me fazer feliz, eterna viuva apaixonada&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;por um defunto sem caixao&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Algum dia me evadirei de tua&amp;nbsp; escuridao&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;E cansada de viver&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;com o desejo por um triz&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Te diluirei&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Até que nele vires nada&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Enquanto meu amordio-paixao vira vida&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;com pulsaçao&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Esquecimento eterno&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;do quanto me matavas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;com tua evasao&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;A cada vez&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Maria Rosane Pereira&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Psicanalista e escritora&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6817935429878297764?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6817935429878297764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/01/dolorido.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6817935429878297764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6817935429878297764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/01/dolorido.html' title='DO(LOR)IDO'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TTtz-SsGunI/AAAAAAAAAR4/4zCZoOXlMqU/s72-c/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_preferido.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-896912233272948789</id><published>2011-01-02T20:22:00.000-02:00</published><updated>2011-01-02T20:22:54.492-02:00</updated><title type='text'>AVIDEZ DE VIDA: A ANTI-ANOREXIA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TSDhrLVZhAI/AAAAAAAAAR0/jxvoauh0dYw/s1600/IMG_2417.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TSDhrLVZhAI/AAAAAAAAAR0/jxvoauh0dYw/s320/IMG_2417.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Primeirissimamente, obrigada por terem passado o ano de&amp;nbsp;2010&amp;nbsp;lendo os textos que tanto gosto de escrever aqui. Que tenhamos todos um ano de 2011&amp;nbsp;com muitas leituras e muita troca de idéias. Que&amp;nbsp; jamais nos&amp;nbsp;falte palavras para expressarmos nossos desejos, nossos sentimentos e nossas escolhas. E que o tempo nos permita sempre a alegria do encontro - e nao apenas virtual - pois a vida é feita dessa experiencia essencial para o ser humano: encontrar seu semelhante e conviver com ele. Que a internet seja para todos um recurso para reforçar nossos vinculos, jamais para reduzi-los à virtualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para&amp;nbsp; aqueles que acreditam nao precisar de nenhum outro, que podem viver simplesmente de si mesmo para si mesmo, vale a pena lembrar que foram necessarios dois desejos, dois outros para nos fabricar uma vida. Por isso somos tao gregarios, tao famintos de encontros, a ponto de buscar nossos outros mesmo em territorios virtuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando nisso, vocês devem lembrar que faz algumas semanas, publiquei aqui um texto sobre o concerto de DOM, nome artistico de minha filha Dominique que chegava de Paris poucos dias depois. Bom, o concerto foi lindo. O grupo de musicos que dividiu o palco com ela&amp;nbsp;- OS EMPIRICOS&amp;nbsp;- também encantou o publico que lotou o MID-BAR-CLUBE DE CULTURA na noite de 17 de dezembro. Foi emocionante. Agora, de retorno a Paris, ela&amp;nbsp;se prepara&amp;nbsp;para embarcar para Nova York, onde faz cinco concertos&amp;nbsp;durante este mes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Dom andou por varias emissoras de radio e TV daqui, dando entrevistas, e foi muito legal. Mas eu queria falar particularmente sobre a entrevista dela no "CAMAROTE-TV COM", programa apresentado por Katia Summan no dia 1- de dezembro. Nao vou ficar aqui me alongando de mamae babona. Nao é nem da entrevista em seu teor que quero falar. Foi linda, mas prin cipalmente, me interessa contar pra vocês que havia, nessa emissao, uma médica que fazia uma crônica falada, e da qual eu gostei muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da Dom ter cantado "No meu pais", essa cronista&amp;nbsp; me encantou, pois falou de uma coisa que me preocupa muito: a anemia&amp;nbsp; emocional das pessoas em geral. Ela começou falando do quanto, mais do que nunca, todos andam preocupados em comer melhor, ter uma vida mais saudavel, tomar medidas de prevençao contra doenças graves como o cancer, por exemplo. Todos queremos comer certo, viver certo, fazer exercicios, etc., e isso é muito bom. Mas em que medida realmente alimentamos nossa vida interior suficientemente para nao cairmos doentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nao apenas porque pratico minha clinica faz mais de vinte anos e me deparei muitas vezes com situaçoes alarmantes de casos graves de anorexia, mas também porque em psicopatologia, tabém me dediquei a pesquisar&amp;nbsp;e clinicar&amp;nbsp;com a psicossomatica, sei o quanto é importante refletir sobre essa gravissima doença da alma: a anemia afetiva, que pode desencadear as mais graves patologias que se pode imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nao precisamos pensar em nenhuma soluçao mirabolante: apenas no apetite de viver, aquilo que Freud chamou um dia de " urgência de vida" com qualidade afetiva. Nao somos instintuais para nos contentarmos com necessidades satisfeitas. Somos pulsionais, temos nosso corpo todo significado pelo olhar do outro, nosso foco de desejo. E por sermos desejantes, precisamos demais do desejo do outro, de tudo o que ele tem a nos dar e onde possamos encontrar nosso prazer de viver. E isso implica uma necessaria experiencia com a forma, pois o olhar e a palavra, essas vitaminas para nosso psiquismo, que o outro nos oferece, sao matrizes de todas as nossas experiencias estéticas, de toda a nossa aventura com o belo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nenhuma facilitaçao tipo trocadilho, nao hà ética sem estética. Escolhemos agir de uma forma ou de outra segundo nossa experiência afetiva com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo é bem complexo, mas eu queria dizer a vocês que o importante é que nao percamos de vista que nao hà saude psiquica sem experiencia com a beleza, e podemos adoecer se nao nos alimentarmos bem disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nao é de padroes de beleza consumiveis que falo aqui. Trata-se de colocar muita poesia em nossas vidas, muita musica, muita arte, muita historia para narrar, muita experiencia com o desejo e com as multiplas formas que ele tem de chegar do outro até cada um de nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entao, para encerrar, eu queria desejar a voces todos muita saude, muita vida interior cultivada, e que consigamos erradicar essa epidêmica anemia emocional&amp;nbsp;&amp;nbsp;e essa anorexia da vida que adoecem o mundo. Sejamos àvidos de vida, vivamos com urgência de vida!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratemos de exercer nossa mais essencial humanidade: a de sermos afeitos à poesia. &lt;br /&gt;Brinquemos com nossas crianças, pra que elas possam ser poetas, e nao esqueçamos jamais o quanto esse brincar com as palavras e com as formas do mundo nos ajudou a crescer fortes e saudaveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um 2011 com muita arte!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-896912233272948789?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/896912233272948789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/01/avidez-de-vida-anti-anorexia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/896912233272948789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/896912233272948789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2011/01/avidez-de-vida-anti-anorexia.html' title='AVIDEZ DE VIDA: A ANTI-ANOREXIA'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TSDhrLVZhAI/AAAAAAAAAR0/jxvoauh0dYw/s72-c/IMG_2417.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-191207549981396042</id><published>2010-11-24T23:20:00.018-02:00</published><updated>2010-11-24T23:41:30.043-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desejo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='consumismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Freud'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lacan'/><title type='text'>Depressão, essa velha (des)conhecida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TOsaWhJhwmI/AAAAAAAAARs/PDNRSmJCfLg/s1600/Imagem+domi+et+maman+146.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="424" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TOsaWhJhwmI/AAAAAAAAARs/PDNRSmJCfLg/s640/Imagem+domi+et+maman+146.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Essa foto do&amp;nbsp; JEREMYAH,&amp;nbsp;de um dia nublado em uma bela praia, me fez pensar no tema que discutíamos segunda-feira,&amp;nbsp; em um seminário d&lt;strong&gt;a Associação Psicanalítica de Porto Alegre(APPOA)&lt;/strong&gt;, sobre &lt;strong&gt;clínica contemporânea&lt;/strong&gt;. Minha colega &lt;strong&gt;Rosane Ramalho&lt;/strong&gt;, que coordena o seminário, propunha uma reflexão muito sensível e fecunda sobre o problema que mais interpela nossa clínica quotidiana nas&amp;nbsp; últimas décadas: &lt;strong&gt;a depressão&lt;/strong&gt;.&amp;nbsp; Era a última sessão de trabalho do ano, e discutiamos a leitura do epílogo do&amp;nbsp;livro &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´O tempo e o cão- ensaio sobre a depressão´´,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; de&lt;strong&gt; Maria Rita Kehl.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Eu ainda não li&amp;nbsp; este livro, é o primeiro da lista para dezembro, mas é verdade que a leitura de seu epílogo nos fez falar muito,&amp;nbsp; refletir sobre a vida na pós-modernidade&amp;nbsp;&amp;nbsp;e sobre nossas clínicas .&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Falávamos de sintomas contemporâneos, que são numerosos, de nossa relaçao com o outro, nosso semelhante, e como isso aparece nos tratamentos dos quais nos encarregamos todos os dias. Seguindo o fio do ensaio de Maria Rita Kehl, Rosane comentava conosco&amp;nbsp; as hipóteses da autora sobre os sintomas da vida contemporânea, em jogo na depressão. Entre eles,&amp;nbsp;&amp;nbsp;está a&amp;nbsp;dificuldade atual que cada ente humano parece experimentar, de se livrar do excesso de ofertas de satisfação que ´´o atropelam´´ feito uma mãe excessivamente solícita, que não deixa a&amp;nbsp;seu filho o&amp;nbsp;tempo para que seu próprio desejo se organize. Há um apressamento angustiante, e&amp;nbsp;então, só restaria recuar diante da total impossibilidade de dar ao outro tanto quanto ele nos oferece.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Com efeito, é o que escutamos atrás do divã todo dia, nas queixas do deprimido.&amp;nbsp;O sentimento da impotência em satisfazer um outro tão farto em ofertas quanto em demandas é imobilisador, paralisa a possibilidade de desejar, de ir adiante. E nem de longe&amp;nbsp;o sujeito&amp;nbsp;é&amp;nbsp;preparado para ´´não conseguir´´, não poder´´ ou ´´não ser suficiente´´. Ao contrário, (aliás, sempre que posso, falo disso), somos todos uma espécie de eternas crianças onipotentes e sem limites, educadas para jamais ouvirem um ´´não´´.&amp;nbsp;No entanto, este ´´não´´, sempre está no programa. A criança onipotente e empanturrada de coisas que a satisfazem não é mais do que uma ilusão materna de sofrimento zero. Essa mãe eternamente de plantão para que nada falte a seu filho, quer a qualquer preço evitar-lhe tropeços.&amp;nbsp;Justamente, são esses tropeços que nos permitem sonhar a vida e seguir desejando.&amp;nbsp;&amp;nbsp;E se não dá mais para sonhar a vida,&amp;nbsp; nossos dias&amp;nbsp;ficam&amp;nbsp; nublados, nosso&amp;nbsp;tempo&amp;nbsp; ´´encoberto´´ pelo tempo do desejo do outro ou dos outros, podendo ficar mais do que&amp;nbsp;cinza, até mesmo negro. Aliás, foi essa a expressão que Gérard de&amp;nbsp;Nerval,&amp;nbsp; poeta e escritor francês do século XIX&amp;nbsp;emprestou para definirmos a melancolia, que é&amp;nbsp;o extremo da depressão: &lt;strong&gt;sol negro&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;E também, sempre é bom lembrarmos que esse desencorajamento, essa letargia da vontade, isso que hoje chamamos de ´´largar a toalha´´, que é ficar deprimido, tem talvez a idade do&amp;nbsp;mundo. Em muitos textos da Antiguidade grega encontramos a descrição desse fenômeno que nos é tão contemporâneo. Pois se o mundo começou com o homem, começou com o desejo dele.&amp;nbsp;O desejo&amp;nbsp;é justamente o que&amp;nbsp;nos humanisa,&amp;nbsp;ja que&amp;nbsp;se revela a cada vez impossível de ser realizado. Passamos a vida correndo atrás de alguma coisa que nos falta,&amp;nbsp;exercendo assim nossa humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;A modernidade - essa inventora solícita e&amp;nbsp;apressada -&amp;nbsp;olha sem&amp;nbsp;&amp;nbsp;cessar&amp;nbsp;para a&amp;nbsp;necessidade, inflando-a ao ponto de&amp;nbsp;tornar opaca a dimensão do desejo,&amp;nbsp;até que&amp;nbsp;os dois, necessidade e desejo,&amp;nbsp;não pareçam mais se diferenciar.´´Que nada falte a nossos filhos, que nada falte a nenhum de nós´´,&amp;nbsp;parece ser o mote escrito nas entrelinhas da incansável tarefa de inventar e oferecer objetos que satisfaçam a necessidade. &amp;nbsp;É nessa opacidade enganadora que&amp;nbsp;a depressão&amp;nbsp;tem lugar. Diante da abundância de ofertas de satisfação, de realização, o sujeito fica atrelado a uma espécie de impasse:&amp;nbsp;´´é tudo, ou nada´´. E este ´´nada´´ que o depressivo escolhe, é&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;talvez um&amp;nbsp;´´ponto de parada´´ no qual&amp;nbsp;ele deixa seu desejo em suspenso, em uma espécie de vácuo&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Ainda sobre o seminário, falávamos do quanto desde o final dos anos oitenta somos todos tomados por essa idéia de regular nossa relação com as perdas pela nossa química cerebral. Pois afinal, a tristeza poderia ser mais ou menos, nociva para nossas vidas, segundo a medicação&amp;nbsp; que ingeríssemos. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;O que a clínica tem nos ensinado, nesses anos&amp;nbsp;todos,&amp;nbsp;é que ´´mesmo assim, não adianta´´. Por melhor que seja a medicação, há sempre algo que falta. E nós acrescentaríamos: Ainda bem! Viva a falta!&amp;nbsp; Pois não há, nem haverá jamais laboratório nem shoping-center que dê conta disso que as medicações pretendem suprir como faltando em cada um de nós. Nem a fórmula biblica,&lt;em&gt;&lt;strong&gt; ´´O Senhor é meu pastor, nada me faltará´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&amp;nbsp;evocada por uma jovem colega,&amp;nbsp;daria conta do vácuo no qual fica suspenso nosso desejo.&amp;nbsp;Pois os devotos de hoje, que buscam no consumir&amp;nbsp;essa proteção contra a falta, sabem que a fórmula se traduz de outro jeito:&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Com shopping ou sem shopping, sempre algo te faltará´´&amp;nbsp;.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Não é porque ganhamos pouco dinheiro ou muito dinheiro que somos mais ou menos infelizes. Se fosse por isso, bastaria cada um se transformar em um cristão caridoso, um&amp;nbsp;monge budista ou um grande&amp;nbsp;empreendedor do mercado de capitais, e tudo estaria resolvido.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;E nem sei porquê pensei nisso, pois nada tem a ver com a discussão sobre a clínica das depressões,&amp;nbsp;que tivemos na segunda-feira. Mas só para concluir,&amp;nbsp;me vem à memória uma frase dos bons tempos de Caetano Veloso,quando escreveu aquela linda canção ´´TERRA´´:&amp;nbsp; ´´ ...mas... aconteceu de eu ser gente, e gente é outra alegria, diferente das estrelas...´´.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Deve ter algo a ver com o que Jacques Lacan dizia, em seu&amp;nbsp;segundo seminário ´´ ...Sim, precisamos de nosso Eu, não exatamente para viver, mas para que não sejamos nem Luas, nem isso que chamamos de um Louco...´´.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Deve ser isso.&amp;nbsp; Acontece de sermos gente. Nem estrelas, nem Luas, nem Loucos.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;Apenas Eus, frágeis e humanos, por isso diferente das estrelas. E não há remédio&amp;nbsp;nem objeto consumível que dê conta disso. Nossas mães pós-modernas,&amp;nbsp;solícitas e apressadas&amp;nbsp;que nos desculpem, e aqueles que não gostam de&amp;nbsp;Caetano, de&amp;nbsp;Freud&amp;nbsp;ou de Lacan, também. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Mas no fundo,&amp;nbsp; o que todos nós buscamos, é um pouco mais de sol, de tempo para viver, e de menos nuvens encobridoras de nosso desejo.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Maria Rosane Pereira&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Psicanalista e escritora.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-191207549981396042?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/191207549981396042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/11/depressao-essa-velha-desconhecida.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/191207549981396042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/191207549981396042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/11/depressao-essa-velha-desconhecida.html' title='Depressão, essa velha (des)conhecida'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TOsaWhJhwmI/AAAAAAAAARs/PDNRSmJCfLg/s72-c/Imagem+domi+et+maman+146.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-2909645690144374086</id><published>2010-10-04T02:32:00.004-03:00</published><updated>2010-10-05T22:39:19.166-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='França'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violoncelo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orquestra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alegria da vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>DOM: A ALEGRIA DA VIDA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TKlNaW_J6cI/AAAAAAAAARc/s3DktGoXlsE/s1600/garage1+domi+linda.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" px="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TKlNaW_J6cI/AAAAAAAAARc/s3DktGoXlsE/s400/garage1+domi+linda.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Depois de cinco semanas sem escrever aqui, eu já estava com saudades. Foram muitas coisas que se apresentaram simultaneamente e reduziram meu tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora vamos poder&amp;nbsp;retomar o ritmo, espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Quando vejo que muitas pessoas visitaram o blog, fico preocupada com a ausência de novos textos. É como se&amp;nbsp;vocês viessem&amp;nbsp;a minha casa e eu não tivesse preparado nada para recebê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cada um de vocês é um ´´convidado de marca´´ como se diz lá na França, então merecem o melhor de mim. Por isso preferi retomar as postagens contando pra vocês algo de muito especial para mim. Essa linda jovem , parecendo um pássaro que de tão feliz, vai levantar vôo, é Dominique, minha filha, que&amp;nbsp;tem 21 anos e vive em Paris. Ela cresceu lá, para onde foi quando tinha oito anos. Voltamos ao Brasil quando ela tinha&amp;nbsp;13 anos, e seis meses depois ela foi estudar em Buenos Aires, onde ficou até os 18 anos e depois retornou a Paris para fazer seus estudos superiores. Em julho do ano passado, ela casou com o Jerôme, um adorável&amp;nbsp;&amp;nbsp;parisiense, diretor de cinema e produtor de vídeos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Dominique estuda música desde muito pequena. Ou melhor, ela já nasceu apaixonada por música. Me lembro até hoje que quando fazíamos a lista de convidados para a festinha de seus quatro anos de idade, ela queria que eu convidasse Antônio Vivaldi, ele não podia faltar. Então precisei dizer a ela o que era a morte. Ela ficou inconsolável, mas também muito impressionada com o fato da música de Vivaldi nunca morrer.&lt;br /&gt;Já naquele natal, ela pediu&amp;nbsp; ao Papai Noel os&amp;nbsp;Cds com todas a músicas para piano de Mozart, e em março do ano seguinte, pediu a mim e a seu pai para arranjarmos um professor de piano pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi. Lembro daqueles inverno frios&amp;nbsp;em que&amp;nbsp;ela despertava as 6.30 da manhã e vinha até meu quarto. Parecia um gnominho de pijamas, sacundindo seu pai - era ele quem a levava - para não perderem a hora. Ela adorava as aulas da Lurdes&amp;nbsp;Saraiva, sua professora, não perdia por nada desse mundo.&amp;nbsp;Um ano depois, ela se apaixonou pelo José Antônio Zandomenichi, que naquela época era&amp;nbsp;professor de violoncelo na escola de música, e desde então, não sossegou enquanto ele não conseguiu um cello pequeno pra dar aulas a ela. Cada vez que íamos aos concertos da OSPA, ela corria atrás do Zé, no intervalo ou no camarim, pra saber se ele já tinha conseguido o instrumento.Não estava fácil, encontrar um violoncelo pequeno na cidade.&amp;nbsp;Até que um dos meninos da família Lima emprestou seu instrumento da infância para a Domi poder estudar com o Zé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era impressionante ver a alegria que ela tinha com o piano e o cello, e o quanto ela amava seus professores. Nada a fazia mais feliz do que estar na escola de música, tendo aulas, e, entre uma aula e outra, brincando com a criançada naquele pátio enorme, equanto os intrumentos descansavam um pouco. Quando ela começou a tocar na orquesta infantil, foi uma faceirice só, já se achava gente grande aos sete anos. Eu entrava na sala para assistir os ensaios, e ela me fazia sinal pedindo pra eu sair, achava ´´mico´´ eu ficar ali como se&amp;nbsp;ela fosse um bebê. No dia em que fez seu primeiro recital com os dois instrumentos, ela mesma inventou&amp;nbsp; um divertido convite para distribuir a suas coleguinhas da escola Projeto, onde estudava. Eram as duas claves, a de fá e a de sol, uma convidando a outra para escutá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, fomos para Paris. Lá, ela fez o Conservatório de Música. Até os onze anos, estudava os dois instrumentos. Mas a escola era puxada, a carga horária era intensa, seu pai e eu exigimos que ela escolhesse um instrumento, e ela nos disse que adorava o piano, mas não podia ficar sem tocar cello. Se eu fosse contar a vocês tudo o que essa guria fez de musical na sua vida, seria longo demais. Conto apenas que ela fez em menos de quatro anos,&amp;nbsp;dois ciclos de formação no Conservatório, que levariam normalmente 6 a 7 anos,&amp;nbsp; e aos doze anos de idade, ela obteve o primeiro prêmio ´´Léopold Bellin´´ de jovens intérpretes, um concurso bastante disputado e muito reputado em Paris. Além disso, foi durante dois anos&amp;nbsp;solista de uma orquetra juvenil muito tradicional na cidade, a Orchestre Alfred Lowengut,&amp;nbsp;com a qual ela fez várias tournées pela Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Em Buenos Aires além de fazer o Conservatório, ela&amp;nbsp;tocou na Orquestra Acadêmica do Theatro Colón. Também curtiu tocar em orquestras de tango&amp;nbsp;e em trios e quartetos. Quando&amp;nbsp;ela terminou o liceu e sua formação musical ali, voltou para Paris para estudar na École Normale de Musique Alfred Cortot, onde se especializou em música de câmara, Durante esse tempo, além de seus estudos clássicos, ela passou a acompanhar cantores como Jane Birkin, com quem gravou um CD e fez longa tournée internacional de concertos. Também tocou com Camille e gravou um Dvd com Sophie Hunger, além de vários outros artistas com&amp;nbsp;os quais&amp;nbsp;gravou e acompanhou em concertos. Agora mesmo está começando os ensaios com Étienne Daho e Jeanne Moreau, com quem gravou um CD e cujo espetáculo entra em cartaz em novembro no ´´Théâtre de l´Odéon´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TKlimK9Na0I/AAAAAAAAARk/ZXGD2tPERU8/s1600/Image_69+Domi+deusinha+no+palco.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="179" px="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TKlimK9Na0I/AAAAAAAAARk/ZXGD2tPERU8/s320/Image_69+Domi+deusinha+no+palco.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Estou contando tudo isso para que vocês conheçam um pouco melhor a Dominique, já que ela está há tanto tempo longe de seu país natal. Principalmente porque em dezembro ela vem a Porto Alegre, e vai ficar feliz em encontrar vocês todos. Sabem onde? Em um teatro. Ela vai fazer um concerto. Ou melhor, vai participar de um concerto com uma banda de rock daqui, &lt;strong&gt;´´Os Empíricos´´&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;, ela vai abrir o espetáculo, a convite deles. . E&amp;nbsp; vai, sim, &amp;nbsp;tocar seu violoncelo. Mas não vão ser peças do seu repertório de intérprete de clássicos.Vão ser suas próprias peças músicais, pois ela hoje é também compositora e cantora. Ela compõe em português, e suas letras são sensíveis, surpreendentes, lindas. Os arranjos musicais também são belíssimos. Sugiro que vocês procurem por ´&lt;strong&gt;´Dominique Pinto´&lt;/strong&gt;´ no ´´&lt;strong&gt;My space&lt;/strong&gt;´´, ali tem toda a trajetória dela, e muita música do disco que ela está preparando com seu nome artístico de ´&lt;strong&gt;´DOM´´&lt;/strong&gt; que em francês soa como quando nós aqui a chamamos( desde pequena)&amp;nbsp;de ´´Domi´´, já que o ´´m´´ é bem enfatizado na pronúncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TKlkBs66FfI/AAAAAAAAARo/fQ0T7sxe5Zk/s1600/Domi+en+beaut%C3%A9.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="180" px="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TKlkBs66FfI/AAAAAAAAARo/fQ0T7sxe5Zk/s320/Domi+en+beaut%C3%A9.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que temos tempo pela frente, e vou ir falando mais sobre esse concerto pra vocês, até dezembro. Mas achei que era bom, eu falar hoje pra vocês da pessoa que eu mais amo na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem mais uma coisa especial que eu queria contar pra vocês hoje: Logo que eu conheci&amp;nbsp; o Gerson,o pai da Dominique, ele me deu um livro de presente e escreveu, como dedicatória: &lt;strong&gt;´´ Para a minha alegria da vida´&lt;/strong&gt;´. Desde então, minha vida ficou mesmo muito alegre. E quando a Dominique nasceu, essa alegria se intensificou muito. Quando cortaram o cordão umbilical e a colocaram em meu colo, eu a abracei e lhe disse: ´&lt;strong&gt;´bem-vinda, minha alegia da vida!´´&lt;/strong&gt; E vocês vão ver que coisa mais mágica, essa transmissão do amor na alegria: A Domi é uma das gurias mais alegres que conheço ! Deve ser também&amp;nbsp;porque a música é a alegria da vida dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-2909645690144374086?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/2909645690144374086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/10/dom-alegria-da-vida.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/2909645690144374086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/2909645690144374086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/10/dom-alegria-da-vida.html' title='DOM: A ALEGRIA DA VIDA'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TKlNaW_J6cI/AAAAAAAAARc/s3DktGoXlsE/s72-c/garage1+domi+linda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-1132097237872458527</id><published>2010-08-12T03:57:00.002-03:00</published><updated>2010-08-12T13:46:56.383-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='interditos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='complexo de édipo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='incesto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='castração'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desmame'/><title type='text'>´´Não basta produzir o humano, é preciso instituí-lo´´( continuando sobre ´´O pai: homem da mãe´´)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TGNygWl3D0I/AAAAAAAAARA/qiqR-ebiLu4/s1600/A-Familia-1925.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TGNygWl3D0I/AAAAAAAAARA/qiqR-ebiLu4/s320/A-Familia-1925.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Esse quadro de Tarsila do Amaral, ´´A Família´´(1925) me ajudou a pensar em um jeito de esclarecer um pouco mais o texto anterior, sobre &lt;strong&gt;´´O pai: homem da mãe..´´.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje um amigo me disse que o achou um pouco técnico, e isso me preocupou. Não me interessa escrever aqui textos carregados de teorizações. Isso posso fazer nas revistas e coletâneas especializadas nas quais de vez em quando publico, ou nos congressos e jornadas clínicas. O que me interessa aqui, quando falo de psicanálise, é justamente ´´decodificar´´ essas coisas, tornar possivel uma compreensão daquilo que&amp;nbsp;nos ocupa todos os dias em nossas clínicas, que é o sofrimento psíquico.&amp;nbsp;Por isso me deculpo com vocês, caso tenham achado a mesma coisa que meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, relendo o texto, achei meio ´´truncado´´, pouco claro, e mesmo um pouco confuso, principalmente na metade dele. É que o assunto é mesmo complicado. Falar de filiação, paternidade e maternidade articulando isso com o tema da diferença sexual masculino/feminino, nem sempre torna possível a clareza que buscamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou tentar me redimir com vocês, falando um pouco sobre a família humana. Aliás, não deixa de ser uma redundância, falar em ´´família humana´´. A noção de família só existe para nós, humanos. Ser pai, ser mãe, ser homem, ser mulher, ser irmão, irmã, tio, tia, avô, avó, etc.. somente é possível para nós,&amp;nbsp;que temos a prerrogativa da linguagem, que somos seres falantes. O simples (nem tão simples assim) fato de falarmos, já distruibui esses lugares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São lugares que ocupamos uns para os outros. É&amp;nbsp;porque somos seres de linguagem que produzimos nossos vínculos, e a partir deles, nossa cultura. Pois é o que chamamos de sociedade que produz cultura, e somente há sociedade&amp;nbsp;a partir da família, nossos primeiros outros, nossa primeira vida social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pierre Legendre&lt;/strong&gt;, un grande jurista francês, diz, em uma obra que muito me ensinou: &lt;strong&gt;´´O inestimável objeto da transmissão´´&lt;/strong&gt;, uma frase muito esclarecedora: ´&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´Não basta produzir o humano, é preciso instituí-lo´´. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;E se a tomei como titulo para esse texto, é porque justamente é disso que se trata quando falamos de família, sociedade e cultura: são instituídas pela linguagem, é a linguagem que nos humaniza, que faz com que possamos ´´instituir´´ o lugar de filho, filha, pai, mãe, homem, mulher, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não basta ´´engendrar´´ biologicamente um&amp;nbsp; ser para que sejamos isso ou aquilo uns para os outros. Não há ´´outros´´, se esse lugar não for transmitido. E a transmissão humana desses lugares é sempre dramática. A existência do outro é sempre dramática. Por isso a família se institui ao preço&amp;nbsp;de complexos.&amp;nbsp;Em seu livro ´´Os complexos familiares´´(1938), Jacques Lacan discorre sobre&amp;nbsp;essa idéia de complexos, nos explicando, por exemplo, que os complexos estão, para a família humana, na mesma dimensão que os instintos estão para a família biológica ( a reprodução dos bichos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os complexos nos tiram da vida instintual no curso de nosso desenvolvimento, são decisivos para que possamos nos desenvolver.&amp;nbsp;Os bichos, eles não precisam de complexos, a vida instintual deles basta para que eles se desenvolvam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como o homem é o mamífero que nasce mais prematuro, ele não sobrevive sem o outro que o ampara, que o cuida e que o alimenta.Vocês já imaginaram um bebê humano andando sozinho algumas semanas depois de&amp;nbsp;nascer?&amp;nbsp;Essa dependência é longa, somos muito mais frágeis do que os outros animais, nesse sentido.Além disso, nosso organismo não amadurece sem que esse outro que nos cuida e ampara dê significação aos gestos e às palavras que nos dirige. Basta observar um recém nascido, com poucos dias de vida já imitando os movimentos faciais da mãe ou daquele que se ocupa dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, é no curso do nosso desenvolvimento que os complexos vão se organizando em nossa vida psíquica: o desmame é o primeiro deles, a primeira separação radical entre uma mãe e seu bebê. Quem não conhece a depressão materna do desmame? E é fácil observar uma criança recém&amp;nbsp;desmamada para perceber que ela está elaborando um verdadeiro luto. Algumas até adoecem, e é normal que seja assim, pois o sentimento de desamparo é mesmo grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, é nesse momento que um ´´eu´´ começa a existir, que uma criança não é mais a&amp;nbsp;extensão do corpo materno. A partir daí, a motricidade avança, a postura ereta vai se preparando, do engatinhar ao caminhar, e quase concomitantemente, ela vai aprendendo a falar, ou melhor, a saber que pode usar a palavra, e com isso aumentando sua capacidade lúdica, cada vez elaborando mais a sua intimidade com os objetos do mundo exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim,&amp;nbsp;dos balbucios aos monossílabos, ela vai adquirindo a fala. Tudo isso supõe os afetos implicados na relação mãe-bebê. Qualquer criança com lacunas importantes nesse vínculo tem problemas de desenvolvimento. As mães que fazem tudo ´´tecnicamente perfeito´´, que estão sempre na hora certa fazendo a coisa certa, que nunca deixam seu posto desocupado, que mantém seus bebês limpos e alimentados como mandaria um manual de instruções, mas que não conseguem investir nenhuma dose de paixão, de afetos, os mesmos que as faraim cometer gafes e se atrapalhar com essa lida materna, essas mães podem produzir a mesma catástrofe psíquica do que as mães abandonistas, que não suportam se ocupar de seu bebê, que tomam dele uma gélida distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, voltando aos complexos, depois de atravessado o drama do desmame, a vida afetiva da criança fica ainda mais intensa. Ela já constrói teorias sobre o amor de sua mãe e de seu pai, e muito em seguida, sobre suas origens. Obviamente que para uma criança pequena, qualquer um que interfira na sua relação afetiva com a mãe é um intruso. É a mãe quem vai exigindo dela que suporte outras intervenções, quem vai ensinando a ela que o mundo é feito de outros, que ela e seu bebê não são o mundo inteiro. E principalmente, que existe aquele terceiro&amp;nbsp;que, além de ser o pai da criança, é também seu homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É porque a mãe tem um homem que a criança entende- a duras penas-&amp;nbsp;que ela não é somente sua, que a mãe não está cem por cento disponível para ela porque também tem desejo, e o desejo da mãe não está massivamente fixado nela, mas também no pai, esse terceiro fazendo obstáculo àquele idílio no qual até então ela, a criança, acreditava. E é quando ela descobre que a mãe se interessa em sair para trabalhar, em ir para o mundo exterior cuidar de sua vida enquanto&amp;nbsp;ele, o pobre&amp;nbsp;bambino fica sob outros cuidados, em casa ou na escola maternal. São esses equivalentes paternos que os pequenos odeiam de morte, montando verdadeiras celeumas cada vez que a mãe está por sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse momento que começa o segundo drama: o drama edípico, o famoso ´´complexo de Édipo´´. Pois é claro que a criança ama seu pai, mas também queria vê-lo longe dali, desaparecido. Por isso, ele, o bambino, não&amp;nbsp;vê a hora de crescer pra poder casar com sua mãe (as meninas também, assumem muito&amp;nbsp;precocemente um namoro firme com o pai).&amp;nbsp;São essas ruminações inconscientes&amp;nbsp;que fazem com que uma criança invada o quarto de seus pais durante a madrugada para dormir no meio dos dois. E por vezes com muita dramatização dessa invasão, dessa exigência. Algumas têm verdadeiros episódios de terrores noturnos, mantendo o pai e a mãe acordados e se ocupando dela a noite inteira. Assim pode mantê-los sob contrôle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao preços de milhares de ´´não´´, toda criança acaba ´´sublimando´´ transformando em outra coisa esse primeiro grande amor perdido que é a mãe. Por isso elas vão à escola e aprendem a ler e a escrever, a conviver com os outros, a amar... e a odiar. Pois nossa bagagem afetiva da primeira infância nos acompanha a vida inteira, é nisso que elas são ´´complexos´´ e não fixações. É com o pai a mãe que frequentamos essa ´´escola inaugural´´ do amor, para ir ao mundo exterior exercendo esse saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso primeiro esboço do ´´romance familiar´´ é esse: amamos profundamente o pai e a mãe, eles são maravilhosos, mas são também odiosos, porque não somos a única coisa que eles amam no mundo, porque são incompetentes para nos deixar plenamente satisfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por pouca coisa que o amor é, para todos nós, uma experiência humana maravilhosa e difícil. Não é nada fácil, absorver os ´´não´´ que o ser amado precisa nos dizer vida afora. Do mesmo modo, para muita gente é insuportável&amp;nbsp; o fato de jamais poder contar com&amp;nbsp; a completa disponibilidade e competência do ser amado&amp;nbsp;para&amp;nbsp; suprir sua insatisfação. Pois a vida ensina a todo instante que&amp;nbsp;ninguém consegue dar conta da insatisfação do outro, nenhum de nós é tudo aquilo do qual o outro precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso já está no programa desde nossa tenra infância. E não bastasse todo esse drama( desmame e Édipo)&amp;nbsp;ser tão duro de viver para um pequeno, ainda por cima esse pequeno descobre que a mãe não tem&amp;nbsp;um pênis, descobre que as meninas são desprovidas dele. Não é difícil ele achar que aquela mulher maravilhosa e toda-poderosa que é sua mãe,&amp;nbsp;obviamente teve um pênis,&amp;nbsp;mas alguém deve tê-lo retirado dela. O mesmo ele&amp;nbsp;pensa das meninas, alguém deve&amp;nbsp; tê-lo cortado. &amp;nbsp;E claro, fica com receio que lhe cortem também o seu. Principalmente seu principal rival, seu pai, cujo desaparecimento ele tanto desejou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma construção completamente inconsciente, derivação edípica que chamamos de culpabilidade, que dá origem ao medo de ser punido com uma castração real. Mas de fato, todos aqueles milhares de ´´não´´ que essa criança já ouviu tiveram&amp;nbsp;pra ela o mesmo valor de uma castração, é de onde ela tira boa parte dessa construção imaginária de ser punida no real de seu corpo.&amp;nbsp;Só que&amp;nbsp;no fundo, conscientemente, toda criança sabe que ninguém anda por aí com uma tesoura na mão querendo castrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de outra coisa que se trata, é de um saber inconsciente. &amp;nbsp;Pois é ele, o bambino, a parte do corpo que a mãe perdeu, que o pai interditou pra ele. Cada criança se sente, nesse sentido, um equivalente do pênis materno. Quando o pai ´´corta´´ o idílio, é como se&amp;nbsp;retirasse da mãe esse atributo valiosíssimo, sua criança colada nela, seu ´´pênis-criança´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E graças a esse pai ´´castrador´´ (porque castrado, digamos), a criança, já privada no desmame, fica frustrada no Édipo e, em consequência, marcada em seu psiquismo&amp;nbsp;pela castração. Por isso ela consegue ´´simbolizar´´ inconscientemente essas experiências&amp;nbsp; e continuar a se desenvolver. Porém, os conflitos interiores não desaparecem milagrosamente, apenas vão mudando de configuração conforme o momento da infância que ela está vivendo, e ela vai tentando resolvê-los com suas construções imaginárias, até chegar naquela primeira edição do ´´romance familiar´´ onde ela idealiza ao extremo o pai e a mãe, tentando superar assim suas decepções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A continuação disso, eu já expliquei no outro texto, é a reedição dos dramas todos na adolescência, segunda montagem do romance familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas todos esses ´´não´´, toda essa travessia pelos complexos que são vitais para nosso desenvolvimento, supõem que a mãe, sustentando sua feminilidade, reconheça no pai da criança o seu homem. Para tanto,&amp;nbsp;é preciso que ela leve em conta a palavra dele. E olhem, não se trata de dizer que o genitor é sempre um pai. O pai, insisto, é o homem da mãe, aquele cuja palavra tem efeitos sobre ela, aquele que a convoca em seu desejo de mulher. É isso o que&amp;nbsp;faz com que uma mãe coloque limites em uma criança, idependente da presença ou ausência física do pai, ou do quanto esse pai é bem ou mal-sucedido em suas empreitadas da vida. O pai perfeito, competente e poderoso, é pura construção de algum ideal feminino e infantil, fadado ao fracasso. O pai é humano e, como tal, submetido às leis de sua condição, as mesmas que ele tem para transmitir a seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se ela não reconhece nele o seu homem, se ela ´´não fizer caso´´ da palavra dele,&amp;nbsp; então não há feminilidade em jogo, a criança é mesmo, para ela, o equivalente de um pênis (um falo, dizemos), ela não precisa de mais nada, é uma Mulher completa, com seu bambino.&amp;nbsp;&amp;nbsp;O pai está ali,&amp;nbsp; também para ela, como um intruso atrapalhando o idílio.&amp;nbsp;Nesse caso&amp;nbsp;temos mesmo um Édipo fracassado, um pai sem função, e uma mãe e uma criança sem limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém consegue, nesse enrêdo, ocupar um lugar: de mãe, de pai, nem de filho. A Lei da linguagem, que faz a nossa cultura, sofreu uma espécie de derrapagem. Pois a Linguagem é a nossa Lei maior, é ela quem distribui nossos lugares, repito. É ela quem nos tira da vida instintual, nos colocando limites, garantindo assim&amp;nbsp;nossa condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, Freud tem razão em dizer que a função paterna é pacificadora e civilizatória, já que é ela quem veicula as Leis da linguagem, os interditos. E o incesto é a primeira interdição cultural, a menos que concordemos que uma cultura perversa, sem leis, possa ser suportável e vivível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, temos muitos rasgos disso, no ´´mundo sem limites´´( conforme Jean-Pierre Lebrun, em seu livro com esse título)&amp;nbsp;em que vivemos, onde nenhuma diferença&amp;nbsp;parece ser&amp;nbsp;levada em conta,&amp;nbsp; suportada, onde dizer ´´não´´ a uma criança está cada vez mais difícil, quase impossível. Os interditos, muitas vezes as crianças são elas próprias obrigadas a irem buscar na doença psicossomática. Ou então,&amp;nbsp;na adolescência, tentam encontrá-lo em&amp;nbsp;alguma atuação delinquente, quem sabe para com isso colocar alguma Lei sobre seu corpo, algum limite que ela somente encontra&amp;nbsp;no horizonte da Lei... do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês já conseguem ter uma idéia, nesse mundo da infância maravilhosa generalizada,&amp;nbsp;de onde pode dar uma recusa da realidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzemos os dedos para que o humano não perca sua condição de espécie, que essa recusa não nos leve a uma ´´desespecificação´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falaremos mais sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-1132097237872458527?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/1132097237872458527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/08/nao-basta-produzir-o-humano-e-preciso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1132097237872458527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1132097237872458527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/08/nao-basta-produzir-o-humano-e-preciso.html' title='´´Não basta produzir o humano, é preciso instituí-lo´´( continuando sobre ´´O pai: homem da mãe´´)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TGNygWl3D0I/AAAAAAAAARA/qiqR-ebiLu4/s72-c/A-Familia-1925.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5519199732754025754</id><published>2010-08-08T01:05:00.001-03:00</published><updated>2010-08-08T01:05:03.526-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='função paterna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diferença sexual'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='perversão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='feminilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='onipotência infantil'/><title type='text'>O pai: homem da mãe, realidade e limite</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TF4B5boaCUI/AAAAAAAAAQ4/LRxMuAreC24/s1600/fingrat-greuze.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" height="316" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TF4B5boaCUI/AAAAAAAAAQ4/LRxMuAreC24/s400/fingrat-greuze.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Uma das noções mais importantes da psicanálise, é a da &lt;strong&gt;´´Função Paterna´´ &lt;/strong&gt;que Jacques&amp;nbsp;Lacan, com sua rigorosa releitura de Freud, soube articular com a noção de &lt;strong&gt;´´Castração´´ &lt;/strong&gt;que o mestre vienense nos legou. Faço questão de explicar, como freudiana que sou, que ´´castração´´ nada tem a ver com cortar literalmente o pênis de alguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário, é de uma relação com a realidade, com o limite que a condição humana coloca a nós todos, que se trata, para Freud, de tentar esclarecer com esse conceito.&amp;nbsp;E nesse sentido, o pai, se ele é realmente um pai, também é castrado. E também, ´´castração´´ nada tem a ver com inibir ou impedir alguém de desenvolver suas capacidades. É justamente para que cada um de nós possa se desenvolver plenamente suas potencialidades que a ´´castração´´ funciona. É importante a gente pensar nisso, pois vivemos em tempos onde qualquer ´´não´´ pode ser interpretado pejorativamente como castrador, como inibidor. Só que limite e inibição são coisas muito diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse que a castração&amp;nbsp; ´´funciona´´ porque é exatamente disso&amp;nbsp;que&amp;nbsp;se trata para Lacan, quando ele fala da ´´função paterna´´. Ela funciona como um limite, como um efeito da realidade sobre nosso narcisismo, sobre nossa onipotência infantil. Não dá para esquecer que hoje em dia, a coisa que menos interessa a cada um são os limites. Nossa vida contemporânea é a do ´´tudo pode´´. Nem preciso detalhar isso, vocês todos sabem do que estou falando, quando me refiro a ´´tudo pode´´. Mas não se assustem, não sou nenhuma moralista, dessas, por exemplo,&amp;nbsp;que acham que casais homossexuais não podem adotar crianças. Podem sim, porque o lugar do pai e da mãe, para uma criança, é um lugar metafórico, nada tem a ver com a&amp;nbsp; anatomia real de um corpo. Se tivesse, seria perversa, independente da orientação sexual de um casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;A ´´função paterna´´, para Lacan , e para todo freudiano sério, é uma metáfora. Nada tem a ver com ter&amp;nbsp;ou não ter um pênis real. O que realmente faz questão é o lugar dos dois sexos, o do homem e o da mulher. O pai é sempre o homem da mãe. E não importa se enquanto tal, ele foi competente ou incompetente, se ele ´´deu conta do recado ou não´´. Mulher nenhuma engendra sozinha uma criança, ou ´´é pai e mãe´´ para uma criança, a não ser que seja uma mulher delirante, louca mesmo. Pois somente os loucos ou os muito doentes do seu psiquismo, não tiveram um pai, ou seja, a diferença sexual marcada em suas vidas, em seu ´´romance familiar´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês sabem o que é ´´romance familiar´´? É nossa primeira ficção,&amp;nbsp;aquilo que todos nós já vivemos um dia: a fantasia de sermos filhos adotivos dos pais que temos. Nossos verdadeiros pais seriam muito poderosos, perfeitos, tipos reis e rainhas, e que por alguma razão não puderam ficar conosco, nos confiaram a esse pobre casal que nos cria e educa. Pois enfim, alguém tão ´´precioso´´ como a&amp;nbsp; criança que cada um de nós é, não poderia ser filho de dois mortais tão míseros como&amp;nbsp;o pai e a mãe que conhecemos. Os professores de escola primária estão acostumados com revelações desse tipo das crianças desatentas ou inquietas que têm na sala de aula. Em algum momento eles dizem que descobriram isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, construímos essa fantasia quando por alguma razão, descobrimos que nosso pai e nossa mãe são castrados, demasiado humanos&amp;nbsp;para a criança onipotente e valiosa, verdadeiro diamante,&amp;nbsp;que somos. E aí começa toda a nossa decepção, descobrimos que a realidade existe. Continuamos a amar nossos pais, mas achando que deveriam ser muito melhores do que são, quem sabe para nos merecer como filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na adolescência, a gente&amp;nbsp;faz uma nova edição&amp;nbsp;desse romance familiar, radicalizando: o pai e a mãe viram dois idiotas que nada sabem. Viramos a mesa com eles, numa espécie de´´morte simbólica´, matando eles como podemos.. É quando nos filiamos ao grupo com o qual nos parecemos, nossa ´´turma´´, e vamos tentar fazer alguma revolução com isso, deixando-os desesperados com nossa deserção de filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Chegamos à idade adulta, quando isso tudo dá certo, aliviados por poder ´´sair de casa´´, fazer coisas completamente diferente das que fizeram nossos pais. Inventamos para nós uma vida muito melhor do que a que eles se contentaram em ter. Mas ao mesmo tempo, quanto mais o tempo passa, mais nos damos conta que eles são adorávels, que nosso pai e nossa mãe foram mesmo um amor, nos engendrando, nos&amp;nbsp;colocando nesse mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Até que algum dia, quando nos tornamos pais e mães, pedimos a eles que cuidem de nossas crianças para irmos ao cinema com nosso parceiro amoroso. E mais tarde, quando eles ficam velhos, cuidamos deles como eles cuidaram de nós quando éramos pequenos e frágeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso acontece quando o pai ´´funcionou´´ com&amp;nbsp; a mãe ao ponto de fazer com que a realidade de nossa condição humana se impusesse a nós, dizendo um ´´não´´ à nossa fantasia de crianças onipotentes e maravilhosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na verdade, o que preocupa é que isso que seria nosso desenvolvimento psíquico, já é quase uma ficção de psicanalista( espero que&amp;nbsp;meus colegas não se enfureçam comigo por estar dizendo isso), pois de certo modo, em nossa vida contemporânea,&amp;nbsp;somos todos crianças onipotentes, sem limites. Nada queremos saber da castração, da alteridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês&amp;nbsp;talvez achem que falo demais sobre alteridade e que nem dá mais pra saber o que é isso. Bom, então eu explico a vocês, que alteridade&amp;nbsp;vem de ´´outro´´, do meu semelhante que é tão diferente de mim. E a alteridade maior é alteridade dos sexos. Homens e mulheres são diferentes, e não podem engendrar outro ser senão a partir de um desejo, de um amor a essa diferença. Somos todos filhos dessa diferença, desse desejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se depois essa diferença, essa alteridade é recusada, é outra história, coisa da neurose de nossa mãe ou nosso pai,( ou dos dois)&amp;nbsp;mas que é ela quem nos engendra, não há como negar. Seria o mesmo que&amp;nbsp;negar a realidade de nossa humanidade, de nossa condição de mortais. Nem mesmo os adeptos da fecundação ´´in-vitro´´ seriam capazes de dizer que ñinguém mais precisa de pai. Somente os perversos têm essa convicção, que que pai é algo obsoleto, desnecessário. Mas também, não é por nada que eles pensam isso. Tiveram, infelizmente, e eu diria, catastroficamente, mães perversas, que ensinaram a suas crianças que o pai é um inútil, um desnecessário, que elas deram conta de tudo sozinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que muitas dessas mães jamais suportaram saber é que o pai com quem elas&amp;nbsp;fizeram seus bambinos, mesmo se ele foi incapaz de se manter em seu posto, foi decisivo, ainda que somente naquele encontro do engendramento, da fecundação, para que elas se tornassem mães.Sem o desejo daquele momento, não haveria filho possível. Pois não há filhos indesejados, apenas desejos que podem ser renegados, pelas mais diversas razões femininas. E do mesmo modo como não há filhos indesejados, não há pais indesejados por essas mulheres que colocam no mundo, graças&amp;nbsp;àquele encontro com o outro sexo, os seres que cada um de nós se torna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que esse assunto é muito complexo. Impossível, falar da função paterna sem falar da diferença sexual. Que vocês gostem ou não, o fato é que Lacan tem razão quando diz que: ´´...a mãe funda o pai...´´. Ou seja, tudo depende de como cada mulher tem, inscrita inconscientemente&amp;nbsp;em seu psiqusimo, a figura(metafórica) do pai. É isso o que decide o modo como ela vai transmitir essa figura à sua criança. No ´´frigir dos ovos´´, depende de como ela suporta sua feminilidade, sua castração, o modo como ela vai conseguir dizer ´´não´´ a seu bambino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece incrível, mas quando uma mãe diz ´´não´´ à sua criança, é um limite que ela coloca em si mesma, é um jeito que ela tem de se virar com a diferença sexual, com a alteridade. É sempre ´´em nome do pai´´ que ela coloca limites em seu filho. É nesse sentido que ´´ a mãe funda o pai´´. Porque é sempre a mãe quem transmite a realidade à seu filho, dependendo do modo como ela consegue viver sua condição humana, sua castração. Em última análise, depende de que pai ela teve, naquilo que sua mãe lhe transmitiu.Isso é a feminilidade: o modo como cada mulher vive sua condição humana, sua castração, e a transmite a seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuaremos a falar disso, pois tem muita coisa ainda para refletirmos juntos, sobre um assunto tão complexo. Só queria dizer, por enquanto, que escolhi&amp;nbsp; para colocar nesse texto&amp;nbsp;o quadro de&lt;strong&gt; Jean-Baptiste Greuze&lt;/strong&gt;, pintor francês do século dezoito, porque ele me toca muito. &lt;strong&gt;´´O filho ingrato´´&lt;/strong&gt;, faz parte da série ´&lt;strong&gt;´A maldição paterna´´&lt;/strong&gt;, que Greuze pintou. É um rapaz, filho de camponeses pobres, com pai frágil e doente, e que sustenta sua famíia. Um dia, ele se alista nas forças armadas reais, e anuncia à sua família que a está abandonando para ir lutar pelo rei;&amp;nbsp;O pai não suporta, fica indignado com o filho que abriu mão de sua linhagem e&amp;nbsp;se ´´filiou´´ a um pai poderoso.&amp;nbsp;Então, em uma espécie de último esforço, levanta de sua cadeira e&amp;nbsp; o amaldiçoa. A mãe se desespera,&amp;nbsp;suplicando ao filho que fique, que não&amp;nbsp;vá embora,&amp;nbsp;a irmã jovem tenta conter a fúria paterna, o irmão pequenino, aflito,&amp;nbsp;o agarra em sua roupa de soldado. Enfim,&amp;nbsp;é o que&amp;nbsp;hoje chamamos de ´´o quadro da dor´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Como ´´dor paterna´´ é o que não falta em nossa sociedade contemporânea, onde os homens&amp;nbsp;parecem ser eternos&amp;nbsp;meninos cujas mães se recusam a reconhecer o pai como seu homem, sua realidade e seu limite, me pareceu que poderíamos começar a falar disso&amp;nbsp; a partir de um quadro como esse. Principalmente porque mais do que nunca, as crianças superpoderosas&amp;nbsp;tentam ser eternas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja pai,com tanta mãe sem castração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5519199732754025754?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5519199732754025754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/08/o-pai-homem-da-mae-realidade-e-limite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5519199732754025754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5519199732754025754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/08/o-pai-homem-da-mae-realidade-e-limite.html' title='O pai: homem da mãe, realidade e limite'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TF4B5boaCUI/AAAAAAAAAQ4/LRxMuAreC24/s72-c/fingrat-greuze.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-3442095134002928505</id><published>2010-08-03T03:10:00.002-03:00</published><updated>2010-08-04T21:45:50.107-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='duras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desejo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tormentos masculinos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='baudelaire'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coragem e covardia de amantes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paixão'/><title type='text'>Os amantes no país da paixão: o espelho profundo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TFebar3LXJI/AAAAAAAAAQg/5-cYVBLeP6k/s1600/Z4fxipr+esp.+29.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TFebar3LXJI/AAAAAAAAAQg/5-cYVBLeP6k/s320/Z4fxipr+esp.+29.jpg" width="287" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O roteiro do espetáculo do dia treze de julho foi centrado sobre as passagens da narrativa&amp;nbsp;onde Yasmina e Mathieu&amp;nbsp;lembram da viagem deles à Paris, dos quinze dias incríveis que passaram juntos na ´´cidade-luz´´. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que também se trata do encontro deles, até embarcarem naquele avião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, eles só vão juntos à Paris porque já estão ´´viajando´´ juntos desde que se encontraram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Aliás, acontece muita coisa, antes e depois daqueles quinze dias que eles passaram na França. Pra vocês terem uma idéia, eles ´´tomam o avião´´ lá pela página 148 ( o livro tem 279), e desembarcam, de retorno a Porto Alegre, na página 224. E muita coisa disso não está no roteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é muito extenso e intenso, o que acontece nessa viagem deles, tão extenso e intenso quanto o que eles viveram desde o primeiro encontro. Insisto em dizer isso porque me parece que a ´´viagem´´ deles começou quando eles se encontraram e foram indo.... em direção à paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a paixão deles não começou do nada. Teve aquele olhar, que eles trocaram lá na Feira do Livro, depois o encontro casual, na festa do início de dezembro, e por fim, a retomada de contato por e-mail, que acabou com a vinda do Mathieu à casa de Yasmina, para ouvir Brel com ela, naquele 25 de dezembro. &lt;br /&gt;Depois, vieram os primeiros mal-entendidos virtuais - o velho problema da dificuldade em se saber detectar o&amp;nbsp;´´registro´´&amp;nbsp; no qual as coisas são ditas em um e-mail. Ela amaldiçoa a internet ( um e-mail sempre deixa supor excessivas liberdades com a palavra ), e ele amaldiçoa a comunicação, dizendo que ´´..é mesmo uma desgraça, nunca dá certo´´. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que, depois de trocar uma longa série de e-mails com o mesmo objeto: ´´palavras perdidas´´, eles se reencontram no aniversário da amiga. É a tal ´´fête magique´´. É no meio dessa festa mágica(segundo Yasmina), que ele a convida para viajarem juntos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no dia seguinte, ele chega na casa dela com flores na mão, as ´´Flores do mal´´ de Baudelaire. Eles começam a reler juntos o ´´Convite para a Viagem´´. Os dois são loucos por Baudelaire, e também, por Marguerite Duras. Yasmina está relendo ´´A doença da morte´´, e assim como ela relê Baudelaire com ele, ele relê Duras com ela.&amp;nbsp;E de releitura em releitura... eles não param mais de viajar juntos. A poesia passa a ser então a ´´língua natal´´ que eles assumem, ao ponto de usarem as mesmas figuras de Baudelaire e Duras para falarem do desejo deles, de tudo o que acontece com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Mathieu pede à Yasmina que lhe diga com que sentimento ela lembra da viagem deles a Paris, ela tem toda razão em lhe responder com o ´´espelho profundo´´(objeto da mensagem):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mathieu,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bom que me perguntes sobre nossa viagem. Viajamos em todos os sentidos da palavra. Prefiro te falar dela aos poucos, pois foi bem assim que aconteceu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É isso, cada noite juntos era uma viagem, e o destino me assustava. Cada mensagem me dava desejo e coragem de viajar novamente, apesar do medo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desde que me convidaste, viajamos sem parar toda vez que nos encontrávamos. Tentávamos chegar ao ´´país parecido com nós dois´´. Procurávamos por ele, um no corpo do outro. Nosso desejo estava sempre em estado emergencial, mas fazias primeiro uma grande exploração geográfica. ´´Deixa eu te olhar´´, me pedias. Gostavas de me contemplar assim durante muito tempo. Teus dedos conferiam toda a minha anatomia, tentando entendê-la. Teus olhos se surpreendiam com a forma frágil do meu corpo tão pálido, ´´sobre a poça branca dos lençóis brancos´´, dos quais tanto gostavas, sempre evocavas essa cena do poema. Um dia, ficaste espantado com o quanto minhas pernas pareciam mesmo não estarem bem implantadas. Ficavas tão angustiado quanto o personagem de Duras, olhando para a estrangeira na cama, embora conseguíssemos rir disso.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A perplexidade com que descobrias meu corpo era a mesma que eu experimentava diante de tua forma, completamente estrangeira à minha. A textura de tua pele me fazia estremecer como quando menina eu tocava em alguma folhagem extraordinária. Descobri que teu gosto e teu cheiro eram de um cravo exótico.&amp;nbsp;E como teu corpo parecia gigantesco sobre o meu!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Adoravas dormir com a cabeça sobre meu sexo, chamavas de ´´meu veludo´´, lembras? Era para ti uma espécie de atitude mística, poder sondar, mesmo dormindo, esse lugar misterioso e abismal de nossa diferença.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foram muitas noites viajando assim, um inventando e descobrindo o outro, tentando nos parecer feito irmãos... Como os amantes de Baudelaire na ´´viagem´´, buscávamos o ´´espelho profundo´´, onde poderia se refletir alguma imagem parecida de nós dois, onde estaria a ´´nossa´´ língua natal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;Assim ficávamos, completamente mergulhados em uma atmosfera de calma e volúpia, verdadeiro luxo que nosso desejo nos dava.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fico te falando dessas noites lindas que vivemos, mas me dou conta que era assim: havia tua existência onírica, na qual cada vez te aproximavas mais de mim, e tua existência real, que não parava de se despedir de mim, era nela que se afirmava nossa covardia de amantes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TFesKey8aLI/AAAAAAAAAQo/h5fo2FKUFXY/s1600/3+Mathieu+angustiado.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TFesKey8aLI/AAAAAAAAAQo/h5fo2FKUFXY/s320/3+Mathieu+angustiado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Então, não é de se admirar que o Mathieu fique tão angustiado, ao mesmo tempo em que busca no pensamento a figura de Yasmina. Parece que a ´´releitura´´ o deixou assim, com muita saudade da viagem que fez com ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda por cima, ´´La musique´´ (o violoncelo) com&amp;nbsp;o ´´Adágio´´ de Schumann´´, percorrendo sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo jeito, ele está refletindo sobre as últimas palavras de Yasmina: ´´... nossa covardia de amantes´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TFeuA221vhI/AAAAAAAAAQw/WSjK0V2bqZo/s1600/4+Yasmina+angustiada.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TFeuA221vhI/AAAAAAAAAQw/WSjK0V2bqZo/s320/4+Yasmina+angustiada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Mas para Yasmina, não é menos angustiante, percorrer todos esses caminhos de novo, ´´reescrevendo´´ a história deles para Mathieu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem visível, o quanto essa retomada da memória do amor a deixa perturbada. Bom, pelo menos para o olho da Carolina Kazue, a fotógrafa que ´´flagrou´´ o rosto da Yasmina e do Mathieu em cena, nessas duas ultimas fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com a Carolina Kazue, quanto a essa angústia estampada no rosto deles.&amp;nbsp;Tanta coisa sendo percorrida de novo, e a Yasmina ainda ter que lembrá-lo das impossibilidades que não foram poucas...&amp;nbsp;e&amp;nbsp;ela foi bem correta, quando usou a expressão ´´nossa covardia de amantes´´, não imputando apenas a ele, a impossibilidade que os dois tiveram, de imigrar definitivamente ao país da paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa curiosa: esses dois amantes, falando de sua covardia, falam também de muita coragem, e com muita coragem, pois falar do desejo não é coisa simples. Falar das impossibilidades, mais complicado ainda. E é bem verdade que foi sobre o que eles mais falaram, nesse reencontro on-line: na coragem e na covardia deles. Haja Baudelaire, e haja Duras, com tantos amantes nesse mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, só resta a gente esperar que em breve eles voltem ao palco, pra falar da viagem inteira, antes, durante e depois de&amp;nbsp;Paris, nos mostrando tudo o que cada um de nós tem de estrangeiro em relação ao outro que amamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando somos amantes, somos sempre &amp;nbsp;estranhos..., mesmo quando nos parecemos feito irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-3442095134002928505?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/3442095134002928505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/08/os-amantes-no-pais-da-paixao-o-espelho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3442095134002928505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3442095134002928505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/08/os-amantes-no-pais-da-paixao-o-espelho.html' title='Os amantes no país da paixão: o espelho profundo'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TFebar3LXJI/AAAAAAAAAQg/5-cYVBLeP6k/s72-c/Z4fxipr+esp.+29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5152437015864366841</id><published>2010-07-25T18:43:00.001-03:00</published><updated>2010-07-25T18:48:22.736-03:00</updated><title type='text'>Viagem ao país da paixão (IV): No compasso dos Noturnos de Chopin</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEydJw_IduI/AAAAAAAAAP4/HoPKgzMdnbg/s1600/Z4fs9jl+esp.+28.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" hw="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEydJw_IduI/AAAAAAAAAP4/HoPKgzMdnbg/s320/Z4fs9jl+esp.+28.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Fico até sem jeito em dizer isso a vocês, mas no texto anterior, eu disse que&amp;nbsp;a Yasmina e o Mathieu&amp;nbsp;viajariam com Baudelaire, lembram? E isso é verdade. Só que me adiantei, pois antes do ´´Convite para a Viagem´´, houve uma espécie de ´´Adágio´´ dela, quando eles, depois dos primeiros encontros casuais, retomam o contato por e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio dessa troca de mensagens,&amp;nbsp;já que ele havia perguntado o que ela faria de seu final de ano, se ia ficar pela cidade, etc..,ela o convidou para a festa de final de ano que estava preparando. Ele&amp;nbsp;responde que não pode ir porque tem uma viagem de ´´despedida de casado´´ pra fazer, e conta pra ela o drama da sua separação, que já durava dois anos, dos vinte e cinco que estava casado. É&amp;nbsp;nessa mensagem&amp;nbsp;que eles começam a falar de música, pois ela diz a ele que o ´´Réquiem´´ de uma separação é sempre dolorosamente longo, comparando-o a um eterno ´´Ne me quitte pas´´ de Jacques Brel. Ela já viveu isso, e&amp;nbsp;sabe o quanto é difícil, fazer um luto desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mathieu adora Brel, mas critica a música francesa, que ela, francófila de nascença,&amp;nbsp;defende. Apesar de entender a paixão dele pela MPB e pela Bossa Nova, já que&amp;nbsp;ela também é doida pela música de seu país, ela não abre mão de fazer a tal ´´defesa e&amp;nbsp;ilustração´´ da música e da .literatura francesa, seus grandes amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim&amp;nbsp;&amp;nbsp;os dois têm um ´´debate franco-brasileiro´´ sobre a música, e como ele havia dito que seria muito bom ouvirem Brel juntos, ela não deixa de dizer, no final de uma resposta, que iria adorar ouvir Brel com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela acha, no fundo, que fez uma enorme gafe, criticando a opinião de Mathieu. Afinal, ele é um pianista, compositor e maestro. O pior de tudo foi a tal história dela dizer que sua francofilia&amp;nbsp; a deixava em uma disposição á melancolia. Que homem se interessa por uma mulher com disposição melancólica? E será que ela não havia sido agressiva, chamando a cultura dele de melancólica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yasmina chega a pensar que ele não&amp;nbsp;vai mais escrever, mas no dia seguinte recebe dele uma breve mensagem dizendo: ´´terça, passo em tua casa´´. Terça, era 25 de dezembro. Ela fica então, muito agradecida aos céus e pensa: ´´Mon Dieu, c´est Noel!!!´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é nessa noite do dia de Natal que eles vão de Brel à Chopin. Sim, eles ouviram Brel, como previram, e Mathieu ficou muito mexido com uma frase da ´´Chanson des vieux amants´´: ´´...Il faut bien que le corps exhulte..´´.( ´´ O corpo tem que exultar..´´ ).&amp;nbsp;Os dois descobriram, enquanto ouviam isso, o quanto precisavam exultar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Brel ficou em silêncio, enquanto eles exultavam ouvindo Noturnos de Chopin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEylSXlFvvI/AAAAAAAAAQA/r1eJh54SEr0/s1600/Ze2ajyr+esp.+30.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="197" hw="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEylSXlFvvI/AAAAAAAAAQA/r1eJh54SEr0/s200/Ze2ajyr+esp.+30.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa imagem da Yasmina olhando e tocando em seus próprios pés deixa a gente fazer uma idéia do quanto ela pode estar se lembrando, ao som de um&amp;nbsp;Noturno do Chopin, dos dedos de seu pianista amoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessa cena que ela se lembra de dizer a ele:&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´Então me redesenhaste com teus dedos, querias descobrir a textura da minha pele. Eu ronronava com teu toque, teu gosto e teu cheiro me hipnotizavam, teu beijo me drogava, cada vez queria mais. Misturados um ao outro, no labirinto úmido dos lençóis, viramos dois minotauros se debatendo para evitar a saída. Deliramos, perdidos na emaranhada rota de nossos corpos confundidos e encharcados. Exultamos até o tempo entrar em curto circuito... e parar de acontecer´´&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda ao som do Noturno, depois de uma&amp;nbsp;angustiada pausa, ela&amp;nbsp;continua: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´ Antes do amanhecer, tudo começou novamente. Então percebi que o toque de teus dedos percorrendo meu corpo tinha a mesma delicadeza apaixonante dos compassos de um Noturno de Chopin, lembras? Perguntaste, entre um beijo e outro, o que eu achava do que ouvíamos, e te respondi, sussurrando: ´´...são Noturnos, são lindos...´´. O ritimo de nossos corpos, nossa frase, o compasso de nosso desejo, era disso que eu falava quando te respondi: ´´...são Noturnos...´´.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Naquele momento, senti que estava acontecendo comigo algo de incontrolável, que eu estava talvez sob o efeito de &lt;strong&gt;uma falha súbita na lógica do universo.´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEyrByV2GBI/AAAAAAAAAQQ/hsB5VoKbmJM/s1600/Z1vkocru+Esp,+C.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="137" hw="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEyrByV2GBI/AAAAAAAAAQQ/hsB5VoKbmJM/s200/Z1vkocru+Esp,+C.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Dá para calcular o que Mathieu, na penumbra solitária&amp;nbsp;de sua casa&amp;nbsp;pode estar sentindo, quando lê essa mensagem da Yasmina. Afinal, não esqueçamos que foi ele quem pediu a ela que ´´escrevesse tudo de novo´´, que devolvesse a ele a memória do que viveram. Difícil é saber qual dos dois precisou de mais coragem, se ele para fazer esse pedido, ou ela para escrever todas essas lembranças.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O que é certo é que a música é realmente o fio condutor da história deles. Talvez porque os dois tenham tão fortemente marcada sua própria história: ela pelo violindo do pai, a clarineta do tio, a voz lírica da avó, o violoncelo da filha; ele pelo piano de seu pai, depois o seu, sua paixão pelas cordas e toda a errância que a música o levou a experimentar na vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Como o próprio Mathieu diz: ´´Com tanta coisa em comum, eles só poderiam se encontrar´´. E é verdade que fica difícil imaginar qualquer troca de palavra dos dois que não esteja marcada por alguma frase musical da memória deles.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Foi lindo, ver os dois em cena falando disso tudo na pele da Bianca Ramos e do Jairo Klein.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Amanhã continuamos a falar dessa Viagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Maria Rosane Pereira&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Psicanalista e escritora&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5152437015864366841?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5152437015864366841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/viagem-ao-pais-da-paixao-iv-no-compasso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5152437015864366841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5152437015864366841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/viagem-ao-pais-da-paixao-iv-no-compasso.html' title='Viagem ao país da paixão (IV): No compasso dos Noturnos de Chopin'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEydJw_IduI/AAAAAAAAAP4/HoPKgzMdnbg/s72-c/Z4fs9jl+esp.+28.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7733912638308189060</id><published>2010-07-24T01:20:00.001-03:00</published><updated>2010-07-24T01:25:10.906-03:00</updated><title type='text'>Viagem ao país da paixão (III)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEpjAk2YXpI/AAAAAAAAAPQ/3Kd9P_VEOdI/s1600/Zn3j53k+esp.+C1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" hw="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEpjAk2YXpI/AAAAAAAAAPQ/3Kd9P_VEOdI/s320/Zn3j53k+esp.+C1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa cena é fidelíssima à narrativa do livro, quando Yasmina e Mathieu vão visitar a exposição de&amp;nbsp;Raphael de Sanzio, no Palais du Luxembourg, em Paris. A expressão de ´´gratidão e malícia feminina´´ que ele vê no rosto dela, idêntico, nisso, ao da Fornarina, amante de Raphael, é bem evidente. E o desejo com que ele a olha, é o mesmo com que Raphael olhou para sua Fornarina, quando a pintou, logo depois de fazer amor com ela, em 1521. Também, não é pra menos. Mathieu consegue identificar no rosto de Yasmina, a mesma expressão de desamparo mudo, de tristeza e alegria misturadas, ela tem&amp;nbsp;realmente a tal gratidão e malícia feminina da Fornarina. Olha para ele como se acabasse de receber uma carícia, e como se agradecesse todos os beijos que haviam trocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mathieu diz a Yasmina que ela é a sua Fonarina, e ela fica completamente apaixonada, não quer mais parar de beijar seu ´´pintor eterno´´ que é o Mathieu.&amp;nbsp;Os dois namoram tanto, diante do retrato da Fornarina, que quase são convidados a sair da exposição. Olham mais para eles do que para as obras de Raphael,&amp;nbsp; perturbam. É uma passagem muito alegre, no romance, a lembrança de um dos melhores dias, dos quinze que eles passaram juntos em Paris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEpmXyXFIgI/AAAAAAAAAPY/24_B0uYy8r8/s1600/Z1ikj8w2+esp+8.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" hw="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEpmXyXFIgI/AAAAAAAAAPY/24_B0uYy8r8/s320/Z1ikj8w2+esp+8.jpg" width="216" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;E vejam só, como as duas são mesmo parecidas. A Yasmina, lembrando desse momento da viagem deles, quase se confunde com o retrato da Fornarina, na reprodução, atrás dela. Creio que&amp;nbsp;até Raphael, se visse essa foto, concordaria comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, foi emocionante esse momento da peça, porque a Yasmina está&amp;nbsp; muito parecida com ela-mesma, é como se ela acabasse de sair das páginas do&amp;nbsp; livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o Mathieu também me impressionou com seu jeito de pintor eterno, apaixonado e apaixonante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um dos momentos magníficos da atuação da Bianca Ramos e do Jairo Klein, completamente incorporados nos meus ´´Estranhos amantes´´ Me convenceram tanto que eu fiquei com vontade de ler o livro, completamente esquecida de&amp;nbsp;que eu mesma o havia escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, falta ainda eu contar pra vocês&amp;nbsp;detalhes bastante íntimos da viagem deles ao país da paixão. Amanhã falaremos disso, prometo.&amp;nbsp;Já posso até adiantar uma coisa importante: É Baudelaire quem&amp;nbsp;os acompanha&amp;nbsp;nessa viagem ao ´´país parecido com eles´´. É ele quem leva eles a&amp;nbsp;revisitar cada cantinho de Paris, inclusive o Palais do Luxembourg, onde eles reencontram Raphael e sua Fornarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falaremos disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira &lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-7733912638308189060?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/7733912638308189060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/viagem-ao-pais-da-paixao-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7733912638308189060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7733912638308189060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/viagem-ao-pais-da-paixao-iii.html' title='Viagem ao país da paixão (III)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEpjAk2YXpI/AAAAAAAAAPQ/3Kd9P_VEOdI/s72-c/Zn3j53k+esp.+C1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7457975648759838950</id><published>2010-07-23T22:52:00.000-03:00</published><updated>2010-07-23T22:52:27.015-03:00</updated><title type='text'>Viagem ao país da paixão (II)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEoiBWipxqI/AAAAAAAAAPI/sgafnbOOCyU/s1600/Zfjg2w7+esp.+22.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" hw="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEoiBWipxqI/AAAAAAAAAPI/sgafnbOOCyU/s320/Zfjg2w7+esp.+22.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Mathieu está, ele também, completamente absorvido pela lembrança de Yasmina. É ela quem o tira de sua ´´nebulosa´´, quem o faz percorrer novamente, já que ele mesmo lhe pediu isso,&amp;nbsp;os caminhos que trilharam juntos na viagem ao país da paixão.&lt;br /&gt;Como ele mesmo diz, ´´...não é&amp;nbsp; simples, percorrer tudo isso de novo...´´. É o que transparece nessa expressão de desejo e tristeza misturados a uma certa dose de angústia enquanto ele pensa no acabou de ´´reler´´ na voz de Yasmina. Sim, foi ele quem propôs a ela o jogo da memória, mas o Pedro Gonzaga assinalou com justeza, no prefácio do livro, que ´´não há jogos inocentes´´, e também, o fato de que estejam cada um na sua solitária intimidade, fazendo esse jogo virtual ´´não vai fazer com que os acontecimentos do passado ardam menos´´. Porém, o que ´´arde´´ na alma desses dois amantes, nada tem a ver com culpa, o jogo deles não é esse.&amp;nbsp; É das impossibilidades que foram as deles,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;que eles tentam falar um ao outro nessa rememoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;O que cada um viveu de apaixonante e infernal&amp;nbsp;naquele verão-invernal que foi o deles, eles guardam como uma partitura musical que poderá ser sempre interpretada, a cada vez com nuances diferentes. Eles&amp;nbsp;sabem que afinal, um ´´Noturno´´ de Chopin, um trio de Brahms ou um Adágio de Schumann podem sempre ser relidos e escutados novamente.... Mais do que uma ´´trilha sonora das lembranças´´, a música é a memória do amor deles, é nela que eles se reencontram. E o Mathieu, como bom pianista, não renuncia jamais a esses reencontros, essas ´´retrouvailles´´. Aliás, nisso os dois são mesmo muito cúmplices, não abrem mão dessa viagem, mesmo que seja difícil, revisitar a paixão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ver que é por isso que o Mathieu tem essa expressão de sensibilidade tão forte em seu rosto, enquanto ´´reescuta´´ as palavras de Yasmina no texto dela que ele relê, e na música que como ele, ela também está ouvindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida falamos mais um pouco sobre eles. As fotos que a Lu Rezende fez&amp;nbsp; são tão belas e fortes que&amp;nbsp;chegam a dar&amp;nbsp;a impressão que eles vão falar com a gente.&amp;nbsp;E na verdade, naquela noite da peça, eles falaram mesmo. Dá vontade de continuar ´´conversando´´ com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-7457975648759838950?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/7457975648759838950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/viagem-ao-pais-da-paixao-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7457975648759838950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7457975648759838950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/viagem-ao-pais-da-paixao-ii.html' title='Viagem ao país da paixão (II)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEoiBWipxqI/AAAAAAAAAPI/sgafnbOOCyU/s72-c/Zfjg2w7+esp.+22.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-4982026701014122761</id><published>2010-07-23T01:48:00.001-03:00</published><updated>2010-07-23T01:52:37.284-03:00</updated><title type='text'>Yasmina e Mathieu, em cena com ´´A música´´: Uma viagem ao país da paixão.(I)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEkW6UJXupI/AAAAAAAAAO4/gIKEyQvpBec/s1600/Z1d5z29j+esp,+20.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="198" hw="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEkW6UJXupI/AAAAAAAAAO4/gIKEyQvpBec/s200/Z1d5z29j+esp,+20.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa expressão da Yasmina foi muito bem captada pelo olho da Lu Rezende, durante o espetáculo do dia 13.07, lá no ´´Fernando em Pessoa´´. É a expressão de uma mulher apaixonada que, ´´relendo´´ a história que ela mesma escreve de novo para seu ex-amante, o Mathieu, não pode deixar de escutar, mais uma vez, as palavras dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Lembrando da viagem que fizeram juntos a Paris, ela chega a sentir o frio daquele inverno francês. Coloca seu&amp;nbsp; chapéu parisiense e sua echarpe de lã porque sente sinceramente aquele frio percorrendo seu corpo, que apenas as palavras dele, o desejo dele,&amp;nbsp;conseguiam aquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Foi muito verdadeiro, o que a Yasmina e o Mathieu reviveram em cena, ali, naquele palco. Francamente, posso dizer que me emocionei&amp;nbsp; com a coragem deles de dizer um ao outro coisas que quando estiveram juntos, nem mesmo se permitiam pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ir aos poucos, falando das cenas que a&amp;nbsp;Lu Rezende fotografou. Vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-4982026701014122761?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/4982026701014122761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/yasmina-e-mathieu-em-cena-com-musica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4982026701014122761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4982026701014122761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/yasmina-e-mathieu-em-cena-com-musica.html' title='Yasmina e Mathieu, em cena com ´´A música´´: Uma viagem ao país da paixão.(I)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TEkW6UJXupI/AAAAAAAAAO4/gIKEyQvpBec/s72-c/Z1d5z29j+esp,+20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5522364314140950327</id><published>2010-07-19T23:47:00.005-03:00</published><updated>2010-07-20T13:42:57.383-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='individualismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tolerância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidariedade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='identificação'/><title type='text'>Amizade: A mais resistente, e a mais delicada das flores...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TET350LDWMI/AAAAAAAAAOQ/rwv1NTAiVyc/s1600/Z122m7xv+esp,.+18.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" hw="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TET350LDWMI/AAAAAAAAAOQ/rwv1NTAiVyc/s320/Z122m7xv+esp,.+18.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essas duas flores que estão na foto feita pelo olhar sensível da Lu Rezende,&amp;nbsp;são de madeira. Duas verdadeiras obrinhas de arte, adoro o que elas têm de fortes e delicadas. Em minha casa,&amp;nbsp;mantenho-as sempre em um lugar privilegiado do meu campo de visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, eu sou doida por flores. A ´´flor´´ pra mim é algo de muito&amp;nbsp;significativo. É a vida, com sua beleza e fragilidade, é&amp;nbsp;a paixão amorosa e o desejo, com suas pétalas tão vulneráveis e que&amp;nbsp;no entanto podem sobreviver a vendavais...&amp;nbsp; é muita coisa, inclusive a poesia que se tira da dor lancinante, como nos ensinou&amp;nbsp;Charles Baudelaire com suas ´´Flores do mal´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Enfim, acho que as flores são muito simbólicas de nossa condição humana, naquilo que ela tem de delicadeza, beleza, força e fragilidade. Pena que as pessoas raramente se lembrem disso, principalmente do quanto um gesto, uma atitude&amp;nbsp;e uma palavra dirigidas ao outro, nosso semelhante, são verdadeiras flores que ele recebe de nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, por vezes tenho a impressão que a tal ´´crise da alteridade´´, ou ´´época da intolerância´´ que vivemos, tem muito a ver com isso. O mundo parece viver uma crise de esquecimento da delicadeza humana. Por vezes parece que a barbárie se reinstalou em nossa história, que saímos do estado de cultura para retornar a um brutal estado de&amp;nbsp;natureza,&amp;nbsp;e então&amp;nbsp;podemos fazer ou dizer qualquer coisa, podemos tratar o outro de qualquer forma,&amp;nbsp; é indiferente como ele acolhe o que&amp;nbsp;lhe é dirigido. Por isso crianças são jogadas pela janela, jovens são assassinadas e desossadas, mendigos queimados, mulheres espancadas, velhos abandonados etc..,&amp;nbsp;sem falar nas guerras por toda a parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nenhum simplismo, mas com simplicidade, me atrevo a perguntar: será que tudo isso não é um sintoma da falta de experiência estética? Ninguém mais se preocupa com o belo, primeiro indício do bem. E não estou falando do belo das propagandas de cosméticos, mas do belo que nossos olhos vêem no olhar do outro, quando somos bebês que ainda nem caminhamos nem falamos, e já nos reconhecemos em um espelho porque um outro nos diz: ´´ olha lá, meu bebê, este que estás vendo, é tu..!´´. A partir daí, nosso ´´eu´´ começa a se formar, e isso decide toda a nossa possibilidade de socialização, de como vamos nos enxergar nos outros vida afora, como vamos reconhecê-los como semelhantes a nós.&amp;nbsp; Jacques Lacan dizia que é ´´ a matriz simbólica de todas as formas de socialização que virão..´´(´´O estádio do espelho´´1945).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se não houver um olhar e uma palavra dessas no nosso primeiro ano de vida, não nos fundamos como&amp;nbsp;´´eu´´ por falta dessa experiência estética fundamental, e vai ser muito complicado, reconhecer os outros como semelhantes a nós (algo dessa ordem acontece na patologia do autismo infantil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou falando disso, porque a amizade, esse pacto de tolerância e&amp;nbsp;alteridade, esse amor que nasce de nosso ´´espelhamento´´ no outro que encontramos, no contexto de nossa cultura individualista e egocentrista, também vive uma intensa crise. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Globalizar o convívio, é o de menos. Todo mundo se encontra e parece se entender bem. Não recusamos falar com ninguém, temos zilhões de amigos virtuais e acolhemos novas pessoas em nosso campo de visão sem nenhuma dificuldade. Todos são bem-vindos à nossa mesa no café da esquina e por vezes, mesmo em nossa casa. Resta saber é com que grau de responsabilidade convivemos. Que atitudes e palavras dirigimos a esses outros que transitam em nossas vidas?&amp;nbsp;Em que medida estamos com eles para o que der e vier, quando eles precisam de nós, nem que seja apenas para que olhemos pra eles com afeto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que não existe confusão entre caridade e solidariedade, quando um outro precisa de nós? É sempre bom lembrar o que a caridade pode ter de violência encoberta, pois raramente vemos algum traço de nós mesmos&amp;nbsp;naquele a quem fazemos caridade. E o diferente... melhor que desapareça.&amp;nbsp;A solidariedade é se colocar no lugar desse outro, nos vermos nele, sem pressa em nos livrarmos dele. Quando somos solidários, respeitamos e amamos a diferença do outro, que em nada precisa ser igual a nós, apenas semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais complicado, é que sem amizade, não há tolerância. E o mundo sem tolerância, já sabemos no que dá. Fica então a questão de saber se não estamos muito empobrecidos nessa experiência tão primária e decisiva com a forma, quando olhamos para nossas crianças e nos enxergamos nelas. Pois é essa a&amp;nbsp; escola do amor, a convivência com nossos bebês. É aí que revivemos nossa primeira experiência com o espelho que foi o olhar de nossos pais. É aí que damos a nossos filhos condições de se tornarem pessoas à parte,( nunca uma continuação de nós mesmos)&amp;nbsp;um outro, semelhante, jamais igual, e que vai sair mundo afora, com sua diferença, amando e fazendo amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser por isso que dizem que os amigos, são a família que a gente escolhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não poderia deixar de dizer que tenho o privilégio de ter&amp;nbsp;uma pequena família de amigos. E é valiosíssima. São pessoas sem preconceito, e muito responsáveis pelo que dizem e fazem. Não há oceano que nos separe, nem calendário de dias, semanas, meses ou anos.&amp;nbsp;São amorosas e solidárias, e também, muito cuidadosas. &amp;nbsp;Minha maior preocupação é poder sempre me sentir merecedora da amizade delas, da alegria de conviver com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gerson Neves Pinto (pai da minha filha),Carla Silvestrin, Ricardo Silvestrin,&amp;nbsp;Dominique Moaty(Paris), Catherine Compagnon(Paris)&amp;nbsp;Maria Elena Gallichio, Betha Jager, Carolina Kazue e Alessandro Oliveri, e também a Sandra Rosária, essa amiga que conheci graças a um unicórnio que eu buscava na internet, e que hoje&amp;nbsp;mora no meu coração.&amp;nbsp;Obrigada por existirem, vocês são o mais belo buquê de flores que a vida me deu, obrigada pela fiel&amp;nbsp;amizade, a mais resistente e a mais delicada das flores... amo vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FELIZ DIA DO AMIGO PARA TODOS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira &lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5522364314140950327?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5522364314140950327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/amizade-mais-resistente-e-mais-delicada.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5522364314140950327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5522364314140950327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/amizade-mais-resistente-e-mais-delicada.html' title='Amizade: A mais resistente, e a mais delicada das flores...'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TET350LDWMI/AAAAAAAAAOQ/rwv1NTAiVyc/s72-c/Z122m7xv+esp,.+18.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-1425510736282965436</id><published>2010-07-15T01:34:00.002-03:00</published><updated>2010-07-17T03:44:13.498-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação das crianças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beaumarchais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revolução Francesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Victor Hugo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revolução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Delacroix'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>A verdadeira arte sempre faz Revolução</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="328" rw="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TD1YtYoLfiI/AAAAAAAAAOI/9Sq6KovVrx4/s400/delacroix-la_liberte_guidant_le_peuple+II.jpg" width="400" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, esse quadro de Eugène Delacroix, &lt;strong&gt;´´La liberté guidant le peuple´´&lt;/strong&gt; é, para mim, o mais emblemático da história das Revoluções na França.&lt;br /&gt;Certo, Delacroix representa aqui os acontecimentos da revolução de 1830, quatro décadas depois da &lt;strong&gt;´´Queda da Bastilha´´&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;cujo aniversário de 221&amp;nbsp;anos&amp;nbsp;hoje comemoramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;O importante é que desde o 14 de julho de 1789 o autoritarismo nunca mais foi o mesmo, apesar de ter feito catástrofes, e até hoje ainda fazer, na história da experiência humana.&lt;br /&gt;Ainda sobre o &lt;strong&gt;´´14 juillet´´&lt;/strong&gt;, gosto de lembrar de meus professores de civilização francesa, na Sorbonne, falando do papel que ´&lt;strong&gt;´As bôdas do Fígaro´´&lt;/strong&gt; do insolente&lt;strong&gt; Beaumarchais&lt;/strong&gt;´´ desempenhou na &lt;strong&gt;Revolução Francesa.&lt;/strong&gt; Parece que Luís XVI, quando viu a peça, achou perigosa, não queria que ela fosse encenada.&amp;nbsp;E mais uma vez, as mulheres, com suas exigências agudas, ganham a parada. Maria Antonieta resolveu que a peça ia, sim ser encenada, ela adorava aquele dramaturgo maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E deu no que deu. Quando a Bastilha foi derrubada (lá, onde hoje, em Paris é o ´´Boulevard Beaumarchais´´), os revolucionários levavam tijolos dela para depositar diante do edifício onde morava Beaumarchais, para homenageá-lo. E é verdade que aquela peça, que discutia com tanta ousadia, entre outras coisas, o absurdo que era os poderosos do Estado&amp;nbsp;decidirem sobre a vida amorosa de cada um, sobre seu desejo, sua sexualidade, fez barulho, desencadeou o processo de&amp;nbsp;uma Revolução. Não foi por nada que Mozart, quando fez sua ópera inspirado nessa peça, colocou, pela primeira vez, todas as classes sociais cantando em uníssono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então, voltando à Delacroix, o poder autoritarista não desiste fácil.&amp;nbsp;E a revolução de&amp;nbsp;1830 foi um dos momentos em que ele, como dizemos ´´se viu azul´´, foi mais uma vez derrubado.&amp;nbsp;Dizem ( os historiadores, não os fofoqueiros),&amp;nbsp;que&amp;nbsp;Delacroix se sentiu envergonhado de não ter participado dessa insurreição. Por isso teria pintado ´´La liberté guidant le peuple´´, assim, como para se redimir. É uma cena e tanto,&amp;nbsp;a burguesia saindo de seu deslumbramento e ´´pegando junto´´ com o povo para se insurgir contra o absurdo estado de coisas que a sociedade vivia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que Delacroix conseguiu, sim, se redimir. Não é pouca coisa que até hoje esse quadro seja considerado escandaloso, evitado de todas as formas possíveis de ser exposto como um modelo de Revolução. Acham ele&amp;nbsp;despudorado demais.&amp;nbsp;Ele ainda é muito censurado pelos poderes ´´estabelecidos´´ mundo afora. Onde já se viu, uma mulher jovem, com os seios desnudos, empunhando a bandeira da &lt;strong&gt;´´liberdade, igualdade e fraternidade´´&lt;/strong&gt;, passando por cima de cadáveres para ir ao encontro desse&amp;nbsp;ideal, seguida pelo povo. e ainda por cima, atrás dela, aquele menino com seu revolver na mão, enfrentando tudo e todos. Aliás, é bom lembrar que &lt;strong&gt;Victor Hugo&lt;/strong&gt; se inspirou nesse menino da tela de Delacroix, quando escreveu &lt;strong&gt;´´Os Miseráveis´´&lt;/strong&gt;, mais de trinta anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, hoje me deu vontade de falar disso, não apenas porque era o 14 de julho, mas principalmente pela juventude dessa mulher que Delacroix pintou. Vou até contar um pequeno segredo a vocês: No meu consultório de psicanalista, acho que seria exagerado ter um porta-retrato de minha filha. Meus pacientes nada tem que ver com meus amores pessoais. Então tenho uma pequena reprodução da &lt;strong&gt;´&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´Liberté´&lt;/strong&gt;´&lt;/em&gt; de Delacroix. Sabem por quê? Porque acho ela a carinha da minha filha, que é uma corajosa de carteirinha, que não abre mão de empunhar a bandeira de seus ideais. E&amp;nbsp;para mim, toda e qualquer Revolução depende do modo como educamos nossas crianças, que em seguida se tornam jovens, revolucionários ou conformistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser a coisa mais terrivel do mundo, ter um filho conformista. Não há fracasso maior, na vida de alguém, do que esse. Pois afinal, todas as revoluções importantes que o mundo conheceu, foram desencadeadas pela insolência e inconformidade dos jovens. Por isso gosto tanto de atender, na minha clínica, pacientes adolescentes, eles me ensinam muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também, isso nos faz pensar que educar uma criança, é uma verdadeira arte, e que sem&amp;nbsp; a arte, o mundo inteiro seria até hoje um grotesco feudo. Pois se existe uma Revolução possível, é aquela que, historicamente, a arte desencadeou..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso ontem, lá no&amp;nbsp; &lt;strong&gt;´´Fernando em Pessoa´´&lt;/strong&gt;, esse lugar charmoso e instigante de nossa cidade, onde a arte sempre tem encontro marcado, me deu muita alegria ver a &lt;strong&gt;Yasmina, o Mathieu e a Música&lt;/strong&gt;, esses três narradores do meu romance, homenagearem, em cena, a Revolução Francesa. Pensei em Beaumarchais, em Mozart, em Victor Hugo, e principalmente em Delacroix. Por isso dediquei&amp;nbsp; o espetáculo&amp;nbsp;à minha filha&lt;strong&gt; Dominique&lt;/strong&gt;, ao concerto que ela havia feito em Bordeaux, na França, com seu violoncelo. Coisa mais linda, na vida, é ter uma filha artista com alma de artista. Ou seja, uma Revolucionária, uma inconformista, que não abre mão de seus ideais.&amp;nbsp;&lt;strong&gt;´´Vive la jeunesse!!!´´.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao espetáculo de ontem, prometo que em breve teremos muito o que conversar a respeito, com fotos, vídeos, e tudo o mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;´Ça ira!!!´´&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-1425510736282965436?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/1425510736282965436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/romance-do-romance-yasmina-e-mathieu-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1425510736282965436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1425510736282965436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/romance-do-romance-yasmina-e-mathieu-em.html' title='A verdadeira arte sempre faz Revolução'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TD1YtYoLfiI/AAAAAAAAAOI/9Sq6KovVrx4/s72-c/delacroix-la_liberte_guidant_le_peuple+II.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7288077852002570768</id><published>2010-07-08T12:01:00.001-03:00</published><updated>2010-07-08T12:05:11.854-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música e teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='espetáculo cênico-musical'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='romance com a música'/><title type='text'>Mais uma vez em Cena: Yasmina, Mathieu...e a música</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TDXnk3xzQcI/AAAAAAAAANs/WiZc4m9XEwA/s1600/convite+on-line+on+part+en+voyage.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" rw="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TDXnk3xzQcI/AAAAAAAAANs/WiZc4m9XEwA/s640/convite+on-line+on+part+en+voyage.jpg" width="419" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-7288077852002570768?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/7288077852002570768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7288077852002570768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7288077852002570768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/07/blog-post.html' title='Mais uma vez em Cena: Yasmina, Mathieu...e a música'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TDXnk3xzQcI/AAAAAAAAANs/WiZc4m9XEwA/s72-c/convite+on-line+on+part+en+voyage.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-3372918558337639786</id><published>2010-06-29T02:29:00.001-03:00</published><updated>2010-06-29T02:30:10.430-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parceria amorosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='busca de si mesmo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida de artista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='perda do outro'/><title type='text'>´´De tanto procurar por mim mesma, foi tu quem eu perdi´´ ( Barbara)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TClnja30LGI/AAAAAAAAANk/163cjvBg1h4/s1600/ATgAAABWL03l4SPCldUiRYhCiasbDBTxZ-wgtRHaUsQthTmZlCqoqmMKXlf6triOAqIeIyK03wa7xyorcR52IaQ4ugpZAJtU9VBsHT9rE7TUr3Sdmrnh1Bip0MjJpg.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" ru="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TClnja30LGI/AAAAAAAAANk/163cjvBg1h4/s400/ATgAAABWL03l4SPCldUiRYhCiasbDBTxZ-wgtRHaUsQthTmZlCqoqmMKXlf6triOAqIeIyK03wa7xyorcR52IaQ4ugpZAJtU9VBsHT9rE7TUr3Sdmrnh1Bip0MjJpg.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa bela mulher de olhar profundo e com ar pensativo, é Barbara, uma das artistas mais completas que a França teve, no final do século XX. Era compositora, cantora, aliás, com uma voz de beleza estonteante,&amp;nbsp;fazia ela mesma seus arranjos e&amp;nbsp;tocava lindamente o piano.&amp;nbsp;Ela enlouquecia os maestros, em seus concertos com orquestras, pois sempre tinha uma idéia inovadora e genial que eles consideravam, muitas vezes, impraticável do ponto de vista da técnica musical. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbara foi uma verdadeira inventora ou ´´re-inventora´´ da música francesa contemporânea. Não por nada, sopranos do mundo inteiro acabaram gravando várias de suas canções, principalmente &lt;strong&gt;&lt;em&gt;´´Dis, quand reviendras-tu?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; ( Diz, quando tu vais voltar? ).]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era&lt;strong&gt; parceira de Jacques Brel,&lt;/strong&gt; com quem teve um romance que fracassou mas que não suplantou a amizade e a camaradagem artistica dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho uma pena que no Brasil quase ninguém saiba quem foi Barbara, que morreu em 1997, deixando uma maravilhosa obra musical e poética como legado para as novas gerações de músicos da França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era estudante na Sorbonne, precisei preparar uma dissertação sobre romantismo contemporâneo, e escolhi algumas letras de Barbara. Fui&amp;nbsp;à biblioteca consultar um livro com as letras das suas canções&amp;nbsp;e não encontrava. Até que encontrei, não na prateleira de música, mas sim na prateleira de romances. Fiquei feliz em ver que sabiam classificá-la adequadamente. Pois as letras de Barbara em cada canção que ela escreveu, dariam um lindo romance, eram mesmo um lindo romance. Sua música é uma literatura das melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi duas canções: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´A force de&lt;/strong&gt;´´( ´´De tanto...´´) &lt;/em&gt;e ´&lt;strong&gt;´&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; La vie d´artiste´´ &lt;/strong&gt;( A vida de artista)&lt;strong&gt;,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; para preparar meu texto. Foi difícil. Não apenas porque uma dissertação na Sorbonne é quase um trabalho de Hércules com a retórica, mas principalmente porque as letras ´´me pegavam´´ demais, pois o romantismo de&amp;nbsp;Barbara é de uma coragem e de uma sinceridade por vezes muito dolorosos de suportar.&amp;nbsp;É o que eu chamo de ´´beleza que dói´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´À force de m´´être cherchée, c´est toi que j´ai perdu/ maintenant libre de toi, c´est là que tu me manques/ &lt;/em&gt;&lt;em&gt;enfin libre de toi ,c´est là que tu me manques/[...] /tant de solitude depuis ton départ/ même le fond se vide, plus de sens à rien/ Tu étais dans ma chair, tu étais dans mon sang&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;plus pareil dans moi/plus pareil sans toi/ Oh mon amour, je t´ai perdu[..].´´&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´De tanto procurar por mim mesma, foi tu quem eu perdi/ agora livre de ti, é quando mais me fazes falta/ tanta solidão depois de tua partida/ um vazio até o fundo das coisas, nada mais tem sentido/ tu estavas na minha carne/ tu estavas no meu sangue/ nada mais é a mesma coisa em mim/ nada mais é a mesma coisa sem ti/ Oh meu amor, eu te perdi [...]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos de nós já não tiveram esse sentimento de que o outro era excessivo, sufocava, precisávamos nos livar dele para assim reencontramos a nós-mesmos? Quantas vezes o outro, que amamos, parece invasivo e exagerado em seu jeito de ser? Quantas vezes a presença do outro parece fazer com que nos sintamos perdidos de nós mesmos,&amp;nbsp; e acreditamos que precisamos recuperar&amp;nbsp;nosso ser singular&amp;nbsp;com a ausência dele? E depois que ele parte, o vazio que se impõe, a solidão que corrói, a falta de sentido de tudo o que está em torno de nós, fazendo com que não entendamos mais nada. Quantas vezes a ausência desse outro, que nos parecia inevitável e necessária, produz um sentimento de perda na própria carne, no próprio sangue?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu não estou aqui preocupada com a retórica da Sorbonne, nem lembro mais do que escrevi naquela dissertação, já faz muito tempo... O que me interessa é a gente poder pensar essa excessiva paixão que temos por nós-mesmos, esse medo que o ser amado nos dá de não nos encontrarmos mais, a ponto de expulsá-lo de nossa vida, até que o tal vazio nos faça entender que com a parrtida dele, algo de nós foi embora... e que pode ser tarde demais. De tanto procurar por nós mesmos, é o outro que amamos, quem acabamos&amp;nbsp;perdendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre é bom ouvir coisas assim tão belas e fortes, em tempos de cultura narcísica, onde cada um está muito&amp;nbsp;preocupado em não perder seu próprio umbigo de vista, vocês não acham?&amp;nbsp; Muits histórias poderiam ser narradas, a partir dessa canção de Barbara. É a cara de muitos de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que isso tudo me fez escrever páginas e páginas, naquela época. Mas também me lembro que&amp;nbsp;foi a &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Vida de artista´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&amp;nbsp; o que mais me ´´doeu´´ em sua beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;On s´est rencontré par hasard, ici, ailleurs, ou autre part/ il se peut bien que tu t´en souviennes/ Même si c´est pas vrai, il faut croire à l´histoire ancienne[...] Mais si tu penses, á vingt ans, on peut vivre de l´air du temps, ton point de vue n´est pas le même/&amp;nbsp;je &amp;nbsp;t´ai donné ce que j´avais, de quoi rêver, de quoi chanter[...]/ cette fameuse fin du mois/ oui, depuis qu´on est toi et moi, nous revient sept fois par semaine/ ..Et nos soirées sans cinéma, et mon succès qui ne vient pas/ et notre pitance incertaine/ ..Tu vois je n´ai rien oublié de ce bilan triste&amp;nbsp;à pleurer qui constate notre faillite[...] /Et maintenant tu vas partir, tous deux nous allons vieillir/ chacun pour soi, comme c´est triste[...] je conserve le piano, je continue ma vie d´artiste[..].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nos encontramos por acaso, aqui, lá, ou em outro lugar/ pode ser que te lembres disso/Mesmo se não é verdade, é preciso crer na antiga história/ [...] Mas se aos vinte anos, pensas, podemos viver de sonhos, teu ponto de vista não é mais o mesmo[..]Te dei o que eu tinha, para sonhares, para cantares[...] esse famoso fim do mês/sim, depois que éramos eu e tu,&amp;nbsp;o evocávamos sete vezes por semana/... E nossas noites sem cinema, e meu sucesso que não chegava/ e&amp;nbsp; nossa pobre comida incerta/ Vês? não esqueci nada desse balanço triste, de chorar, que constatava nossa falência[...] E agora tu vais partir, vamos os dois envelhecer cada um por si, commo isso é triste[...] eu fico com o piano, eu continuo minha vida de artista[...].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um pouco assim com todos os amantes? Sempre um deles pode esquecer como foi que se encontrararam, qual foi o papel do acaso nisso, e que o amor é sempre fruto de um acaso como esse. Não existe nenhuma dupla de amantes que não tenha se encontardo assim, não há esquecimento que apague isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também, sempre há um que dá mais do que o outro, jamais há uma verdadeira&amp;nbsp;paridade, no amor. Há sempre um que dá ao outro condições de sonhar, de cantar, de exercer sua ´´vida de artista´. Os amantes são sempre artistas, nesse sentido. Eles suportam a precariedade de suas vidas, a incerteza do poder comer, um final de&amp;nbsp;mês que nunca chega, um eterno balanço triste, de fazer chorar, que constata sempre uma falência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre digo que quando amamos, todos temos vinte anos. O problema é que o tempo passa, e o ponto de vista dos amantes muda. Por vezes nem sempre dos dois, mas sempre muda. Em algum momento, um deles pode achar que a vida está passando, que o melhor ainda não foi vivido, que a miséria já não tem mais nenhuma poesia, e parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É&amp;nbsp;bastante triste, dois amantes que acabam não envelhecendo juntos por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele que fica, conserva o piano... continua sua vida de artista. Acaba fazendo muito sucesso, mas não dá a menor bola pra isso. O&amp;nbsp;que ele conserva mesmo, com aquele piano,&amp;nbsp;é seu amor, sua arte maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem por quê, mas achei que essas duas canções de Barbara poderiam ser oportunas para esse final de junho, o mês do amor, dos amorosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara que pelo menos aqueles que buscam demais por si mesmos, e que acham que estão perdendo o melhor da vida ao lado de seus parceiros, consigam pensar nisso: não é todo dia que a vida permite que dois artistas se cruzem para viver juntos.&amp;nbsp; Melhor cuidar bem, juntos, daquele piano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-3372918558337639786?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/3372918558337639786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/de-tanto-procurar-por-mim-mesma-foi-tu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3372918558337639786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3372918558337639786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/de-tanto-procurar-por-mim-mesma-foi-tu.html' title='´´De tanto procurar por mim mesma, foi tu quem eu perdi´´ ( Barbara)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TClnja30LGI/AAAAAAAAANk/163cjvBg1h4/s72-c/ATgAAABWL03l4SPCldUiRYhCiasbDBTxZ-wgtRHaUsQthTmZlCqoqmMKXlf6triOAqIeIyK03wa7xyorcR52IaQ4ugpZAJtU9VBsHT9rE7TUr3Sdmrnh1Bip0MjJpg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-696836354638628697</id><published>2010-06-19T13:52:00.009-03:00</published><updated>2010-06-20T01:17:19.510-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='melancolia contemporânea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura maníaca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='clínica da melancolia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apatia melancólica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e melancolia'/><title type='text'>Amor e melancolia ainda existem?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TBw-JRpw5YI/AAAAAAAAANc/7iJxG89upEc/s1600/han03_charpentier+la+M%C3%A9lancolie.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="316" qu="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TBw-JRpw5YI/AAAAAAAAANc/7iJxG89upEc/s400/han03_charpentier+la+M%C3%A9lancolie.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Olhando para essa obra-prima de&lt;strong&gt; Constance Charpentier&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´La Mélancolie´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, no dia em que a vi na exposição de arte ´´ &lt;em&gt;&lt;strong&gt;L´invention du sentiment´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&amp;nbsp;no ´&lt;strong&gt;´Musée de la musique´´&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;em&lt;strong&gt; Paris, 2002&lt;/strong&gt;, me perguntei exatamente isso: Será a melancolia, por excelência, o sintoma mais grave&amp;nbsp;do amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, mas a palidez dessa figura feminina, a brancura de seu corpo e de seu rosto, seu olhar fixado em seus pés, como quem pergunta: ´´para onde eu iria agora?´´, tudo isso me faz pensar que talvez o amor seja algo de essencialmente melancólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda vez&amp;nbsp;que lembro desse tela,&amp;nbsp;penso na canção&amp;nbsp;de &lt;strong&gt;Chico Buarque &lt;/strong&gt;´&lt;strong&gt;´Eu te amo´´&lt;/strong&gt; em que o poeta pergunta, depois que ele,&amp;nbsp;apaixonado, rompeu com o mundo e queimou seus navios, e que&amp;nbsp;sua amada o dispensa sem mais delongas, entornando a sorte deles pelo chão :&amp;nbsp;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Me diz com que cara eu vou sair[...] Me diz pra onde é que ainda eu posso ir´´. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço talvez essa articulação&amp;nbsp;entre o quadro de Charpentier - de 1801 - &amp;nbsp;e a canção de Chico - do início dos anos oitenta -&amp;nbsp; que por incrível que pareça,&amp;nbsp;podiam ser&amp;nbsp;contemporâneos, para continuar a me interrogar sobre a existência ou coexistência dos dois, o amor e a melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já há algumas semanas, tenho escrito aqui sobre o amor e suas contingências, seus destinos, um dos quais é a perda, o fim, o equivalente a uma morte. E de fato, todo amor nasce com sua morte anunciada, mas também, ele tem , paradoxalmente, uma existência eterna. Quando&amp;nbsp;os amantes, metaforicamente ´´morrem´´ um para o outro, na separação, há sempre um ´´anjo fiel e jubiloso´´ que vem entreabrir as portas e reascender as chamas mortas &lt;strong&gt;(Baudelaire- ´´A morte dos amantes´´&lt;/strong&gt;).&amp;nbsp; Em algum momento de nossas existências, investimos novamente nossa paixão em um novo objeto, como em uma espécie de reencontro. O desejo só morre com o homem. Aliás, acho que o ´´anjo´´ de Baudelaire é justamente o desejo humano, pois nenhum de nós sobrevive sem um outro em quem possamos investir nossos afetos, e sem o investimento desse outro em nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nada difícil a gente ter como definição do amor esse dado elementar: um investimento pesado de nossos afetos em um outro ser. E podemos, sim, perder o ser amado a qualquer momento, as contingências da vida se encarregam disso, junto com o tempo. E para que possamos amar de novo algum dia, precisamos fazer o ´´luto´´ de nosso objeto perdido, atravessar o túnel escuro da dor da perda para reencontrar, depois disso, a luz de nossas chamas que se reascendem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ficamos parados dentro desse túnel, estamos na melancolia, na impossibilidade de sobreviver à perda, de fazer luto dela. Pois se o amor se define pelo investimento de afeto em um outro ser, a melancolia se define pela impossibilidade de fazer luto da perda desse ser amado, deixando nosso desejo em ´´ponto morto´´, nossa vida em pleno colapso narcísico, nada mais nos convoca a ela. É mais ou menos como se, para não ficar sem nosso objeto perdido, o encarnássemos, nos perdendo assim&amp;nbsp;de nós mesmos, partindo com ele. É nesse sentido que Freud diz, da melancolia que ´´a sombra do objeto cai sobre o eu´´. Melancólicos, ficamos ´´assombrados´´ por nosso objeto perdido, afundados na tristeza da perda, fascinados por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando acreditamos estar superando a perda, nos tornamos onipotentes, saímos da crise de tristeza como em uma espécie de turbilhão de alegria, a vida parece estar completamente disponível. Amamos todo mundo, compramos tudo o que nos atrai, rodamos de festa em festa celebrando a vida, nada nos segura, tudo é possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a saída maníaca, a defesa&amp;nbsp;inconsciente que muitas vezes aparece como a única possível para não sucumbirmos ao colapso narcísico . Ficamos, então, ´´ligados na tomada´´ da vida, sem pausa, e sem nenhuma&amp;nbsp;responsabilidade com nossas atitudes sociais e amorosas. Prometemos tudo, convictos de que tudo podemos. Até cairmos novamente no abismo da dor, do isolamento, da impotência, pois a realidade cai como uma pedra em nossas cabeças. O luto, esse trabalho psíquico tão&amp;nbsp;duro e difícil,&amp;nbsp;está longe de ter sido feito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceria que isso não existe mais, que a melancolia é uma entidade clínica em desuso, e assim, mais uma vez, ela seria assunto de artistas e poetas, como foi no século dezenove. Porém, não somente a realidade de nossas clínicas desmente isso, como nossa vida cotidiana também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que nunca, suportar as perdas tonou-se uma impossibilidade, ao ponto de produzir uma cultura que poderíamos chamar de maníaca. Vivemos na era do ´´tudo ou nada´´, e podemos passar da impotência à onipotência quantas vezes quisermos por dia, temos até entidades nosológicas para nos justificar. Se somos ´´bipolares´´,&amp;nbsp; por exemplo, o outro que nos aguente, com nossa irresponsabilidade amorosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também podemos beber todas as cervejas e vinhos da noite, pois afinal, quem precisa de nossa lucidez?&amp;nbsp;O alcool é um anestésico da dor de existir, e se tem uma coisa insuportável, na melancolia, é a dor de existir. E&amp;nbsp;não é só isso: podemos ainda&amp;nbsp;ingerir comprimidos que regulam nosso estado de alma, assim ela não adoece, fica sempre em forma, ninguém mais precisa aguentar tristeza nenhuma, perda nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também, cada vez que vou a um shopping center, fico impressionada com o espetáculo maníaco que assisto, e com o desespero que vejo manfestar&amp;nbsp;os que tentam comprar e não conseguem. Casais se insultam, pais e filhos enfurecidos uns com os outros, etc. A frustração é quase invivível, chega a suplantar a estima pública, pouco importa se os outros estão ali. Ninguém vai ali pra sair de mãos vazias, é muita impotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma angústia instransponível parece dominar cenas como essas. Sempre acho que o cartão de crédito é uma espécie de ansiolítico complementar, e quando ele não funciona... haja fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas sempre dá pra acalmar a fúria com nossas perdas comendo algo de muito consolador, em quantidades ilimitadas. Pouco importa se ´´implodimos´´ nossa imagem do corpo, quase estourando o olhar do outro sobre nós. Ser desejável é o que menos importa, o que conta é o próprio desejo, transformado em necesssidade. Essa sim, não corre o risco de ficar insatisfeita, sempre arranjamos algo para saciá-la.&amp;nbsp;O desejo... bom, depende do desejo do outro, e ele sempre nos apronta uma perda, então melhor comer do que desejar. É uma das construções lógicas que, creio, está no centro da obesidade, uma de nossas epidemias culturais de hoje em dia. Tenho uma forte hipótese que ela não&amp;nbsp;faz mais do que mascarar uma imensa melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me parece ser nossa tragédia pós-moderna, é que a melancolia ganhou mil outros nomes, mil outras soluções, e mil outras camuflagens. E não há nada mais drástico do que um sofrimento que não é reconhecido, nem tratado como tal. As consequências só podem ser catastróficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nisso tudo está incluída nossa apatia com o outro, que de objeto de nossa paixão passou a ser um objeto consumível de nossa necessidade. Para evitar o amor, esse investimento narcísico tão arriscado, renunciamos à nossa sexualidade, preferindo exercer a genitalidade. O outro é nosso instrumento de prazer, do qual nos desfazemos sem mais delongas, uma vez satisfeitos. Assim não precisamos ficar atravessando túneis escuros de lutos difíceis, em caso de perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teoricamente, ninguém mais precisa de ninguém, como se não existisse mais o desamparo e a solidão que fazem a essência de nossa condição humana. Fico me perguntando como é que hoje em dia as crianças são educadas para amar e ter responsabilidade com o outro, se elas são educadas já para nunca tolerarem a perda, cada vez com menos contato com&amp;nbsp;as frustrações, as&amp;nbsp;privações e os lutos.&amp;nbsp;Bom, mas isso é uma história ainda mais complexa... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, guardemos de reserva o exorbitante interesse&amp;nbsp;das pessoas em geral, em cuidar de bichos. A indústria do animal doméstico não tem nada de inocente ou preocupada com as formas de vida no planeta. Ela sabe que um animalzinho faz mais sucesso amoroso do que um ente humano, com seu complicado desejo, que o leva a direções imprevistas, nos fazendo perdê-lo. Um cachorro ou um gato ficam ali, cativos de nós. O outro, nosso semelhante, é bom para consumo imediato, com curto prazo de validade. Vai o homem, fica o bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preocupante, essa&amp;nbsp; refratária reação ao amor, pois é ´´largar a toalha´´ do desejo, e essa desistência é absolutamente melancólica. ´´Consumir´´ o outro, é jamais sair de nossa defesa maníaca. E se estamos assim tão maníacos, tão onipotentes e tão bem sozinhos, podemos dar a mesma medida à melancolia que nos abate. Quanto maior o narcisismo, maior a queda dele, maior a defesa da dor dessa queda. Construímos verdadeiras muralhas, entre nós e os outros, e ai daquele que tentar transpô-las, pois corre o risco de ser destruído, fulminado por&amp;nbsp;nossa avassaladora indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, só me resta construir essa hipótese: a de&amp;nbsp;que a melancolia, hoje, não&amp;nbsp;se apresenta mais com a brancura dessa figura feminina de Charpentier, olhando com dor para seus próprios pés, e quem sabe pensando no quanto a caminhada vai ser dura, depois de uma perda amorosa.&amp;nbsp;E ainda, desnorteada com tanta tristeza,&amp;nbsp;como o poeta que Chico coloca a perguntar ´´pra onde é que ainda posso ir?´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melancolia de hoje é menos que branca, é invisivel, escondida sob mil máscaras de nossos sintomas contemporâneos e suas&amp;nbsp;respectivas terapêuticas. E ela é muda, sem mais nenhuma pergunta a fazer, tudo já está respondido. Os poetas falam para as paredes, quando se trata de perda amorosa. Não há pieguice maior do que essa. Na melhor das hipóteses, consumimos sua poesia para brincar de ser sentimental, depois a gente se livra dela também. Tudo vira rapidamente&amp;nbsp;coisa ultrapassada. Aliás, dizem até que gostar de poesia é coisa de ´´deprimido´´, adjetivo que já virou chingação, na cultura do ´´é proibido ficar triste´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa alentadora nisso tudo, é que sim, se a melancolia está aí, invisível sob nossos sintomas, é porque o amor também aí está, com toda a força.&amp;nbsp;Se ele não estivesse mais no programa, não precisaríamos nos defender tanto dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos espernear, mas não há cahorro, cavalo,&amp;nbsp;gato, shopping center,&amp;nbsp;comida, bebida, autonomia e onipotência ilusórias que nos livrem de nos apaixonar por&amp;nbsp;um outro que algum dia perderemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém escapa à sua humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista e escritora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-696836354638628697?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/696836354638628697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/amor-e-melancolia-ainda-existem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/696836354638628697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/696836354638628697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/amor-e-melancolia-ainda-existem.html' title='Amor e melancolia ainda existem?'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TBw-JRpw5YI/AAAAAAAAANc/7iJxG89upEc/s72-c/han03_charpentier+la+M%C3%A9lancolie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5799812856087813817</id><published>2010-06-02T23:13:00.005-03:00</published><updated>2010-06-04T14:57:06.047-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memória'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desejo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infidelidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='narrativa'/><title type='text'>Um amor secreto de todas as mulheres: O Cavalheiro do Prazer</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TAXj5TMy53I/AAAAAAAAAMk/ZBWA29dgKSk/s1600/O_cavalheiro_do_prazer_(baixa).jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TAXj5TMy53I/AAAAAAAAAMk/ZBWA29dgKSk/s400/O_cavalheiro_do_prazer_(baixa).jpg" width="281" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Não sei se cheguei a falar disso, mas os personagens do romance, a Yasmina, o Mathieu, o Adriano e a Annie, voltam em vários contos do meu&amp;nbsp;próximo livro, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;´´A Invenção do Sentimento´´&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;. Em alguns deles,&amp;nbsp;pareceria que os contos vêm antes do romance. Mas não, o romance veio antes, só que&amp;nbsp;a história de cada conto em que eles aparecem, muitas vezes é anterior ao romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;É somente no conto do &lt;strong&gt;´´Cavalheiro do Prazer´´ &lt;/strong&gt;que a gente acaba sabendo um pouco sobre o que aconteceu com a Yasmina depois do &lt;em&gt;´&lt;strong&gt;´Estranhos, Noturnos...e amantes´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Como em um&amp;nbsp; vai-e-vem espiralado da memória, sob vários aspectos &amp;nbsp;me dei conta, depois que terminei de escrever os contos, que eles eram&amp;nbsp; uma espécie de pré-história do romance.Mas uma pré-história que vem depois da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixa de ser engraçado, um livro que vem depois, contando&amp;nbsp;coisas dos personagens, que são&amp;nbsp;anteriores ao livro em que eles apareceram pela primeira vez. Assim,&amp;nbsp;colocando o passado no presente, o&amp;nbsp; presente no passado, e de certo modo, neste conto do qual falei antes, colocando o futuro no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é sempre algo de vertiginoso. Narrar ( e não só na literatura), é sempre atualizar o acontecimento e, em um mesmo movimento, desalojá-lo, pela lembrança,&amp;nbsp;do&amp;nbsp;lugar onde ele estava confinado, no esquecimento ou no&amp;nbsp;sentimento dele.&amp;nbsp;Nem que seja para poder esquecê-lo novamente, desta vez com outra leitura, já que a partir da narrativa, ele&amp;nbsp;é o mesmo e é outro acontecimento. Bom, mas a gente se deixar tomar em&amp;nbsp;algum&amp;nbsp;deslocamento temporal&amp;nbsp;desses, não é coisa simples. Afinal, isso&amp;nbsp;pode&amp;nbsp;mudar completamente o sentimento que temos&amp;nbsp; do acontecimento narrado.&amp;nbsp;Depende do que desejamos fazer com o que nos lembramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No conto do &lt;strong&gt;Cavalheiro do Prazer -&lt;/strong&gt; aliás, nos outros também&amp;nbsp;-, a&amp;nbsp;Yasmina, como eu disse, é personagem, mas não é ela mesma quem narra, como no romance.&amp;nbsp;E a&amp;nbsp;narradora&amp;nbsp;parece&amp;nbsp;ter estado&amp;nbsp;muito próxima dela, até mesmo fisicamente, para ter tanta precisão em detalhes de cada cena da qual se lembra.&amp;nbsp;Quase como uma amiga indiscreta, que faz uma inconfidência, ela nos conta coisas muito íntimas da personagem. Por exemplo,&amp;nbsp;como &amp;nbsp;é que&amp;nbsp;a Yasmina&amp;nbsp;se apaixonou pelo relêvo em mármore deste cavalheiro medieval que ela encontrou em uma viagem de férias que fez com uma amiga,&amp;nbsp;quando vivia na França com Adriano, bem antes de encontrar o Mathieu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TAbzEoAaCXI/AAAAAAAAAMs/OwZrqwWX92I/s1600/suscinio006.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" height="264" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TAbzEoAaCXI/AAAAAAAAAMs/OwZrqwWX92I/s400/suscinio006.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Vocês não imaginam o quanto este Cavalheiro Medieval&amp;nbsp;fez barulho no casamento da Yasmina, até ela e Adriano se separarem. E também quando ela encontra o Mathieu, o Cavalheiro acaba entrando em cena e deixando&amp;nbsp; Mathieu un tanto incomodado.&amp;nbsp;Ela não falou nada sobre ele no romance,&amp;nbsp; vai ver esqueceu mesmo.&amp;nbsp;Agora azar dela, pois a&amp;nbsp;a narradora&amp;nbsp;lembrou de tudo e&amp;nbsp;nos revelou seu segredo: A Yasmina, desde aquela viagem com a amiga,&amp;nbsp;sempre teve esse amor secreto, que fez dela uma amante infiel em todas as suas relações amorosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também pudera, olhem só onde é que ela e sua amiga foram parar naquelas férias de verão: neste maravilhoso &lt;strong&gt;Castelo Medieval do século XII, &lt;/strong&gt;&amp;nbsp;o &lt;strong&gt;Château de&amp;nbsp;Suscinio&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;lá em Sarzeau, no Golfo do Morbihan.&amp;nbsp;É um castelo tão mítico que aparece até nas lendas do Rei Arthur.&amp;nbsp; Grandes&amp;nbsp;poetas do século dezenove, como Baudelaire e&amp;nbsp;Nerval,&amp;nbsp;foram para lá buscar inspiração, e&amp;nbsp;Victor Hugo chegou mesmo a pintá-lo. Então a gente já sabe que não foi só a Yasmina que chegou lá e se apaixonou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que eu queira justificar alguma infidelidade da Yasmina, mas que mulher resistiria, chegando em um castelo desses e encontrando um Cavalheiro que, além de ser lindo, com sua armadura e sua espada, montado em seu cavalo branco, ainda tenha escrito, em seu&amp;nbsp;brazão: &amp;nbsp;&lt;strong&gt;´´Pour ce qui me plest´´ &lt;/strong&gt;?&amp;nbsp; No francês moderno, isso quer dizer ´´Pour ce qui me plaît´´, ou seja, ´´&lt;strong&gt;Pelo que me dá prazer´´. ´&lt;/strong&gt;É demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E imaginem que ainda por cima, essa mulher descubra que o tal cavalheiro foi um grande guerreiro, e que dedicava todas as suas vitórias à sua amada, que ele levava com ele em suas batalhas.&amp;nbsp; Sabem por quê? Porque ele não podia ficar muitas horas sem fazer amor com ela. Se ele não tivesse com ela vários encontros eróticos durante as batalhas, não tinha energia para lutar. Não é lindo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá inveja de uma amada dessas? São mesmo ´´dois companheiros de batalha´´, e isso é tudo o que os amantes, no fundo, buscam um no outro. Pois é, mas não esqueçamos que essa parceria de batalha passa por uma grande paixão erótica, por um grande compromisso de desejo com o Prazer. Pelo jeito, esse cavalheiro e sua amada sabiam tudo do corpo um do outro. Vai ver por isso ele sabia conquistar cada cantinho de território com suas estratégias para derrotar o inimigo. E provavelmente o inimigo nada sabia do Prazer, do Desejo, ou do corpo da mulher amada. Por isso nosso Cavalheiro sempre ganhava todas: porque lutava pelo que lhe dava prazer, o corpo desejoso&amp;nbsp;de sua amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, motivos pra se apaixonar é que não faltavam à Yasmina. Só que isso não quer dizer que ela não tenha amado muito o Adriano ou o Mathieu. Ao contrário, ela era puro amor e desejo pelos dois. Creio que ela achava mesmo que eles eram, cada um a seu tempo,&amp;nbsp; o seu ´´Cavalheiro do Prazer´´. Só não sei se eles sabiam disso. Provavelmente não, por isso deu tanta confusão o encontro dela com o Cavalheiro lá no Castelo, naquele verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, acredito que é isso o que acontece com todas as mulheres. Enquanto estão com seus homens&amp;nbsp;amados, procuram encontrar neles esse Cavalheiro, e eles muitas vezes se comportam como o inimigo ignorante. E mesmo se a ignorância deles nada tem de maldosa, acaba provocando batalhas sangrentas onde o sonhado Cavalheiro sempre leva a melhor. Nesse sentido, todas as mulheres são infiéis, já que enquanto estão com seus homens, sonham com um outro. É o amor secreto de cada uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois acreditem se quiser, mas a Yasmina encontra, sim o Cavalheiro, e ela nem sabia que era ele. É nisso que o conto vira um ´´conto de fadas às avessas´´,&amp;nbsp;e também uma&amp;nbsp;espécie de conto medieval onde o homem do desejo erótico de uma mulher&amp;nbsp;acaba se transformando em algum outro ser (pássaro, nuvem, etc..).&amp;nbsp;Porém, nessa história da Yasmina, é ao contrário, por isso ´´às avessas´´. O relêvo em mármore do século XII&amp;nbsp;se torna um humano vivendo em nossos dias. E pra completar, é bem do ladinho dela, que ela o descobre, uma noite.... em sua cama! Viram só, como o tempo tem suas vertigens? Desde a Idade Média, pelo menos, as mulheres buscam a mesma coisa nos homens, e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E&amp;nbsp;vou contar mais uma coisa pra vocês: na verdade,&amp;nbsp;a Yasmina&amp;nbsp;descobre que o homem em sua cama e o Cavalheiro do relêvo são os mesmos, justamente porque ele sabe demais do corpo dela, do seu desejo de mulher, do que lhe dá Prazer. É então que ela admite sua infidelidade a todos os homens que amou na vida, pois sempre esteve em busca daquele Cavalheiro em cada um deles. Parece que ele nada ignorava disso. Tomara que se confirme, essa minha hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, acho que já é hora de eu parar de ficar contando coisas deste conto pra vocês, antes que a narradora fique furiosa comigo. Sabem como é, uma autora sempre sabe os segredos de uma narradora, e nem sempre ela suporta ficar quietinha. Só que, como vocês já sabem, a narradora deste conto também não é das mais discretas. Mas na verdade, eu prefiro mesmo que&amp;nbsp;vocês descubram essa história de infidelidade feminina lendo o conto. E garanto que todas vocês vão concordar comigo: não há mulher que não seja infiel, que não sonhe com seu Cavalheiro do Prazer, seu amor secreto. Afinal, o corpo de cada mulher&amp;nbsp;é seu Castelo, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já que é o mês dos amorosos,&amp;nbsp;e que&amp;nbsp;o 12 de junho está próximo, aproveito pra dizer mais uma coisinha da qual me lembrei: Essa história do Cavalheiro do Prazer é tão verdadeira que eu tenho a impressão que o Serge Gainsbourg, aquele músico-poeta francês dos anos sessenta e setenta, quando&amp;nbsp;compôs o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Je t´aime, moi non plus´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;´, que gravou com Jane Birkin, estava pensando nela. É bem uma história de falsa fidelidade amorosa, ( ainda que assumida, no &lt;em&gt;´´moi non plus´´- também não te amo-&lt;/em&gt;, que nem sempre é escutado),de muito desejo erótico, e de uma grande coragem poética&amp;nbsp;para dizer que &lt;em&gt;´´... não tem saída, o amor é físico´´ ( ´´...l´amour est physique... et sans issue...´´). &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viram só, como as coisas se atualizam mesmo? O que o Gainsbourg dizia em seu poema musical (que aliás virou até filme), era o mesmo que o Cavalheiro do Prazer escrevia em seu brazão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gainsbourg já sabia que um homem tem que batalhar muito pelo desejo de sua amante, para ter seu relevo em mármore afixado no Castelo-corpo dela, feito um monumento.&amp;nbsp;Precisa ser um verdadeiro Cavalheiro do Prazer para saber que não tem saída,&amp;nbsp;o amor é físico.Um homem e uma mulher, para se tornarem companheiros de batalha pela vida, para que consigam&amp;nbsp;derrotar juntos o inimigo ignorante, precisam de muito pacto, de muita estratégia de acesso ao&amp;nbsp;Prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;O que ajuda muito é que os poetas e os amantes sempre se lembram uns dos outros. Questão de invenção, e de sentimento. Ainda bem que é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5799812856087813817?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5799812856087813817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/o-amor-secreto-de-todas-as-mulheres-o.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5799812856087813817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5799812856087813817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/06/o-amor-secreto-de-todas-as-mulheres-o.html' title='Um amor secreto de todas as mulheres: O Cavalheiro do Prazer'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TAXj5TMy53I/AAAAAAAAAMk/ZBWA29dgKSk/s72-c/O_cavalheiro_do_prazer_(baixa).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-4171949040924818348</id><published>2010-05-29T04:00:00.002-03:00</published><updated>2010-06-04T15:01:33.537-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida cotidiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='intolerância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='assédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='narcisismo'/><title type='text'>Pausa. Eros e Psiquê, ou o narcisismo nosso de cada dia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TACLkjDngUI/AAAAAAAAAMc/HJP5r1DbrPg/s1600/antonio-canova-cupid-and-psyche-1796.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TACLkjDngUI/AAAAAAAAAMc/HJP5r1DbrPg/s400/antonio-canova-cupid-and-psyche-1796.jpg" width="267" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Acho belíssima, estonteante mesmo, essa escultura de Antônio Cânova, artista italiano da segunda metade do século dezoito que morreu no início do século dezenove. Ele conseguiu, bem antes de Rodin ou Camille Claudel, fazer com que a gente quase respire junto com este homem e esta mulher que se olham quando vão&amp;nbsp;se beijar. Eles realmente já se beijam com os olhos, antes de suas bocas se encontrarem.&amp;nbsp;É de uma humanidade impressionante, essa representação que&amp;nbsp;Cânova faz dessas duas figuras mitológicas: Eros e Psiquê (Amor e Alma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou contar aqui a história desses dois mitos, não precisa. Mas vale a pena vocês investigarem. Só adianto, a título de anedota,&amp;nbsp;que Eros, como muitos sabem, era filho de Afrodite, a deusa da beleza, e que Psiquê era a mais bela das três filhas&amp;nbsp;de um rei. Inicialmente, uma humana. E ela paga caro por ser tão bela. É exilada, vai para o alto de uma montanha cumprir um destino que seria trágico, não fosse a ´´metamorfose´´ que ele acaba sofrendo com o encontro dela e de Eros, que muda tudo na vida dessa mortal mulher, e que a imortaliza, no fim das contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é nenhum conto de fadas, a história desses dois. Psiquê enfrenta nada menos do que a raiva de Afrodite, que a amaldiçoa, por sua beleza ofensiva,&amp;nbsp; a ser amada por um monstruoso&amp;nbsp; homem. Dá pra imaginar o que Psiquê&amp;nbsp;amargou quando Afrodite virou sua sogra. Além disso, quando ela está bem com seu invisível amado, ela sente saudade de suas duas irmãs, pede a Eros que as faça vir visitá-las. Ele a adverte da inveja feminina, mas acaba concedendo isso à sua amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de fato, as duas irmãs não suportam ver Psiquê&amp;nbsp;tão feliz naquele belo castelo&amp;nbsp;e tão bem amada&amp;nbsp;por um homem cujo rosto ela jamais viu. Acabam convencendo a pobrezinha a armar uma emboscada para matá-lo, pois com certeza, é o monstro de sua maldição. É quando ela vai matá-lo, convencida pela inveja de suas irmâs,&amp;nbsp;que ela descobre se tratar de nada menos do que Eros, seu homem amado, que parte enlouquecido, depois de perceber que sua amada queria matá-lo.&amp;nbsp; Enfim, Psiquê enfrenta muitas agruras com as irmãs e com a sogra, até reencontrar seu amado Amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, os detalhes&amp;nbsp;da história, deixo pra vocês descobrirem, se já não conhecerem. Só não esqueçam que esse beijo de Eros em Pisquê, é o que&amp;nbsp;a traz de volta à vida, quando ela está morrendo. E também vale a pena a gente não esquecer que, segundo a mitologia, é do desejo de Psiquê e de Eros que nasce o Prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na verdade, eu tomei essa imagem da bela escultura do&amp;nbsp;Cânova&amp;nbsp;e essa história mitológica para falar de coisas muito atuais, e mesmo banais, de nossa vida cotidiana, que é sempre tão psicopatólogica.&amp;nbsp;Pois afinal, a mitologia sempre foi a radiografia da nossa humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, alguém veio me perguntar se eu não ficava incomodada com os latidos do cãozinho dos meus vizinhos do andar de cima, e com o fato da família que vive naquele apartamento&amp;nbsp;falar tão alto para conversar. Eu apenas consegui dizer á minha interlocutora que os ruídos da vida jamais me incomodam.&amp;nbsp;E pensei, quando desliguei o telefone, que Freud tinha razão em nos advertir que ´´todo ruído&amp;nbsp;da vida emana de Eros´´.&amp;nbsp;O&amp;nbsp; silêncio, é a morte sem o socorro de Eros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade. Desde que vim morar neste apartamento térreo, que é quase uma casa, pois tem três deliciosos pátios onde o sol sempre chega, tenho muito prazer em ouvir, mesmo sem decifrá-los, os ruídos de meus vizinhos. Adoro despertar na madrugada com o ronco de algum vizinho e&amp;nbsp;voltar a dormir me sentindo ´´acompanhada´´ por aquele ruído, &amp;nbsp;ou despertar&amp;nbsp;com a conversação matinal e o cheiro do café deles: me sinto Psiquê beijada por Eros. Já cheguei até a ficar preocupada, em algum momento, quando nenhum ruído chegava até minha&amp;nbsp; casa, me concentrava menos para ler meus livros ou escrever meus textos.&amp;nbsp;Mal conheço meus vizinhos, mas simpatizo com eles, pois&amp;nbsp;somos muito diferentes, e muito parecidos. Por isso me preocupa quando eles ficam muito silenciosos, fico me perguntando se alguém naquela casa estaria doente. Afinal,no edifício onde moro,&amp;nbsp; eles são meus outros.&amp;nbsp;E pra falar a verdade, quando eles estão quietos demais, que&amp;nbsp;eu estou ouvindo alguma ópera (principalmente as de Mozart)&amp;nbsp;e o tal cãozinho se põe a latir por alguns minutos, estupefato com tantas vozes humanas que ele não sabe de onde vêm, fico aliviada, alegre. Penso: Ah! está tudo bem, a vida continua a fazer barulho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também é verdade que fiquei mais estupefata do&amp;nbsp;que esse cãozinho, quando soube que uma amiga estava sendo processada por&amp;nbsp;seu vizinho pelo ruído de seu junquer, seu forno de micro-ondas e seu secador de cabelos. O tal vizinho queria nada menos&amp;nbsp;do que&amp;nbsp;estabelecer, ele, o horário em que ela tomaria banho, esquentaria seus alimentos ou secaria seus cabelos. Graças a Zeus, o processo deu em nada, e o tal vizinho se mudou. Creio que provavelmente para alguma ilha deserta, o melhor lugar para quem não suporta os ruídos da vida. Mas pensando bem, mesmo em uma ilha dessas, há sempre o ruído das águas, dos pássaros e de outros animais. A vida não deixa por menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, fico estupetada em pensar que o poder judiciário, abarrotado de coisas gravíssimas para resolver, em um país tão grande e tão cheio de problemas legais delicados,&amp;nbsp;tenha que se ocupar de assuntos como esses. Sem contar o quanto nós, cidadãos, pagamos por cada hora de trabalho de um Juiz ou de um Promotor de Justiça.E pagamos sim, e muito caro, no imposto incluído no&amp;nbsp;preço&amp;nbsp;de cada quilo de pão, litro de leite,&amp;nbsp; gás de cozinha&amp;nbsp;ou passagem de ônibus,&amp;nbsp;todos os dias, embora quase ninguém se dê conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também fiquei perplexa quando uma colega, que vive em uma linda cobertura no bairro Bela Vista desabafou comigo que só podia brincar com sua filhinha de três anos no terraço, pois seu vizinho a proibiu de qualquer ruído, em qualquer hora do dia ou da noite,&amp;nbsp;no espaço físico normal de seu apartamento, pois o perturbava.&amp;nbsp;As duas estavam reclusas. Mais um caso para o Direito resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha clínica de psicanalista, e meus colegas também falam bastante disso, cada vez me deparo mais com pessoas completamente abaladas pelo ´´´assédio moral´´, nome contemporâneo&amp;nbsp;dado, pelo Direito,&amp;nbsp;à&amp;nbsp;figura da perseguição paranóica. Os danos psíquicos do tal assédio não são poucos, independentemente da idade da vítima. Criança, adolescente ou adulto, a vítima do assédio moral tem que espernear muito, do ponto de vista psíquico, para não virar um paranóico ´´de carteirinha´´ ou um irremediável&amp;nbsp;deprimido, com a vida em suspenso,&amp;nbsp;aguardando uma reparação do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem vou me ater aqui ás relações de trabalho, milhões de vezes mais difíceis do que as de vizinhança em nossa moderna vida coletiva. Mas não posso deixar de falar ainda das relações das crianças, nas escolas. Hoje à tardinha, conversando com uma colega que também atende muitas crianças,&amp;nbsp;falávamos disso. Parece que nossas instituições de ensino estão querendo ter muito cuidado para que nenhuma criança vire ´´bode expiatório´´ de seu grupo de iguais. Essa figura da cultura americana, a da eleição de uma criança para objeto de humilhação e escárnio público das outras crianças do grupo, infelizmente&amp;nbsp;já chegou até nós. Como se diz, &amp;nbsp;´´a moda já pegou´´. Então, é bom que a instituição se preocupe em cuidar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que qualquer gesto de agressividade de uma criança com a outra pode configurar essa perversão. E nem sempre a agressividade infantil e a perversão são a mesma coisa. Ao contrário, a&amp;nbsp; agressividade é constitutiva do psiquismo, e por isso positiva para o desenvolvimento&amp;nbsp;de uma criança. A perversão é outra coisa: é a violência verbal ou física exercida sobre um outro que é repudiado, recusado pelo violento, que não suporta diferenças. Resta a questão de saber em que medida os adultos conseguem avaliar cada situação dessas sem serem persecutórios, sem fazerem de nossas crianças paranóicos mirins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente, do ponto de vista do amor erótico, cada vez as pessoas se queixam mais da impossibildiade de ficarem juntas, do ódio que elas acabam sentindo pelo objeto de sua&amp;nbsp;paixão amorosa. Ambivalência antiga, mas que em nossos dias adquire contornos violentos. O outro que as apaixona é tomado como um objeto persecutório a ser destruído. Do mesmo modo como a Esfinge diz a Édipo ´´decifra-me ou te devoro´´, os amantes se dilaceram em duelos traiçoeiros, sem regras, sem lei alguma que os proteja da recíproca trapaça. Enquanto outros, eles&amp;nbsp;são estranhos, e jamais se decifrarão, sempre prevalecerá o mistério do desejo de cada um. O que poderia mantê-los juntos é essa impossibilidade mesma de serem idênticos, esse mistério da diferença, que os apaixonou. Mas cada vez menos os amantes suportam esse mistério. Se o&amp;nbsp;ser amado&amp;nbsp;não garantir que é exatamente o reflexo do amante, só resta devorá-lo, destruí-lo. Não dá pra amar um outro tão perigosamente diferente.&amp;nbsp; E os filhos, nossa, que dificuldade, se enxergar nessas crianças!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso, sinceramente, essa história de maldição de sogra, inveja de irmãs, marido que vai embora para não se deixar matar, mulher que se arrepende e vai em busca de seu homem amado, pagando o prêço por sua burrice feminina e etc., como aparece no mito de Eros e Psiquê, vira água com açúcar, vocês não acham? Triste isso, pois eles são o pai e a mãe de ninguém menos do que o Prazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas alguém já disse que a coisa mais dífícil do mundo, é fazer um paranóico se divertir, ele odeia o prazer. Escravo da própria imagem, do ideal de si mesmo, em torno do qual ele está persuadido que o mundo gira, esse infeliz Narciso se contenta em gozar de sua própria morte. No alto da sua montanha, ele&amp;nbsp;só quer saber de silêncio, as palavras do outro fazem mal a seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Zeus, quanta falta faz hoje em dia um bom beijo de Eros nessas milhares de Almas (Psiquês) isoladas&amp;nbsp;em&amp;nbsp;suas silenciosas e mortíferas&amp;nbsp;montanhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-4171949040924818348?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/4171949040924818348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-eros-e-psique-ou-o-narcisismo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4171949040924818348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4171949040924818348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-eros-e-psique-ou-o-narcisismo.html' title='Pausa. Eros e Psiquê, ou o narcisismo nosso de cada dia'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/TACLkjDngUI/AAAAAAAAAMc/HJP5r1DbrPg/s72-c/antonio-canova-cupid-and-psyche-1796.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-3149379190488091323</id><published>2010-05-24T01:49:00.005-03:00</published><updated>2010-06-04T15:04:59.967-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='exílio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='laço social'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pânico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='narcisismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desamparo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paranóia'/><title type='text'>Pausa. Incidências clínicas de um impasse narcísico: o outro ou o si-mesmo mortífero?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S_dfJi1QihI/AAAAAAAAAMM/3HGNpBqJxRc/s1600/narciso.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S_dfJi1QihI/AAAAAAAAAMM/3HGNpBqJxRc/s320/narciso.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S_dfjOiHu8I/AAAAAAAAAMU/2cqN4mDmzs4/s1600/untitled+narciso+de+poussin.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S_dfjOiHu8I/AAAAAAAAAMU/2cqN4mDmzs4/s320/untitled+narciso+de+poussin.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Adoro a pintura,&amp;nbsp;mas estou longe de ser alguém que poderia comentá-la ou criticá-la, independentemente do século do qual se trate. É apenas do lugar de fruidora, de alguém que gosta de um pintor ou de outro, de um quadro ou de outro, que posso falar. E essas duas representações do mito de Narciso me arrebatam. A primeira,&amp;nbsp;à esquerda, é&amp;nbsp;o ´´Narciso´´ do Caravaggio, esse polêmico pintor italiano&amp;nbsp;do século XVI, a segunda, à direita, é o ´´Narcisse et Écho´´&amp;nbsp;de Nicolas Poussin, pintor francês do século XVII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Narciso de Caravaggio, me&amp;nbsp;chama a atenção&amp;nbsp;a expressão apaixonada do olhar, os braços formando um círculo (fechado) no reflexo da água, e principalmente, seu joelho com a aparência de um gigantesco&amp;nbsp;pênis, ou, se preferirmos, de um imenso&amp;nbsp;falo. Parece ser neste joelho fálico&amp;nbsp;onde se encontra a ´´piscadela de olho´´ do pintor com quem olha para sua tela, como quem diz: ´´Olha que bela foto eu fiz de você´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o ´´Narcisse et Écho´´ de Poussin me impressiona, além do acento colocado sobre a morte,&amp;nbsp;pelas&amp;nbsp;&amp;nbsp;presenças da ninfa Écho e de Éros, ali colocado como&amp;nbsp;uma&amp;nbsp;criança incendiária,&amp;nbsp; segurando sua tocha de fogo. Notemos que Éros está mais para o lado de Eco do que para o de Narciso, e sua tocha vai mais na direção dela, enquanto seu olhar vai na direção dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pobre Ninfa Eco&amp;nbsp; está sob a maldição de Era, que a puniu por sua tagarelice (ela contou a Era uma infidelidade de Zeus )&amp;nbsp;com a destituição da palavra, condenando-a a repetir eternamente as silabas finais das palavras dos outros. Ainda por cima, ela&amp;nbsp;tem que amargar essa peripécia de Éros, que a deixa tomada de amor por Narciso, que a recusa, negando-lhe mesmo seu olhar. No livro das &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Metamorfoses´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&amp;nbsp; de Ovídio, é comovente a cena da declaração de Eco: ela cruza com Narciso, quando ele está indo em direção á fonte para saciar sua sêde. O encontro é catastrófico, pois ela lhe declara seu amor, que ele constata em seu olhar e coloca em palavras, que ela repete. Ele a repudia com todas as suas forças, chegando a dizer que prefere a morte a ter que se aproximar dela.&amp;nbsp;Ela então se conforma em segui-lo à distância,&amp;nbsp;feito uma sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do drama do encontro equivocado com a imagem que o apaixona, Narciso ratifica o que já havia dito à Eco: ele prefere morrer do que separar-se daquela imagem que ele acaba por descobrir que é a sua própria. Ele chega a dizer a seu próprio reflexo que se não podem ser dois, então&amp;nbsp;ele e sua imagem morrerão naquela unidade ( o círculo fechado).&amp;nbsp; E com efeito, Narciso fica ali estendido&amp;nbsp;até que&amp;nbsp; a flor com seu nome nasça no lugar de sua morte. &amp;nbsp;Eco vai para os rochedos e vai perdendo seu corpo, restando dela apenas gemidos que ecoam no absoluto vazio. Esse desfecho de Ovídio é apenas anunciado no quadro de Poussin, mas é verdade que&amp;nbsp;a cena que vemos é&amp;nbsp;uma espécie de ´´momento-limite´´ , no qual o desenlace trágico já está colocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadro&amp;nbsp;de Caravaggio também mostra Narciso em um dos ´´momentos-limite´´ da narrativa:. Ele olhou, e se apaixonou, em um primeiro tempo daquele encontro. No segundo tempo, que é este representado por Caravaggio,&amp;nbsp;ele está arrebatado pela imagem que vê, e declarando seu amor a ela. Ele não faz, neste momento, nenhuma idéia de que se trate dele mesmo. Ele acredita ser um outro, aquele&amp;nbsp;que seu olhar captou, e que o apaixonou. É&amp;nbsp;a um ´´Tu´´ que ele dirige seu discurso amoroso, e cujo abraço ele&amp;nbsp;aguarda com sofreguidão, com seus braços abertos para acolhê-lo. É do silêncio desse suposto outro e da impossibilidade de tocá-lo que ele descobre, desesperado, no terceiro tempo da narrativa deste encontro: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Mas este sou eu!!´´&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caravaggio nada nos diz dessa terrível descoberta de Narciso, mas ela já parece anunciada pelo círculo fechado dos braços. Essa esfera formada pelo corpo e por sua&amp;nbsp;imagem refletida&amp;nbsp; parece dar conta do fechamento de Narciso a qualquer desejo que não&amp;nbsp;seja o dele mesmo, espécie de ´´apoteose´´ de sua trajetória de rapaz de beleza única, quase ofensiva aos Deuses, e que o fazia sentir-se muito além de qualquer outro que encontrasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narciso era já, antes de chegar na fonte, um jovem isolado em seu sentimento de ´´exceção´´, em&amp;nbsp; constante evitamento dos amores que despertava em muitos outros e outras. Entretanto,&amp;nbsp;a sêde a ser saciada, que o faz buscar a fonte, poderia ser tomada, sob este viés de leitura,&amp;nbsp;como uma metáfora de sua busca de uma imagem outra, da qual ele necessita para viver. No encontro com a imagem do suposto outro, ele é tomado - segundo Poussin -&amp;nbsp;pelo fogo de Éros, que também é vida&amp;nbsp;. Mas Narciso não suporta se separar da imagem que se revela ser a sua. Ele não pode olhar para trás e&amp;nbsp;investir seu olhar naquele outro diferente&amp;nbsp;que o deseja. Ele prefere a morte unificadora do que dividir seu desejo entre si-mesmo e um outro que não faça círculo fechado com sua própria imagem, um outro que romperia, com a diferença de seu desejo,&amp;nbsp;aquela esférica&amp;nbsp;unidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éros aparece como uma espécie de terceiro entre Narciso e Éco,&amp;nbsp;tentando propagar o fogo que poderia mantê-los vivos. Se olharmos bem, a figura de Éros é a de um deus aturdido. &amp;nbsp;Ele e sua tocha ficam completamente sem função, imagem patética de um lugar&amp;nbsp;proscrito&amp;nbsp;na cena.&amp;nbsp;Narciso e Éco estavam condenados a si-mesmos, cada um com seu exílio, cada um&amp;nbsp;com&amp;nbsp;sua morte. A presença da vida (este outro nome de Éros),&amp;nbsp;que poderia ter colocado dois diferentes em relação de desejo um com o outro, revela-se ali completamente caduca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A In-diferença com o outro, no drama de Narciso, deu ganho de causa ao destino trágico do exílio mortífero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessa-me ainda uma vez colocar em relevo aqui essa&amp;nbsp;posição de exceção,&amp;nbsp; que é a de Narciso. Na tela de Caravaggio, ela parece estar marcada&amp;nbsp;pela dimensão fálica quase monstruosa do impressionante joelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que medida&amp;nbsp; poderíamos tomá-la, essa posição de exceção,&amp;nbsp;como uma metáfora dos impasses&lt;br /&gt;contemporâneos que vivemos quando encontramos uns com os outros? O que é hoje, a vida partilhada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei essas duas leituras do mito de Narciso, a de Caravaggio e a de Nicolas Poussin&amp;nbsp;como ponto de partida para uma reflexão sobre o que é hoje a experiência humana que como tal, se define pelo ´´viver juntos´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que nosso psiquismo, nossa vida anímica e erótica se constitui a partir de nosso narcisismo, essas duas leituras se revelaram bastante fecundas para pensar &amp;nbsp;a&amp;nbsp; recorrência&amp;nbsp;de fenômenos clínicos atuais que frequentemente parecem ter origem em uma certa impossibilidade de suportar o outro em sua diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato,&amp;nbsp;há pelo menos uns dez anos, quando eu vivia em Paris e que dicutíamos entre colegas psicanalistas&amp;nbsp;as incidências clínicas dos impasses que a alteridade em sofrimento&amp;nbsp;produzia, eu já&amp;nbsp;estava às voltas com a&amp;nbsp;interrogação sobre os riscos desses impasses&amp;nbsp;para nossa cultura e seus efeitos&amp;nbsp;no sofrimento psíquico do homem contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias instituições clínicas e de pesquisa no campo da sociologia, da história e da antropologia chegaram&amp;nbsp;&amp;nbsp;a organizar um grande congresso internacional em Montpellier: ´´Cultura em Risco: Novas clínicas?´´(novembro/2001). Ali, durante&amp;nbsp;quatro dias, debatemos com perplexidade e preocupação as voragens&amp;nbsp; da intolerância no mundo em que vivemos. Voragens essas que não se revelam apenas nos aterrorizantes acontecimentos internacionais como o atentado das torres de Nova York&amp;nbsp;ou as guerras no Oriente Médio. Elas se propagam em todas as formas&amp;nbsp;de&amp;nbsp;deterioração de&amp;nbsp;nossos laços sociais, a começar pela violência&amp;nbsp;conjugal e familiar, seja ela física ou verbal, e&amp;nbsp;que vai de par com&amp;nbsp;&amp;nbsp;a banalização da violência urbana,&amp;nbsp;muitas vezes marcada por uma indescritível ´´in-diferença´´&amp;nbsp; generalizada. Junto com ela, ou como consequência dela, um isolamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossas instituições psicanalíticas&amp;nbsp;brasileiras também já estão há bastante tempo investigando,&amp;nbsp;sob&amp;nbsp;&amp;nbsp;uma intensa&amp;nbsp;perplexidade,&amp;nbsp; fenômenos sociais e clínicos dessa ordem. Por exemplo, o Instituto de Pesquisas da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA) tem, em seu programa de trabalho, um seminário regular&amp;nbsp;com o objetivo de investigar ´´o lugar do sujeito na cultura´´ a partir de uma certa noção de exílio. E não apenas o exílio do ponto de vista das imigrações, mas também, e principalmente, do ponto de vista de nossa condição humana, de nossa relação com o outro e com o mundo exterior. Dito de outro modo, nosso laço social em deterioração.&amp;nbsp;Na verdade, &amp;nbsp;é de um exílio&amp;nbsp;psíquico que geralmente se trata em nossas discussões sobre a clínica e a cultura contemporãnea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, &amp;nbsp;não paro&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;de me perguntar se&amp;nbsp; essa ´´in-diferença´´&amp;nbsp; da qual eu falava antes, não resultaria em&amp;nbsp;um desamparo potencializado ao da condição mesma do homem, cujo prematuro nascimento já o coloca em estreita dependência do olhar, da palavra e do desejo de um outro, sem o qual ele não sobreviveria a seu desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob vários aspectos, a&amp;nbsp;clínica parece testemunhar esse desamparo potencializado.&amp;nbsp; Talvez ele&amp;nbsp;esteja na origem do sentimento catastrófico do existir, que&amp;nbsp;por vezes&amp;nbsp;aparece sob a roupagem do que&amp;nbsp;muitos conhecem&amp;nbsp;pela&amp;nbsp;simplista noção de ´´síndrome do pânico´´, que nada mais é que o extremo ao qual&amp;nbsp;podemos ser levados pela angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então, esse desamparo está encoberto&amp;nbsp;sob&amp;nbsp;o incômodo que causa o&amp;nbsp;&amp;nbsp;pequeno Narciso.&amp;nbsp;Aturdido por Éros, buscando por um outro ausente,&amp;nbsp;na sala de aula, ele&amp;nbsp;precisa tomar ritalina para sua&amp;nbsp;dita síndrome da atenção com distúrbio. E se o pequeno Narciso toma essa ausência como estranha e inquietante, e que ela faz com que seu corpo se agite para convocar o olhar de um outro, mais ritalina ainda ele precisa tomar, ele é um sindrômico híper-ativo.&amp;nbsp;Há sempre um outro que ´´não tira os olhos dele´´ mas não o reconhece, apenas o controla em suas síndromes, o que o mantém ainda mais angustiado, mais desamparado, e com mais sentimento de sua catástrofe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele precisa do olhar de um outro que o reconheça em seu desejo, em sua diferença, mas este outro o quer idêntico ao ideal de si mesmo, não lhe dando chance alguma de se fazer reconhecer.&amp;nbsp;O outro só pode reconhecê-lo na imagem circular, esférica dele mesmo. Seu desejo e&amp;nbsp;sua singularidade fazem distúrbio nessa esfera, são estranhos anômalos. Narciso então se encontra afundado em seu catastrófico isolamento, por vezes mortífero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também, Narciso por vezes adoece de seus envelopes do corpo, ou do corpo como um todo. Nem sempre a doença de pele é suficiente para que ele fale de sua dor de exilado. Muitas vezes, precisa mais do que isso: uma doença respiratória ou um importante desengonço de sua motricidade podem ser necessárias para que ele banque a ´´Ninfa Éco´´ com seu outro. Na falta de palavras, ou de ouvidos que as escutem,&amp;nbsp;um corpo em sofrimento pode gritar ao outro sua paixão por ele, quase nunca escutada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O extremo desse discurso amoroso ao qual talvez apenas o silêncio surdo&amp;nbsp;desse outro responda, pode culminar mesmo no câncer ou na doença viral mortífera. Mesmo assim, Narciso deve se contentar em repetir, como Éco,&amp;nbsp;o que os outros dizem dele: ´´És um doente´´. A ´´carta´´(lettre) à deriva - sua doença-&amp;nbsp;&amp;nbsp;que ele envia a esse outro com sua declaração de amor e desejo, parece inevitavelmente retornar ao destinador: o destinatário não consegue decifrá-la.&amp;nbsp;Isso para o que diz respeito&amp;nbsp;à psicossomática, que jamais fez tanta devastação como em nossos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz questão de falar dessas coisas porque vivemos, na verdade, em uma cultura do corpo perfeito, de um Narciso sem furos, que pode inclusive anular, se quiser e puder, os efeitos do tempo em sua humanidade.Mais do que nunca, as cirurgias plásticas e&amp;nbsp;outras tecnologias disponíveis tornam possível uma extrema otimização do corpo. Devemos todos parecer jovens, tônicos e dinâmicos, seres sem idade, sem desgastes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao mesmo tempo, vivemos em uma cultura do corpo destroçado pelo câncer, pelo acidente de trãnsito, pela tentativa de suicídio, pela arma de fogo, pela ferida na pele, pela obesidade móbida ou pela anorexia, pela drogadição, pela aids, etc. Enfim, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Metamorfose &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;é o que não nos falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que esse paradoxo nada tem a ver com um certo exílio, no qual ficamos&amp;nbsp;em um imenso desamparo por não conseguir romper nenhum círculo perfeito da imagem que o outro&amp;nbsp;faz de nós? Será que não é por isso que temos uma ´´pólis´´ tão cruel e desigual, na qual nossos outros erram, em busca de um espelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São questões apenas abertas. Longe de mim, fechá-las feito um círculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Rosane Pereira&lt;br /&gt;Psicanalista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-3149379190488091323?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/3149379190488091323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-incidencias-clinicas-de-um.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3149379190488091323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3149379190488091323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-incidencias-clinicas-de-um.html' title='Pausa. Incidências clínicas de um impasse narcísico: o outro ou o si-mesmo mortífero?'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S_dfJi1QihI/AAAAAAAAAMM/3HGNpBqJxRc/s72-c/narciso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7238742086737347408</id><published>2010-05-14T02:26:00.001-03:00</published><updated>2010-06-04T15:09:25.116-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sofrimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desejo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poeta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vulgaridade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coragem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='albatroz'/><title type='text'>Pausa: ´´O albatroz´´ de Baudelaire na intimidade de Yasmina e Mathieu</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-tiO-GeXdI/AAAAAAAAAMA/3SSKAQ5njqg/s1600/Imagem+domi+et+maman+168.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-tiO-GeXdI/AAAAAAAAAMA/3SSKAQ5njqg/s320/Imagem+domi+et+maman+168.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Era uma tarde de verão, final de dezembro em Canasvieiras, depois de uma chuva,&amp;nbsp;quando o Jerôme fez essa linda foto da Dominique molhando seus pés na praia. Eu olhava para ela e para a praia e lembrava do quanto ela&amp;nbsp; lutava por seus sonhos, sobrevoando oceanos e enfrentando todas as tempestades. Nada a fazia desistir deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia barcos, nem pássaros, nessa paisagem linda e deserta, não fosse a presença dela. E a luz era linda, ela ali, molhando seus pés, era linda. Então pensei: Essa menina é um albatroz! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;O albatroz é um&amp;nbsp;grande&amp;nbsp;pássaro branco,&amp;nbsp;cujas asas também&amp;nbsp;são enormes. Eles voam, ou melhor, sobrevoam os mares, enquanto os navios, muitas vezes, lutam contra as tempestades. São quase guias dos marinheiros, ou marujos, se preferirmos. Voam na direção onde a tempestade pode não ser tão terrível, e assim&amp;nbsp;livram os marujos de muita desgraça de redemoinhos abismais e fatais. Por isso são chamados de ´´reis do infinito´´, pois parecem saber tudo sobre o que se passa nos mares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Mas enfim, foi naquele anoitecer, quando voltei para casa, lá em Canasvieiras, que escrevi a passagem do livro, a mensagem que se chama &lt;strong&gt;´´ l´albatros´´,&lt;/strong&gt; ( p. 226-227), inspirada no poema de Baudelaire que, naquele final de tarde, olhando para minha filha molhando seus pés naquela praia,&amp;nbsp;não saía da minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos já sabem,&amp;nbsp; meus personagens, aYasmina e o&amp;nbsp;Mathieu, têm muita intimidade com a poesia de Baudelaire, está entranhada neles.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Essa passagem da história, é&amp;nbsp;quando eles voltam de Paris a Porto Alegre, e que Mathieu viaja para dar sua master classe e reger seus concertos, fora da cidade. Ele faz um esforço fenomenal para voltar antes da data prevista e encontrar Yasmina. Ela está, segundo sua lembrança, também se adaptando com uma certa dificuldade ao retorno da viagem deles à Paris, e lhe diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´[...] Aquela&amp;nbsp; semana foi muito agitada. A retomada do trabalho estava sendo muito cansativa. Mesmo assim, eu passava o dia conferindo minha caixa de mensagens e fazendo festa quando me escrevias.À noite, de casa, te respondia e ficava até altas horas relendo nossa série´´j´adore t´écrire´´, o que só aumentava o cansaço no dia seguinte. Na metade daquela semana, me escreveste dizendo que estavas exausto, caindo aos pedaços de cansaço, mas isso não era problema, querias voltar logo. Disseste, humorado: ´´Vou chegar aí mais despencado que o albatroz, mas tudo bem, pior é ficar sem minhas asas e sem teus sóis molhados. Minha humilde e lenta frota precisa urgentemente dos teus canais´´.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Respondi dizendo que tua frota nada tinha de humilde, era majestosa, e que eu adorava o ritmo de teus barcos em mim. Meu Deus, que maravilha! Voltávamos a falar a mesma língua!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O melhor disso udo é que, me falando desse jeito, continuavas me convidando para viajar. Seria natal de novo&amp;nbsp; e eu não sabia?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Também adorei&amp;nbsp; a imagem do teu cansaço confundida com a do ´´albatros´´. Ri sozinha, feito uma louca. A partir desse e-mail, passei a te chamar de ´´mon &lt;strong&gt;albatros&lt;/strong&gt;´´. Era mesmo um presente, te esperar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na sexta-feira, me escreveste: ´´Ma petite fleur (du mal): ton &lt;strong&gt;albatros &lt;/strong&gt;part! Vai atrás do teu cheiro!´´. Havias conseguido te liberar para voltares antes e me fazer quase explodir de alegria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O calor da cidade era cada vez mais sufocante, mas eu não dava muita importãncia, tinha a brisa do teu mar em mim´´. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, são dois amantes muito íntimos da poesia de Baudelaire. As metáforas do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;´´Convite para a viagem´´ &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;são abundantes, nessa troca de mensagens deles. Os ´´sóis molhados´´, a ´´os barcos´´, os ´´canais´´,&amp;nbsp; tudo dentro do contexto do &lt;strong&gt;´´Convite´´&lt;/strong&gt;. Mas a viagem já estava feita, não era natal de&amp;nbsp; novo, como supôs Yasmina. Entretanto, havia o &lt;strong&gt;albatros&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;que tornava aquela espera um presente, para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem uma coisa que fez com que&amp;nbsp;Yasmina e Mathieu se encontrassem e vivessem intensamente aquele verão, foi a paixão que os dois tinham&amp;nbsp;por correr atrás de seus próprios sonhos. É essa a grande ´´retrouvaille´´, o grande reencontro que cada um sente acontecer. Ou seja, eles reencontram um no outro a coragem que tiveram, nos seus vinte anos, para sonhar suas vidas. Essa intimidade com a poesia nada tem de banal, tem algo a ver com&amp;nbsp;o que eles guardaram daquela coragem de seus vinte anos.&amp;nbsp;E é também&amp;nbsp;um sinalizador do quanto eles são amantes muito incomuns, em nossa vida pós-moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois partilham um certo&amp;nbsp;horror&amp;nbsp;à banalidade&amp;nbsp;e&amp;nbsp;à vulgaridade dos conformismos com roupagens vanguardistas. &amp;nbsp;Essa é a grande ´´viagem´´ que os dois fazem juntos. Eles&amp;nbsp;tentam, nesse encontro que tiveram, sobreviver à carga de conformismo, banalidade e vulgaridade que a vida impôs à cada um, principalmente ao&amp;nbsp;Mathieu. A Yasmina&amp;nbsp;sempre foi mais obstinada do que ele, mais resistente à diluição de sua sensibilidade pela&amp;nbsp;cultura em que ela vive.&amp;nbsp;Ele é mais dividido. Mesmo assim, os dois juntos parecem&amp;nbsp;dois corajosos&amp;nbsp;pássaros com asas enormes, sobrevoando os mares como dois fiéis companheiros de viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E o ´&lt;strong&gt;´albatros´´&lt;/strong&gt; é justamente o poema que Baudelaire faz da sobrevivência à banalidade, à cruel&amp;nbsp;&amp;nbsp;vulgaridade, que faz sofrer. Talvez por isso eles tenham se sentido tão à vontade com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou&amp;nbsp; propor aqui mais uma das minhas humildes traduções da poesia de Baudelaire, pra vocês saberem mesmo do que se trata quando a Yasmina e o Mathieu falam do ´&lt;strong&gt;´Albatros´´.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;L´Albatros&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Souvent pour s´amuser, les hommes d´équipage&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Prennent des albatros, vastes oiseaux de mers,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Qui suivent, indolents compagnons de voyage,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Le navire glissant sur les gouffres amers.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;À peine les ont-ils déposés sur les planches,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que ces rois de l´azur, maladroits e honteux&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Comme des avirons traîner à côté d´eux&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lui, naguère si beau, qu´il est comique et laid!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L´un agace son bec avec un brûle-gueule,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L´autre mime, en boîtant, l´infirme qui volait!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Le Poète est semblable au prince des nuées&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Qui hante la tempête et se rit de l´archer;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Exilé sur le sol au milieu des huées,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ses ailes de géant l´empêchent de marcher.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Albratros&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Frequentemente, para se divertir, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;os marujos pegam albatrozes, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;esses enormes pássaros dos mares&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;que acompanham, como indolentes companheiros de viagem,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;o navio que desliza nos abismos amargos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Logo que são colocados sobre as tábuas do convès,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;esses reis do infinito, desajeitados e envergonhados,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;deixam se arrastar, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;como quem pede piedade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;suas grandes asas brancas feito remos,&amp;nbsp;ao lado deles.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Este viajante alado, antes tão belo,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;como é cômico e feio!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Um com o cachimbo, lhe enche o bico de fumaça&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Outro, a coxear, imita o enfermo que há pouco voava&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Poeta é parecido com esse príncipe das nuvens&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que assombra a tempestade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E se ri das flechas do arqueiro Destino&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Exilado sobre o solo, em meio àquelas sarcásticas vaias&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Suas asas de gigante o impedem de caminhar.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu já disse, vários tradutores já fizeram dele uma versão com métrica e rima condizentes. Minha pretensão não era essa, não sou poeta.&amp;nbsp;Eu apenas me importei com as imagens, com a força das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era somente para partilhar com vocês essa forte impressão que tenho de que meus personagens, esses dois estranhos amantes, no fundo são mesmo muito parecidos com o Albatros. A Yasmina só poderia tomar a espera por Mathieu como um presente (uma dádiva, encontrá-lo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto àquela menina molhando seus pés... ela sim, foi um presente, esperar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-7238742086737347408?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/7238742086737347408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-o-albatroz-de-baudelaire-na.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7238742086737347408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7238742086737347408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-o-albatroz-de-baudelaire-na.html' title='Pausa: ´´O albatroz´´ de Baudelaire na intimidade de Yasmina e Mathieu'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-tiO-GeXdI/AAAAAAAAAMA/3SSKAQ5njqg/s72-c/Imagem+domi+et+maman+168.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-2177099896917176987</id><published>2010-05-10T03:27:00.000-03:00</published><updated>2010-05-10T03:27:54.112-03:00</updated><title type='text'>Pausa: Narciso escritor, uma epidemia( perversa) contemporânea?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-eRqPiG6nI/AAAAAAAAAL4/ySj1FSpjQbM/s1600/Imagem+domi+et+maman+128.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-eRqPiG6nI/AAAAAAAAAL4/ySj1FSpjQbM/s320/Imagem+domi+et+maman+128.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Coloquei essa foto minha, assim, de maneira narcísica, porque achei que estava na hora de falar disso. Na época dessa foto, no momento&amp;nbsp; dela (que meu genro, maravilhoso ´´paparazzi´´ fez), eu pensava no livro que estava escrevendo, e se não havia nele, um certo excesso de mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava no quanto eu seria capaz de suportar que ninguém gostasse do que&amp;nbsp;eu escrevesse. Claro, ´´ninguém´´ era um exagero meu, mas na verdade, a gente pensa mesmo que ninguém poderia gostar de alguma frase de um romance, de um conto ou de um poema que estamos escrevendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Enquanto o Gerson, meu ex-marido, meu melhor amigo e pai da minha filha, preparava a sopa para a nossa criança que não estava bem da sua barriguinha, lá no hotel&amp;nbsp;em Canasvieiras naquele final de ano, era nisso que eu pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que a sopa dele era infalível, e que a Dominique só precisava dela pra ficar melhor. E assim como eu jamais saberia preparar um tratado de filosofia aristotélica como ele, jamais saberia preparar como ele,&amp;nbsp;aquela sopa terapêutica&amp;nbsp;para nossa menina. E que bom que&amp;nbsp;era assim. Naquele momento, meu problema era saber que a Dominique tinha que melhorar de seu mal-estar digestivo e que eu tinha que continuar a escrever meu livro. Então pensei: Que falta de narcisismo, deixar o pai preparar a sopa, coisa de mãe! Foi quando descobri que podia ser bom, que ele soubesse melhor do que eu, a receita daquela canja. E a Dominique parecia tranquila, esperando seu jantar.&amp;nbsp;O mais interessante disso tudo é que ela realmente ficou bem, depois dele, o que me&amp;nbsp;deixou muito feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou falando dessas coisas apenas para colocar uma questão que tem ´´me trabalhado´´ ultimamente. Será que quando escrevemos somos capazes de sair de nós mesmos e pensar que o outro precisa conseguir penetrar em nossos universo narrativo para se sentir transportado pela leitura até ele? Será que o que damos ao leitor faz com que ele se sinta melhor, ou com vontade de melhorar? E por favor, não pensem que estou fazendo aqui a a apologia da literatura de auto-ajuda, a não ser aquela da livraria Bamboletras, que adoro: ´´o único livro de&amp;nbsp;auto-ajuda que vendemos, é o da boa literatura´´ (algo assim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade,&amp;nbsp;tenho pensado muito no que dizia Carlos Drummond de Andrade, em seus conselhos ao jovem escritor: ´´Se a literatura não servir para deixar no homem uma maior dose de caridade, melhor não praticá-la´´. E nisso não havia nenhuma pregação da caridade enquanto virtude cristã, não era essa a ´´praia´´ do Drummond. Sempre achei, enquanto leitora de sua obra, que ele estava falando de outra coisa: de humildade e de generosidade.&amp;nbsp; Pois escrever é um exercício de humildade, e é também um dom que fazemos dessa humildade. O problema é que precisamos ter essa humildade, para doá-la ao outro, nosso leitor. Só que nem sempre ela pode estar em nós assim tão disponível( infelizmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ser uma leitora incansável de&amp;nbsp;Drummond, sempre fui e sempre serei uma leitora incansável de Marcel Proust. E não por acaso, pois Proust dizia mais ou menos a mesma coisa que Drummond: ´´Uma obra literária jamais é produto de noites festivas, mas sim, de noites muito tormentosas, muito negras e de auroras difíceis de alcançar´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou falando dessas coisas porque tenho me sentido angustiada com a tendência de novos escritores a escrever uma literatura feita de humor absoluto, de sarcasmo com a condição humana e de confusão entre um ideal romãntico e uma pieguice romântica. Ora, o ideal romântico é o&amp;nbsp; da crise da subjetividade como condição da existência, da possibilidade mesma de alguma virada, alguma mudança de situação, a impossibilidade disso implicando uma morte. Pieguice romântica é negar isso e escrever uma literatura de puro gozo humorístico do sofrimento humano. Escravidão absoluta a esse sofrimento, recusa da condição essencial do que é literário: a poesia com verosemelhança. Pois para ser literário, um texto tem que ter ´´a&amp;nbsp; cara da verdade´´, e a verdade humana nada tem de humorístico ou que seja digno do sarcasmo de algum narcísico gênio. A vida é outra coisa, e a literatura,enquanto tal, imita a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desde o Romantismo, nossa nova literatura não cessa de nos assinalar os drásticos efeitos da impossibilidade da mudança, da virada de situação, de ´´passar a outra coisa´´.&amp;nbsp;Mas a nossa ´´nova literatura´´ não é essa, a do riso eterno, feito maldição olímpica, da dor de existir. A literatura contemporânea é herdeira, sim, quando é&amp;nbsp;realmente literatura, dos românticos, e de&amp;nbsp;modernos e pós-modernos &amp;nbsp;como Proust e Drummond, e graças a ´´Zeus´´, ela existe e sempre vai existir. Do nada, nada vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever não é ´´transcrever´´ um modismo de pensamento intelectual,&amp;nbsp; e muito menos dar livre curso a nossos hediondos desvios de caráter, nossas fantasias perversas completamente pessoais. Não há&amp;nbsp;que sermos paranóicos, para sermos escritores, deduzindo que nosso desejo perverso é igualzinho ao do leitor, que é isso que ele quer saber de nossa ´´anima´´ secreta, o mesmo desejo perverso que supomos nele e que torna as coisas tão engraçadas. Podemos e devemos, sim, falar dessas fantasias em nossas ficções, mas com toda a dor que ela nos causa. Nisso somos verssímeis, porque universais. Não em nossa banalização da dor de existir, transformando o que deveria ser poético, para ser literário, em ironia barata e desprovida de beleza. É supor muito pouca coisa em nosso leitor, para dissimular uma covardia de escritor.&amp;nbsp;Tudo isso para bancar o `´Marquês de Sade´´, porém sem o talento dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos como se somente o escritor, esse Narciso contemporâneo, tivesse a receita da sopa para nossa dor de barriga. Pobres leitores, órfãos de escritores!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-2177099896917176987?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/2177099896917176987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-narciso-escritor-uma-epidemia.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/2177099896917176987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/2177099896917176987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/pausa-narciso-escritor-uma-epidemia.html' title='Pausa: Narciso escritor, uma epidemia( perversa) contemporânea?'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-eRqPiG6nI/AAAAAAAAAL4/ySj1FSpjQbM/s72-c/Imagem+domi+et+maman+128.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5980584757495533154</id><published>2010-05-08T00:53:00.000-03:00</published><updated>2010-05-08T00:53:58.298-03:00</updated><title type='text'>Romance do romance:os leitores e o livro (III): A fila alegre</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TLk_7XmKI/AAAAAAAAALI/tdOgWwvLTUs/s1600/OgAAABN5BbQYJbEXJR8VSMF5VrgV71G_87gIYszwTcicHW68cjcDzovWNTX9y6TC5Pb3fI52wXoGMZk5tP7Y7q90mTsA+tr%C3%AAs+amigas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TLk_7XmKI/AAAAAAAAALI/tdOgWwvLTUs/s320/OgAAABN5BbQYJbEXJR8VSMF5VrgV71G_87gIYszwTcicHW68cjcDzovWNTX9y6TC5Pb3fI52wXoGMZk5tP7Y7q90mTsA+tr%C3%AAs+amigas.jpg" tt="true" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Eu dizia, no outro texto, que é difícil apresentar o que fazemos às pessoas que convivem conosco, lição da minha criança, a Dominique, que é violoncelista. Mas que dá uma alegria enorme, isso é verdade, ver as pessoas que fazem parte da nossa vida de todos os dias se darem ao trabalho de nos escutarem, de nos lerem. Foi o que senti quando a Lourdes e a Vera,&amp;nbsp; dois ´´mulheraços´´ que me aguentam com minhas manias com as roupas, chegarem lá na mesa dos autógrafos. Já faz um tempão que eu entro nas lojas de artigos femininos e acho tudo feito em série. Então, quando gosto de uma textura, de uma estampa, de uma cor, eu compro e vou direto lá no atelier delas, o&amp;nbsp;´´Verlou´´&amp;nbsp;para a Lourdes ´´reinventar´´ a roupa do meu jeito. E minha nossa Senhora, que paciência a Lourdes tem comigo!&amp;nbsp;Por vezes uma roupa vai e volta durante meses, até eu achar que está parecida comigo. Sem contar as minhas expedições com roupas que tiro do baú, meu ou da família, pra ela dar um jeito de ficar atual, pois quero usar. Quando autografei o livro pra elas, fiquei rezando pra que tivessem com ele a mesma sensibilidade que têm com minha relação com os meus ´´envelopes do corpo´´.&amp;nbsp;E também fiquei feliz, pois sabia que elas iriam entender minhas ´´entrelinhas de escritora´´ como entendem minhas entrelinhas com o que digo sobre a roupa no meu corpo. Nada como&amp;nbsp; mulheres realmente femininas, e com seu atelier de invenção bem na frente do meu consultório! Só poderíamos ficar amigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TPobqqvmI/AAAAAAAAALQ/6RVz0v-PC3Y/s1600/OgAAAOYG9ZyejfIOkOnSOD9SYE_o9-ewCi92s2gO4a7vh90wy4DvUs4JzOG4M5zTxQeFtZLv-6TLM3fAIlxkDYO9e9AAGl%C3%A1dis+linda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TPobqqvmI/AAAAAAAAALQ/6RVz0v-PC3Y/s320/OgAAAOYG9ZyejfIOkOnSOD9SYE_o9-ewCi92s2gO4a7vh90wy4DvUs4JzOG4M5zTxQeFtZLv-6TLM3fAIlxkDYO9e9AAGl%C3%A1dis+linda.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E vejam só, em seguida, chegou&amp;nbsp;uma das mulheres que eu mais curto, a Gládis. É uma espécie de minha ´´Ídala´´, quro ser parecida com ela quando eu crescer. Sempre a encontro no café, é quase vizinha do prédio em frente ao meu consultório. E sempre fico encantada com sua feminilidade, com sua alma cultivada, seu jeito de falar das pessoas, da vida, do amor. Uma leitora muito especial, essa linda mulher. Que luxo, encontrá-la ali, me pedindo um autógrafo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TSMLy0v_I/AAAAAAAAALo/lQQ51Oqynmg/s1600/OgAAAGWcyCBRziu4RyvKrKRt_H2o0C5mOZZrIGryixaXvyU0y5CIQ5f8KNQwuR4gHr__WC2Rhg1rD8pm4xe7eGNhLHwAm1T1UFjennifer+e+sua+m%C3%A3e.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TSMLy0v_I/AAAAAAAAALo/lQQ51Oqynmg/s400/OgAAAGWcyCBRziu4RyvKrKRt_H2o0C5mOZZrIGryixaXvyU0y5CIQ5f8KNQwuR4gHr__WC2Rhg1rD8pm4xe7eGNhLHwAm1T1UFjennifer+e+sua+m%C3%A3e.jpg" tt="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Essa bela senhora loura, é a Lourdes, mãe da Jennifer,&amp;nbsp;a menina de rosa.&amp;nbsp;Nos conhecemos desde o início dos anos noventa, quando eu&amp;nbsp;instalei meu consultório de psicanalista lá na Felipe&amp;nbsp;Camarão, bem do ladinho da tabacaria&amp;nbsp;deles. São pessoas muito especiais, gosto demais deles. Até hoje, nunca percebi a menor mudança de tratamento comigo em função de algum ´´humor´´. E sabem como é,&amp;nbsp;se tem uma coisa que nós, psicanalistas, percebemos, são os humores das pessoas. É coisa antiga.&amp;nbsp;Trabalhei ali bons anos, depois fui para a França, fiquei uns cinco anos lá, e voltei. Quando entrei na tabacaria pra comprar meu cigarro, eram exatamente os mesmos comigo, como se não nos víssemos há menos de vinte e quatro horas. Coisa raríssima, em nossa vida contemporânea, não acham? Eu até escrevi um romance sobre a memória do amor por causa de tanta facilidade no esquecimento!&amp;nbsp;Por essas e outras, me deu muita alegria, vê-los ali, partilhando aquele momento comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TXBQNNEwI/AAAAAAAAALw/8V2bZPVW1cU/s1600/OgAAAOYKHtXgg-82a0lXIKEaP9NBufWLDb2_UEINJVltzwyqz4iYJqfzSIeNDXdzOyricIflRfwTXNDJ9NOd1K2Q34wAm1T1UH+fam%C3%ADlia+de+leitores.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TXBQNNEwI/AAAAAAAAALw/8V2bZPVW1cU/s320/OgAAAOYKHtXgg-82a0lXIKEaP9NBufWLDb2_UEINJVltzwyqz4iYJqfzSIeNDXdzOyricIflRfwTXNDJ9NOd1K2Q34wAm1T1UH+fam%C3%ADlia+de+leitores.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;É uma família linda, essa minha família de amigos leitores. O Luís, é uma pessoa muito especial. Me vende o cigarro sorrindo, mesmo se eu esqueci o dinheiro, e até mesmo de pagar o cigarro do dia anterior. A Priscilla, é uma delicadeza só, e a Jennifer, nossa, que menina mais atenta aos outros, mais luminosa quando olha pra gente! Fiquei arrepiada quando ela me falou de suas impressões de leitura, umas semanas depois do lançameno do livro. É uma leitora daquelas que a gente não encontra todos os dias, e que meus professores da Sorbonne diriam: ´´ela tem uma sensibilidade literária rara!´´. Imaginem que eu até fiquei com vontade de ler o livro, depois que ela me falou de sua leitura, cheguei a esquecer que eu é quem o havia escrito! Pois é, nisso tem, com certeza, a ´´mão´´ da Lourdes, mãe dela, e a do Luís, pai dela.&amp;nbsp;Bom, só sei que fiquei muito feliz mesmo, de vê-los todos ali, naquela noite fria e chuvosa. Ainda mais que foi na&amp;nbsp;máquina ´´xerox´´ deles que eu imprimi a primeiríssima versão do livro. Me lembro até hoje que eu disse à Lurdes, qaundo ela me entregou as cópias:´´É meu romance, meu primeiro livro, o que tu copiaste!´´. E ela me respondeu: ´´Que maravilha!!´´. Hoje sou eu quem digo: ´´Que maravilha de família!´´. Não fizeram a fila apenas para os autógrafos, fizeram também em casa, para a leitura.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Enfim, muitas outras pessoas estavam naquela fila alegre, pena que não tive a dádiva de ter de todos as fotos que tive desses amigos do Bomfim, mas todos estão ´´fotografados´´pelas minhas pupilas, e&amp;nbsp; vejo sempre como se fosse ontem, o encontro que tivemos. Tomara que meu próximo livro, ´´A invenção do Sentimento´´, faça eles todos voltarem a me encontrar, eu ia adorar!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5980584757495533154?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5980584757495533154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/romance-do-romanceos-leitores-e-o-livro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5980584757495533154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5980584757495533154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/romance-do-romanceos-leitores-e-o-livro.html' title='Romance do romance:os leitores e o livro (III): A fila alegre'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-TLk_7XmKI/AAAAAAAAALI/tdOgWwvLTUs/s72-c/OgAAABN5BbQYJbEXJR8VSMF5VrgV71G_87gIYszwTcicHW68cjcDzovWNTX9y6TC5Pb3fI52wXoGMZk5tP7Y7q90mTsA+tr%C3%AAs+amigas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-4662097377754563243</id><published>2010-05-05T00:02:00.000-03:00</published><updated>2010-05-05T00:02:52.179-03:00</updated><title type='text'>Romance do romance: os leitores e o livro (II)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DNg3Ck0pI/AAAAAAAAAKo/X7oBv6DVS1M/s1600/SNV80366+audit%C3%B3rio+da+cultura.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DNg3Ck0pI/AAAAAAAAAKo/X7oBv6DVS1M/s320/SNV80366+audit%C3%B3rio+da+cultura.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Por vezes me parece bobinho, eu ficar aqui ´´falando´´ pra vocês da lembrança que tenho daquela noite do lançamento do romance. Mas é que não foi pouca coisa. Chovia a cântaros, em Porto Alegre, e fazia um frio glacial. Quando a Camila, da minha editora, veio me buscar para irmos para a livraria, eu pensei: só vão estar lá, além de nós,&amp;nbsp;minha mãe e minhas irmãs, na melhor das hipóteses. Eu mesma só estava indo porque o livro era meu, não dava pra não ir até lá. Mas vejam só, essa foto foi tirada logo no início, e segundo o rapaz da livraria, apenas dois ou três lugares do auditório ficaram vagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que não tenham fotografado a imagem que ficou gravada em minhas pupilas: enquanto um de meus parceiros de mesa falava, eu olhei para o auditório e vi um número grande de pessoas com o livro no peito, abraçadas a ele. Poucos minutos depois, recebi um bilhete de uma colega que respeito muito, e que precisava ir dar seu seminário naquele horário: ´´Rosane, tenho que ir, mas olha, o livro está lindo!´´. Era verdade.&amp;nbsp;O livro, enquanto objeto, estava mesmo lindo. A &lt;strong&gt;Camila&lt;/strong&gt; e a&lt;strong&gt; Marta&lt;/strong&gt;, minhas ´´&lt;strong&gt;Editoras Associadas&lt;/strong&gt;´´, são mesmo duas &lt;strong&gt;artistas do livro&lt;/strong&gt;, conceberam um objeto que me parecia irresistível. A gente olhava pra ele e dava vontade de abraçá-lo, acariciá-lo. A capa, a textura, as cores, a luz da imagem, a cor das páginas, o odor delas, o tamanho e o peso do volume, tudo era de uma sensualidade, delicadeza e sutileza que tornava impossível não abraçá-lo. E a mim, autora, me parecia uma verdadeira homenagem ao texto, aos personagens, era a carinha deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também pudera, a Camila, a Marta e eu tivemos um intenso trabalho comum na elaboração do livro. Foi um trabalho árduo, que durou meses. Foi a Camila quem me disse um dia: ´´Chega, agora o livro é nosso, não vais mudar mais nada nele, senão jamais poderemos terminá-lo, deixá-lo pronto para ser publicado´´.&amp;nbsp; Então parei de reescrever minhas páginas, pois já sabia que&amp;nbsp;a Camila e a Marta&amp;nbsp;estavam íntimas de cada linha que eu havia escrito, saberiam o que fazer com aquela história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pelo jeito, os leitores convidados adivinharam isso. Enfrentaram aquele&amp;nbsp;clima implacável de inverno portoalegrense, um trânsito infernal, e foram fiéis àquele encontro marcado que tínhamos naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DXAp0MtBI/AAAAAAAAAKw/YtC0ehNl1Tc/s1600/SNV80388+fila+lan%C3%A7amento.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DXAp0MtBI/AAAAAAAAAKw/YtC0ehNl1Tc/s320/SNV80388+fila+lan%C3%A7amento.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Foi a fila mais bonita e alegre que já vi. Estávamos mesmo muito bem, todos juntos ali, depois do bate-papo no auditório. Parecia que nenhum de nós estava preocupado com o horário nem com o dia da semana, nem com o clima que fazia. A cada autógrafo que me pediam, eu encontrava um pessoa muito especial, sorrindo&amp;nbsp;pra mim e me dizendo o que esperava do livro, me felicitando e me agradecendo por ele. Tinham gostado do que ouviram, e&amp;nbsp;estavam certos de que iam gostar do que iam ler. Teve gente que me pediu até para autografar vários volumes, queria aproveitar para dar o livro autografado de presente a pessoas queridas. Eu me senti com uma responsabilidade enorme, um medo imenso de decepcioná-los com a leitura que fariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, minha mãe e minhas irmãs custaram a chegar até a mesa de autógrafos e estavam muito felizes por isso. Quando elas conseguiram chegar ali, confesso que finalmente entendi o que minha filha dizia quando explicava que era muito difícil tocar seu violoncelo para mim, suas avós e nossos amigos íntimos. Me pareceu que era até mais complicado imaginar a leitura que elas fariam, do que a leitura que os outros, que não tinham intimidade comigo, fariam. A Dominique sempre insistiu&amp;nbsp;em dizer&amp;nbsp;que era muito mais fácil tocar um concerto para oitocentas&amp;nbsp;pessoas não íntimas do que para tres ou quatro que convivem com a gente, e eu achava exagero. Agora entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DbkpkQxXI/AAAAAAAAAK4/stZVjb2YvGY/s1600/SNV80383+fila+lan%C3%A7amento+III.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DbkpkQxXI/AAAAAAAAAK4/stZVjb2YvGY/s320/SNV80383+fila+lan%C3%A7amento+III.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;Mesmo assim, a cada autógrafo eu sentia uma alegria intensa misturada com um frio na espinha, um temor da recepção do texto. Creio que era algo&amp;nbsp;muito parecido com o que em psicanálise chamamos de ´´horror ao ato´´.&amp;nbsp; Tenho a impressão que com alguns leitores, eu cheguei a dizer aquela frase tão antiga, de nossas tias velhas, quando se despediam:&amp;nbsp;´´desculpa por alguma coisa, tá?´´. Mas o fato é que a alegre fila não terminou tão cedo. A livraria já havia fechado e ainda estávamos ali, ás voltas com o livro, completamente despreocupados com o tempo, fosse ele cronológico ou climático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DdE42YeOI/AAAAAAAAALA/e9ZfKPgBEFM/s1600/rosane_pereira_02+A.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DdE42YeOI/AAAAAAAAALA/e9ZfKPgBEFM/s320/rosane_pereira_02+A.jpg" tt="true" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;E fiquei ali, escrevendo meus poeminhas em cada autógrafo. Depois do poema, o abraço e o beijo. Foi longo&amp;nbsp; e lindo, nosso encontro daquela noite chuvosa. Por isso memorável.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-4662097377754563243?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/4662097377754563243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/romance-do-romance-os-leitores-e-o_05.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4662097377754563243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4662097377754563243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/romance-do-romance-os-leitores-e-o_05.html' title='Romance do romance: os leitores e o livro (II)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S-DNg3Ck0pI/AAAAAAAAAKo/X7oBv6DVS1M/s72-c/SNV80366+audit%C3%B3rio+da+cultura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-1394990015271629762</id><published>2010-05-04T01:53:00.000-03:00</published><updated>2010-05-04T01:53:22.163-03:00</updated><title type='text'>Romance do romance: os leitores e o livro (I)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9-Q6PMQFrI/AAAAAAAAAKA/dGxliCF65EA/s1600/pedro_rosane_ricardo_carlo_02.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="214" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9-Q6PMQFrI/AAAAAAAAAKA/dGxliCF65EA/s320/pedro_rosane_ricardo_carlo_02.jpg" tt="true" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quando o ´&lt;strong&gt;´Estranhos, Noturnos... e amantes´´&lt;/strong&gt; foi lançado lá na livraria Cultura, em agosto do ano passado, eu sabia que eu passava, do ´´primeiro capítulo´´ do romance do romance, para uma nova &amp;nbsp;experiência amorosa com ele, a do encontro com os leitores.&lt;br /&gt;Até aquele momento, minhas angústias de escritora que se arrisca pela primeira vez a publicar, eu partilhava com o Pedro Gonzaga, meu amigo escritor que escreveu o prefácio do livro e que corajosamente enfrentou várias leituras, desde a primeira versão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pedro foi de uma generosidade imensa comigo, me deu todo o seu rigor de homem de letras que tem uma forte intimidade com a grande literatura.&amp;nbsp; Foi difícil eu criar coragem para passar a primeira versão pra ele, pois tinha certeza de que ele não deixaria por menos, na sua fineza de escritor e de grande leitor. Quando ele me devolveu a leitura da primeira versão com suas críticas, eu cheguei a pensar que o melhor era desistir do livro. Achei que as coisas boas que ele viu eram em número muito menor do que as que tinham que ser reavaliadas, que não estavam bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes de eu passar&amp;nbsp;aquela primeira versão ao Pedro, muito antes mesmo, eu havia passado ao Ricardo Silvestrin, meu amigo poeta, contista e romancista, uma espécie de ´´esboço´´ , que era, na verdade, pouco mais do que um rascunho. O Ricardo e eu somos amigos de longa data, ele e a Carla, sua esposa - minha melhor amiga -&amp;nbsp;e grande leitora, são meus amigos de muita estrada percorrida juntos. Nossas meninas cresceram juntas, e eu também cresci muito, desde que os conheci.&amp;nbsp; Mas assim como o Pedro, eu sabia que nossa amizade só ia aumentar o rigor da exigência do que lessem. A devolução da Carla foi: ´´Tu escreves muito bem, mas precisas te decidir, se queres escrever um ensaio ou um romance, cuida com esse excesso de referências´´. E o Ricardo foi mais suscinto ainda: ´´Está bom, bem escrito, mas falta ficção´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, juntando o que eles me disseram, e depois de passar quase mais um ano melhorando aquele ´´rascunho´´ que se transformou na primeira versão que eu passei ao Pedro, eu achei que tinha que me conformar com minha impossibilidade de fazer ficção. Afinal, o Pedro também me dizia, de certo modo, a mesma coisa.&amp;nbsp;´´ Tens uma história que vale a pena ser contada, mas tente contá-la esquecendo, na maior parte do tempo, o quanto teus personagens sabem da tua vida´´. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi impossível sustentar essa desistência, pois&amp;nbsp;meus personagens começaram a me tirar o sono. Eu deitava para dormir e eles ficavam&amp;nbsp; falando um com o outro como se eu não estivesse ali. Isso durou muito tempo. Até que eu resolvi abrir mão de meu narcisismo de autora e seguir o conselho do Pedro. Foi quando realmente a ficção começou a acontecer, e eu perdi o contrôle sobre os personagens. Não tenho vergonha de dizer que reescrevi essa primeira versão umas cinco ou seis vezes, até que ela parecesse novamente digna de ser entregue ao Pedro para mais uma leitura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele me devolveu aquele original, eu já estava exausta de tanta tensão, aflita com o que ele ia me dizer. O Pedro andava com sua vida muito atribulada, e apenas me mandou entregar, por um amigo comum, o texto com suas anotações. Eram muitas, tinha muita coisa para melhorar, mas eram comentários críticos de uma ficção. Fiz uma festa lendo suas críticas, e reescrevi aquela versão mais umas quatro vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando devolvi a ele, já era com o pedido do prefácio, eu não podia pedir a ele mais uma releitura crítica, já tinha tomado demais o seu tempo, e a editora já estava com a publicação em andamento. Sabia que ele podia me dizer um ´´não, não vou poder´´ e disse a ele para ficar&amp;nbsp;à vontade para recusar. Ele me devolveu: ´´Nada disso, terei o maior prazer em escrever esse prefácio, pode deixar que entrego na data exigida pela editora´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi ao Ricardo que escrevesse a contra-capa. Fiquei de tudo que era cor quando lhe fiz esse pedido, pois o Ricardo, até então, só tinha visto aquele miserável rascunho, e eu lhe pedia algo muito delicado para um escritor: apresentar meu livro aos leitores e ao mundo literário, junto com o Pedro. Ele me respondeu ´´Sim, pode deixar. Vou ler, depois escrevo´´. E eu via, no rosto dele, a mesma gravidade tranquila de sempre. Ou seja, se ele não quisesse ou ficasse embaraçado com isso, dizer ´´não´´, seria o de menos. Mas é certo que já fazia muito tempo que eu, ele e a Carla conversávamos muito sobre o livro, eu partilhava com eles todos os meus tormentos ´´noturnos´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava em Paris para o casamento de minha filha, quando a editora me enviou os texto deles por e-mail. Li, e me emocionei, pois eram textos que testemunhavam uma intimidade com o que eu havia escrito, textos de escritores que eu admiro e respeito há muito tempo. A confiança deles em assinarem a apresentação de meu primeiro romance, foi o que me deu coragem para passar da angústia de escritora à angustia de autora. Eu assinava e publicava meu escrito, e dois escritores testemunhavam isso. Agora, eu tinha que enfrentar a crítica dos leitores e do mundo literário. É outra angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha, então, o Ricardo e o Pedro para irem comigo ao encontro dos leitores. Mas eu precisava, ainda assim, de um outro leitor, junto com eles. Alguém que não tivesse participado em nada daquele processo de escritura do livro, alguém que nada soubesse das minhas noites em claro às voltas com os conflitos de meus personagens e minhas dúvidas de escritora.&amp;nbsp; E eu queria muito alguém que pudesse se enxergar minimamente no personagem homem, o Mathieu. Ora, o Mathieu é um pianista, músico e maestro ( confesso que tenho uma certa obsessão pela vida dos músicos e dos artistas ). Então me pareceu que o Carlo Pianta,&amp;nbsp;que é &amp;nbsp;músico, professor e maestro, poderia ser este primeiro leitor. Admiro muito o trabalho de músico do Carlo, sempre que posso vou a seus espetáculos. Acho ele um professor sensível e rigoroso, e é também um grande estudioso da literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já tinha a devolução da minha primeira grande leitora, a Ana Cristina Teixeira - minha amiga e colega que me falou da Yasmina de uma forma que jamais esquecerei, pois foi quando eu soube que o livro já era daquela leitora, não era mais meu. Mas eu queria, sim, saber o que um leitor masculino me devolveria da trajetória do Mathieu. O Carlo leu o livro, mas a gente não tinha tempo para se encontrar e conversar, antes do lançamento. Fiquei conhecendo sua opinião lá na mesa do auditório da&amp;nbsp;livraria Cultura.&amp;nbsp; Quando ele começou a falar do livro, eu fiquei impressionada: ele já tinha tomado partido com relação ao conflito da trama, tinha intimidade com os personagens, falava deles como se fossem seus amigos pessoais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor disso, para quem não foi lá e não sabe, é que quando o Ricardo falou do livro, naquela noite, foi com a mesma intimidade do Carlo, a ponto de os dois discordarem sobre o desfecho da trama, chegaram a debater publicamente suas diferentes opiniões de leitores. Eu fiquei pasma, vendo como a Yasmina e o Mathieu haviam mesmo me ultrapassado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9-mI2M-bMI/AAAAAAAAAKQ/pbvlw_JUQVQ/s1600/SNV80386+fila+lan%C3%A7amento.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9-mI2M-bMI/AAAAAAAAAKQ/pbvlw_JUQVQ/s320/SNV80386+fila+lan%C3%A7amento.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Bom, o capítulo seguinte deste ´´romance do romance´´ foi meu encontro com os leitores... uma bela história de uma chuvosa noite de inverno.&lt;br /&gt;Pois é, nisso eu e a Yasmina somos mesmo&amp;nbsp;parecidas. Adoramos curtir uma lembrança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-1394990015271629762?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/1394990015271629762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/romance-do-romance-os-leitores-e-o.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1394990015271629762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/1394990015271629762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/romance-do-romance-os-leitores-e-o.html' title='Romance do romance: os leitores e o livro (I)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9-Q6PMQFrI/AAAAAAAAAKA/dGxliCF65EA/s72-c/pedro_rosane_ricardo_carlo_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5803481518444327727</id><published>2010-05-02T19:45:00.000-03:00</published><updated>2010-05-02T19:45:21.646-03:00</updated><title type='text'>´´No hay quién nos désate?´´ de Goya segundo ´´O Vampiro´´ de Baudelaire: uma tradução possível</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S93xyl6NVMI/AAAAAAAAAJ4/XgPyqwtEI5I/s1600/411px-%25C2%25BFNo_hay_qui%25C3%25A9n_nos_desate%253F.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S93xyl6NVMI/AAAAAAAAAJ4/XgPyqwtEI5I/s400/411px-%25C2%25BFNo_hay_qui%25C3%25A9n_nos_desate%253F.jpg" tt="true" width="273" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;No texto anterior, eu falei exaustivamente dessa infernal especularidade dos amantes, e do que Goya e Baudelaire estavam fazendo ali, naquela narrativa. Até falei de cenas muito íntimas da Yasmina e do Mathieu. sabem como é, ficar contando brigas de casal... não é uma coisa muito bonita.&lt;br /&gt;Mas o fato é que meus personagens não abriram mão da beleza, nem mesmo&amp;nbsp;quando brigaram feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E afinal de contas, eles são, como ela mesma em algum momento da narrativa diz: ´´apenas um homem e uma mulher´´.&lt;br /&gt;Enfim, a tônica dessa passagem do romance( e talvez do romance inteiro)&amp;nbsp;é mesmo a das separações - possíveis e impossíveis. A Yasmina está angustiada com seu apego apaixonado ao Mathieu, que naquele momento a fez sofrer tanto - e tenta entender essa sua impossibilidade de renunciar à paixão que sente por ele, na impossibilidade dele de renunciar à crueldade de Alice,&amp;nbsp;da qual ele é apaixonadamente escravo. Por isso eu falei aquilo no final do texto: brigar com nossos Vampiros, não é moleza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que me pareceu que, para vocês entenderem melhor essa escolha metafórica que ela faz, na sua exasperada coléra feminina, seria bom conhecerem, além do desenho de Goya, o poema de Bauelaire em português.&lt;br /&gt;Já existem, em língua brasileira, inúmeras traduções publicadas das ´´Flores do Mal´´ de Baudelaire. Confesso que acho todas muito distantes da essência poética baudelairiana. Claro que traduzir poesia é sempre muito difícil, no limite, mesmo impossível. Mas reinventar um texto poético em uma tradução não implica ter que abrir mão da essência poética do autor. Não se atribui a um poeta um jeito que não é o dele, de dizer as coisas. E nas traduções que li até hoje das ´´Flores do mal´´&amp;nbsp;encontrei muita beleza, muita poesia em várias delas, mas muito pouco de Baudelaire. Algumas até assumem um estilo ´´empolado´´ que nunca se viu na poesia dele, e outras transformam em água com açúcar as imagens mais tormentosas que aparecem nos versos dele.&lt;br /&gt;Mas enfim, não estou aqui pra me queixar de tradutor nenhum, todos fizeram um trabalho magnífico, tornando possível a leitura aos que não têm possibilidade da língua original deste autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só queria propor uma humilde tradução minha, que é a mais próxima da leitura que meus personagens fizeram de Baudelaire. Por isso considero como uma tradução possível - estritamente na linha da narrativa do romance que eu escrevi. É assim que este poema aparece no discurso de meus personagens, percorre as linhas da narrativa deles. Não há nenhuma preocupação com a&amp;nbsp;métrica - a rima -&amp;nbsp;nem com a prosódia. Quando elas dão certo, é porque a beleza da nossa língua brasileira dá um jeito nisso, torna possível. Minha preocupação maior é com as imagens, com a força das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;´&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´LE VAMPIRE´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Toi qui, comme un coup de couteau,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dans mon coeur plaintif es entrée;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Toi qui, forte comme un troupeau&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Des démons, vins, folle et parée,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;De mon esprit humilié&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Faire ton lit et ton domaine;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Infãme à qui je suis lié&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Comme le forçat á la chaîne,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Comme au jeu le joueur têtu,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Comme à la bouteille l´ivrogne,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Comme aux vermines la charogne,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Maudite, maudite sois-tu!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;J´ai prié le glaive rapide&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de conquérir ma liberté,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Et j´ai dit au poison perfide&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;De secourir ma lâcheté.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Helas! le poison et le glaive&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;M´ont pris en dédain et m´ont dit:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;´´Tu n´est pas digne qu´on t´enlève&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;À ton esclavage maudit,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Imbécile! - de son empire&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Si nos efforts te délivraient,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tes baisers ressusciteraient&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Le cadavre de ton Vampire!´´&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;´´O VAMPIRO´´&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tu, que como uma punhalada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;entraste em meu coração já despedaçado;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tu que, forte como uma manada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;De demônios, vieste, louca e sedutoramente arrumada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Da minha alma humilhada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;fazer tua cama e teu domínio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Infãme a quem estou ligado&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como o condenado aos grilhões,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como ao jogo o desatinado jogador&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como à garrafa o viciado bebedor&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como aos vermes a carne aputrefada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Maldita, maldita sejas tu!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Implorei á implacável espada do orgulho&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que conquistasse minha liberdade,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E disse ao veneno da perfídia,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que socorresse minha covardia.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mas, ai! que dor! O veneno e a espada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;me tomaram em desdém e me disseram:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;´´ Tu não és digno que te tiremos &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de tua maldita escravidão,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Imbecil! - do seu império&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Se nossos esforços te libertassem,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Teus beijos ressuscitariam&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O cadáver de teu Vampiro!´´&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é mesmo a imagem refletida do desenho de Goya? Aqueles amantes ´´plantados um no outro´´ e amarrados um ao outro, de forma que nem mesmo&amp;nbsp;o tempo consegue desatá-los, arrancá-los um e outro desse lugar de imobilidade plena de gozo mórbido, lembram muitos outros, vocês não acham?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nossa vida de todos os dias, nos nossos laços sociais e de amizade,&amp;nbsp;quanta gente pede ajuda, esperneia de todas as formas para tentar sair de uma relação infeliz e cruel ?&amp;nbsp;E cada vez que algum terceiro cai na ingenuidade de estimular ou ajudar o queixoso ou a queixosa a se sentir forte o bastante para sair de seu circo sado-masoquista, acaba escrevendo na água, e por vezes é&amp;nbsp;duramente punido pela dupla de Vampiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso também a Yasmina é parecida com Baudelaire. Ele tem a coragem poética de admitir que estava ´´enrolando´´ a espada do orgulho e o veneno aos quais pedira ajuda. declra essa dor.&amp;nbsp;Ela , a Yasmina, teve a coragem de dizer ao Mathieu que ´´sempre soube´´ que ele não viveria sem seu Vampiro. Só que o Mathieu não tem coragem de assumir nem declarar sua dor. E ela não deixa por menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil? É! Mas a pobre Yasmina não ficou anos e anos sobre um divã, se submetendo a um tratamento psicanalítico, não virou psicanalista - para o que ela teve que descer a muitos infernos -, para simplesmente alimentar no seu amado o gozo mórbido do sado-masoquismo. Ele pode não querer perder a inocência, ficando ´´plantado´´ naquele lugar de objeto, mas ela&amp;nbsp;não conseguiria se dar a um luxo desses. Então vai ver foi por isso que ela ´´cobrou´´ dele uma coragem poética, a mesma de Baudelaire. Todo gozo tem seu preço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5803481518444327727?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5803481518444327727/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/no-hay-quien-nos-desate-de-goya-segundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5803481518444327727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5803481518444327727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/no-hay-quien-nos-desate-de-goya-segundo.html' title='´´No hay quién nos désate?´´ de Goya segundo ´´O Vampiro´´ de Baudelaire: uma tradução possível'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S93xyl6NVMI/AAAAAAAAAJ4/XgPyqwtEI5I/s72-c/411px-%25C2%25BFNo_hay_qui%25C3%25A9n_nos_desate%253F.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5937759692500555034</id><published>2010-05-01T00:35:00.000-03:00</published><updated>2010-05-10T01:24:07.718-03:00</updated><title type='text'>Artistas do Romance. Francisco Goya e Charles Baudelaire: ´´O Capricho 75- No hay quién nos desáte?´´ e ´´O Vampiro´´: espelhos onde Yasmina vê refletidos Mathieu e sua Alice</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S93GZZ8COKI/AAAAAAAAAJw/WKZykwVVByw/s1600/411px-%25C2%25BFNo_hay_qui%25C3%25A9n_nos_desate%253F.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S93GZZ8COKI/AAAAAAAAAJw/WKZykwVVByw/s400/411px-%25C2%25BFNo_hay_qui%25C3%25A9n_nos_desate%253F.jpg" tt="true" width="273" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tenho insistido bastante na metáfora dos espelhos, quando falo dos personagens do meu romance. É que a Yasmina, além de ser uma ´´femme de lettres´´, uma escritora, é também psicanalista. Ela não consegue esquecer o que aprendeu com Baudelaire, e depois com seus milhares de pacientes em sofrimento amoroso: o amor é narcísico. Aliás, ela diz isso várias vezes, em suas mensagens enviadas a Mathieu: ´&lt;i&gt;´É nossa humanidade, nunca escapamos de nós mesmos´´.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, na narrativa de Yasmina, um momento de altíssima tensão, onde até se tem a impressão que ela não vai mais continuar a escrever. É quando ela se lembra do dia em que Mathieu lhe faz a revelação mortífera: ele está voltando - assumidamente - para Alice, e de fato, nunca deixou de dividir sua cama com ela, durante o período em que ele e Yasmina estavam se encontrando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quando Alice se dá conta que algo de forte pode estar se passando entre&amp;nbsp;Mathieu e essa outra mulher com quem ele se encontra, que ela resolve ´´reaver´´ seu marido, se apaixona novamente de maneira espetacular por ele, pelos dois juntos novamente. E Mathieu sabe que não há porque confiar em uma retomada do casamento deles. Ele está farto da crueldade de Alice, que já o ´´dispensou´´ de sua vida inúmeras vezes. Ele sabe que existe uma zona de imensa obscuridade naquele pedido amoroso de Alice. Sabe também, que não é a primeira vez que ela o vê ficando melhor, vivendo melhor sem ela, e que ela parece suportar mal isso, pede a ele que voltem. Mas apesar de tudo isso, e apesar de gostar muito de Yasmina, ele lhe confessa que não resiste. E na verdade, Yasmina sempre desconfiou que para ele era completamente impossível suportar a separação. Com certeza, Alice também sabe disso, e é com isso que ela conta, em cada retomada do casamento: com a covardia amorosa de Mathieu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, a história desses meus dois estranhos amantes, durante o tempo em que eu estava escrevendo, já teve até o apelido de ´´romance das separações´´ - e eu sempre complementava: ´´possíveis e impossíveis.´´&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por nada que Baudelaire e Goya vão aparecer em momentos muito pontuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto a Yasmina quanto o Mathieu, são grandes leitores de Baudelaire, releram juntos as ´´Flores do mal´´, naquele intenso verão. Em boa parte do tempo em que estavam juntos, eles até se comunicavam&amp;nbsp;usando a&amp;nbsp;´´língua natal´´ deles: a poesia de Baudelaire. Ela o chama de ´´mon &lt;i&gt;&lt;b&gt;chat&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;´´, ´´mon &lt;b&gt;&lt;i&gt;albatros´&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;´, etc.. ele a chama de ´´ma petite fleur (du mal)´´, pensa no corpo dela como ´´sóis molhados´´ e em seus próprios dedos percorrendo a pele dela como ´´barcos´´, metáfora do &lt;i&gt;&lt;b&gt;´´Convite para a viagem´´&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;. Ela, aliás, adora essa metáfora, curte muito a frota de Mathieu. Enfim, é enorme a intimidade dos dois com o Poeta. Chega a ser visceral, a poesia de Baudelaire está nas entranhas deles. É um verdadeiro espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, todos os amantes têm nas entranhas essa poesia, mesmo que nunca tenham lido Baudelaire. Nisso a dupla Mathieu e Yasmina não é mais do que um espelho, eles também, para outros amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até mesmo no momento da odiosa triangulação revelada,&amp;nbsp; quando realmente a descida aos infernos se realiza para Yasmina, ela não deixa de evocar Baudelaire, e de dizer o quanto Mathieu e sua Alice também&amp;nbsp;eram imagens refletidas na poesia dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baudelaire está vivendo seu inferno amoroso e pessoal quando escreve esse poema ´&lt;b&gt;&lt;i&gt;´O Vampiro´´, &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;e é depois de ver esse desenho, o&lt;i&gt;&lt;b&gt; Capricho 75,&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;de Goya, que ele encontra inspiração para escrevê-lo, para metaforizar desse jeito seu inferno interior, seu desespero com a crueldade feminina à qual ele se sente irremediavelmente preso. É por isso que Yasmina vê imediatamente a imagem do vampiro, na passagem da ´´cena do vômito´´ - mensagem cujo objeto é ´´violence´´ (p.239). É quando ela devolve a ele o ´´soco no estomago´´ que acabou de levar, com sua revelação do triângulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;´´Foi mesmo violento, o soco que me deste, não dava para nada te devolver dele. Quando paraste de falar, fui tomada por uma repulsa incontrolável. Meu estômago se revoltava, tua presença me dava nojo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Gritei o insuportável para mim, nessa história toda: ´´como te atreveste a me arrastar,&amp;nbsp;à minha&amp;nbsp;&amp;nbsp;revelia, em uma aventura lésbica miserável dessas? De onde tiraste que eu queria ter, na minha cama, tua mulher com nós dois ou que eu quisesse ir para a cama com vocês? C´est dégueulasse!!´´.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Teus olhos pareciam saltar, tua palidez era cadavérica. Colocaste tua mão na boca, com um indescritível horror. Correste para o banheio, te segui, e te vi vomitar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Vomitavas minhas palavras, minha repulsa. e mais, vomitavas nossas noites, nossas festas pagãs, meu desejo excessivo, minha paixão, toda a alegria que havíamos vivido. E mais, minha fragilidade, a tua, nossa diferença de estrangeios, todas as nossas flores. E ainda, nossa parceria, nossa cumplicidade de amantes, e mais, muito mais... Pela primeira vez pude ter idéia do quanto de mim se entranhara em ti. Era enorme, insuportável, pesava demais em teu corpo, precisavas vomitá-lo e muito..., muito mesmo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Cheguei a pensar em chamar um serviço de urgências. Desnecessário. Era tua purgação. Tua verdadeira urgência era aliviar-te de mim para ficar só, com teu adorado e colossal Vampiro. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Assim te livravas de minha abominável fragilidade em teu corpo. [...]&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eles começam, aí, uma verdadeira batalha de palavras, ela chega a ter medo que ele a esbofeteie. E de certo modo ele o faz quando vai embora, com sua apática frieza, dizendo ´´je pars´´. Mas antes dessa partida tem um bate-boca fenomenal entre os dois, verdadeira exorbitância de insultos eróticos, melhor eu nem comentar muito isso aqui. E&amp;nbsp;Yasmina está mesmo furiosa quando diz, lá pelas tantas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;´´[...] Finalmente me desculpei pela evocação da figura do Vampiro, era insuficiente. Alice sabia também encarnar para ti, a fada de luz, ouro e gaze, da qual tanto precisas. Não poderias viver sem o glamour dessa figura feminina.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;[...]&amp;nbsp; E partiste apático, ao encontro de tua fada de luz, ouro e gaze, a única capaz de dirigir a orquestra de tuas remissões´´&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa, que ira! Não nos esqueçamos que o Mathieu é um grande maestro, e que a figura da ´´fada de luz, ouro e gaze´´ também é baudelairiana, saída do ´´&lt;b&gt;Irreparável´´&lt;/b&gt; (outro dia conversamos sobre esse poema). Não é pouca coisa essa imagem da ´´orquestra de remissões´´ de um homem que somente aquela ´´fada´´´da banalidade poderia dirigir pra ele. Coisa séria, nem mesmo furiosa a Yasmina deixa de falar a ´´língua natal´´ dela e do Mathieu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, muita coisa acontece depois disso. tem muito estranhamento, muita tristeza, muito ódio do qual ela fala pra ele, em suas lembranças. Ele um dia lhe escreve lhe dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;´´´Foi doloroso, tudo isso. Também sofri sentindo tua falta e pensando no quanto poderias me odiar. Triste, não teres conseguido contornar esse ódio, foi assim tão necessário? [...]&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela lhe responde, em sua mensagem&lt;i&gt;&amp;nbsp; ´&lt;b&gt;´l´incontournable (p. 257):&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;´´Claro que sim, era inevitável te odiar. Inclusive pecisei desse ódio para ir, aos poucos, conseguindo respeitar o amor de vocês dois. Foi te odiando e pensando no quanto me fazias falta que consegui entender que a infelicidade e o apego de alguns casais são uma única coisa. Nada mais absurdo, depois de tudo o que havia acontecido com nós dois, que eu sentisse saudade de ti e desejasse te reencontrar, me imaginando feliz contigo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Um dia, em uma calçada, na mesa de um café, havia um casal. Na direção em que eu caminhava, o homem estava de costas, eu via o olhar daquela mulher. Era um olhar de desolação, comiseração, consolo, tristeza, e com uma dose de ternura. mas havia também naquele olhar, desejo e amor misturados com impaciência e crueldade. Então eu vi, refletido nos olhos daquela mulher, o homem, com seus olhos arregalados de angústia. Foi no olhar dela que te vi, antes de saber que era tu.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Fiqui espantada de ver como vocês são até mesmo fisicamente parecidos. estavam vestidos com a mesma cor, por sinal, verde. Era como se eu olhasse para o casal do desenho de Goya, dos amantes inseparáveis que ninguém jamais conseguiria desamarrar. Finalmente entendi porque Baudelaire se inspirou nesse capricho de Goya para escrever ´´O Vampiro´´, e porque eu te havia insultado com essa figura, naquela madrugada de domingo. Apressei meu passo deixando vocês dois para trás.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Enquanto seguia meu caminho, pensava que talvez eu tenha sido o veneno e a espada do orgulho, aos quais pediras ajuda para te libertares do algoz que te habita. Tarefa impossível. Pela última vez falei contigo, em silêncio, te dizendo carinhosamente algo que tomei emprestado de nosso Poeta:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;´´Imbecil! Se do império dele, nossos esforços te livrassem, teus próprios beijos ressuscitariam o cadáver de teu Vampiro! ´´. E mais uma vez, eu ria de mim mesma. Naquele momento, deixei de te odiar.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Pode te parecer irônico, mas não é, é carinhoso. Realmente torço para que vocês tenham uma eternidade feliz, que sejas sempre esse imbatível parceiro fiel de tua fada de luz, ouro e gaze.´´ (p. 258).&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, mais calma, ela lhe diz, na mensagem seguinte: &lt;i&gt;´´ Eu não estava com nenhuma disposição hostil, com nenhuma ironia, insisto. Fui sincera te escrevendo aquela última mensagem, e te enviei a imagem do Capricho de Goya porque ela é impressionante e linda, parecida com milhares de amantes[...].´´(p.260)&amp;nbsp;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como eu dizia antes, espelhos são espelhos. Só que diferente dos espelhos dos quartos de motéis, onde os amantes quase nunca conseguem ver imagem alguma refletida deles mesmos, os espelhos de Yasmina são os olhos com os quais ela olha para Mathieu, para Alice, para a poesia de Baudelaire&amp;nbsp; e a arte de Goya, nos quais ela consegue também se ver. Diferença importante, entre um objeto concreto e brutal, mero instrumento do erotismo, e um objeto metafórico do desejo. No fim das contas, é a diferença entre violência e sutileza delicada da paixão,&amp;nbsp; que em nada compromete sua força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, depois dessa briga toda dos dois, tem muito mais coisa que ainda acontece. A história não termina aqui, talvez apenas começe a terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, era só pra dizer que&amp;nbsp;não é preciso vomitar cada vez que descobrimos que nunca escapamos de nós mesmos. Por isso é tão importante desconfiarmos da violência que fazemos ao outro, seja com o olhar, seja com as palavars, seja com as atitudes. Pois enfim, existem bofetadas e bofetadas. Brigar com nossos Vampiros não é moleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosane Pereira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5937759692500555034?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5937759692500555034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/artistas-do-romance-francisco-goya-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5937759692500555034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5937759692500555034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/05/artistas-do-romance-francisco-goya-e.html' title='Artistas do Romance. Francisco Goya e Charles Baudelaire: ´´O Capricho 75- No hay quién nos desáte?´´ e ´´O Vampiro´´: espelhos onde Yasmina vê refletidos Mathieu e sua Alice'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S93GZZ8COKI/AAAAAAAAAJw/WKZykwVVByw/s72-c/411px-%25C2%25BFNo_hay_qui%25C3%25A9n_nos_desate%253F.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-8458331868968787135</id><published>2010-04-29T01:34:00.000-03:00</published><updated>2010-04-29T01:34:21.937-03:00</updated><title type='text'>Artistas do Romance. Raphael de Sanzio e sua ´´Fornarina´´: mais um espelho de Mathieu e Yasmina</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9j3a9T-MXI/AAAAAAAAAJo/VoLLnsJeFGI/s1600/1848big+la+fornarina.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9j3a9T-MXI/AAAAAAAAAJo/VoLLnsJeFGI/s320/1848big+la+fornarina.jpg" tt="true" width="221" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Outro dia eu escrevi em um texto: &lt;strong&gt;´´Não adianta, o amor é uma cumplicidade estética, ou não é´&lt;/strong&gt;´. É isso o que decide a qualidade do convívio das pessoas que se amam. É uma ética com a qual a vida pode ou não ser partilhada. Até no modo de educar um filho, um casal tem cumplicidade estética. No modo como nos vestimos, o prato que escolhemos, a música que ouvimos, as amizades que cultivamos, em tudo isso está o que alguns chamam de ´´estilo de vida´´. Mas é bem mais do que isso. Pra andar ao lado de alguém, se deixar tocar por alguém, beijar alguém, é preciso muita coisa de nós mesmos nos convocando nessa pessoa. O amor é sempre narcísico, por isso é estético. Sem espelho, não há chance nenhuma. Não é por nada que quando alguém faz disparar o coração, suar frio, tremer a voz ou gaguejar, é porque ´´tem tudo a ver´´ com a gente. Esse tal ´´tudo a ver´´, nada mais é do que o espelho sem o qual, no fundo, nenhum de nós vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, um dia desses vou escrever alguma coisa sobre ´&lt;strong&gt;´a morte dos amantes´´, &lt;/strong&gt;de Baudelaire, sobre o que ele diz ali a respeito de ´´espelhos opacos´´, coisa que o tempo inevitavelmente provoca. De repente, parece que não tem ´´mais nada a ver´´, e ficamos procurando em vão nossa imagem perdida, por vezes passamos muitos anos assim, tentando nos ver novamente em um outro, mas o espelho... não devolve mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas olhem, tudo isso, aprendi com os amantes do meu romance, a Yasmina e o Mathieu. É impressionante como eles têm cumplicidade estética. Eles já se conheciam há anos, mas nada sabiam ao certo um do outro. É quando eles descobrem que ´´têm muito a ver´´, depois de um olhar trocado na feira do livro, que tudo começa. Eles descobrem, logo em seguida, que são doidos pelas mesmas coisas: literatura, poesia, cinema, música,&amp;nbsp;ópera, teatro, escultura, pintura... e por aí vai. Todo o erotismo desse casal passa por essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles são amantes da arte, amantes com arte, e aprendem, juntos, uma certa ´´arte de amar´´ ( Ovídio, que também inventou o mito de Narciso, escreveu um livro com esse título, acho que ele&amp;nbsp;ia gostar dessa). Claro, ele é pianista e maestro ( parece que também era violoncelista), e ela é psicanalista e ´´mulher de letras´´, ou seja, uma escritora. Normal que tenham intimidade com as artes, e até que tenham se encontrado. Mas eu insisto que eles me ensinaram que isso tudo vale para qualquer casal, independente do métier que cada um excerce. A cumplicidade estética necessária para o amor é a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas e outras é que, quando eles estão em Paris, um dos melhores momentos da viagem deles é quando eles vão ao &lt;strong&gt;Palais du Luxembourg&lt;/strong&gt; ver a exposição de&lt;strong&gt; Rapael de Sanzio&lt;/strong&gt;. Os dois já conhecem a obra desse pintor do Renascimento, e curtem muito ela, nunca perdem uma exposição.&amp;nbsp; A Yasmina gosta tanto que chega a chamar Raphael de &lt;strong&gt;´´meu´´ pintor eterno&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma bela manhã no Quartier Latin percorrendo os cafés e as livrarias, eles vão ´´lagartear´´, tomar o sol no Jardin du Luxembourg. Almoçam sanduíches de baguettes e ficam ali os dois, em um banco, lendo cada um seu livro,&amp;nbsp;ela deitada com a cabeça no colo dele. Gosto muito da passagem em que ela se lembra da visita à exposição:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´No meio da tarde, fomos visitar a exposição de Raphael. Ficamos impressionados com o retrato da Fornarina, como se o víssemos pela primeira vez. Disseste que eu era muito parecida com ela. Achei engraçado e te perguntei em que nós duas seríamos parecidas, já que fisicamente sou tão diferente dela. Respondeste que era o olhar. Gostavas do desamparo mudo que Raphael pintara nos olhos dela, e também da mistura de alegria e de tristeza marcada em seu rosto. Ela olhava para seu amante pintor com tudo isso nos olhos, mas também com gratidão e malícia feminina.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Achavas que, como ela, eu sempre te olhava como se tivesse acabado de receber uma carícia, e adoravas meus olhos verdes, que pareciam sempre te agradecer pelos beijos que me havias dado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não queria mais parar de beijar meu ´´peintre eternel´´ que era tu, fiquei completamente eufórica e apaixonada. Por pouco não nos pediram para sair da exposição, olhavam mais para nós dois do que para as obras de Raphael, perturbávamos.(p.165)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que a Yasmina fica assim, eufórica e apaixonada, porque ela sabe que Raphael amava desesperadamente sua Fornarina ( a filha do Fornari, que em italiano, é o padeiro- ela se chamava Margarida). Os Grandes do Clero que o contratavam para pintar afrescos em seus palácios tinham que se virar com isso, mesmo que achassem escandaloso.&amp;nbsp;Ele só fechava o contrato se pudesse levar sua Fornarina com ele, tinha que fazer amor com ela várias vezes por dia para ter inspiração e disposição para pintar. Esse retrato dela, ele pintou, segundo alguns biógrafos, logo depois de fazer amor com ela, ela está com toda essa malícia do prazer erótico que acabou de viver estampada no rosto. É belíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também, não é somente nos momentos de paixão alegre que Mathieu olha para sua Yasmina e enxerga nela a Fornarina. Como ela diz, ele é mesmo um Raphael, sensível demais ao olhar dela. Observem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Na cena do concerto de violoncelo de Annie,&amp;nbsp;a filha de Yasmina que vive em Paris e que parte na manhã seguinte para a Itália (antes disso estava em tournée na Alemanha, ela só consegue ver a filha naquela noite, em Paris), ele vai com Yasmina tomar um champanhe para comemorar com ela o sucesso da menina. Fica ali com ela até quase ao momento em que Annie vai chegar para encontrar a mãe. Então ele diz que vai tentar comprar charutos e já volta. Ela sabe que ele vai para casa pra que as duas fiquem sozinhas, e se apaixona pela delicadeza dele. Ela se lembra deste momento em que o vê,&amp;nbsp; de costas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;´&lt;em&gt;´... te beijei com meus olhos, te vendo sair´´ (p. 190)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando ela volta para casa, depois do jantar com a filha, depois de ver a filha indo embora com o namorado, ela tem um forte sentimento de separação, fica emocionada, se dando conta de que a filha já e mesmo uma mulher. Sobe as escadas tentando cantar alguma coisa, para não chorar( velho truque dela). E ele , Mathieu, se lembra da chegada dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;´´&lt;em&gt;Chegaste em casa um pouco angustiada, me falando do quanto haviam conversado. Eras a Fornarina em pessoa. A tristeza e a alegria cintilavam em teus olhos, e estavas com uma expressão de gratidão amorosa que nunca mais esqueci. [...] Não conseguiste cantar, choraste até dormir, e dormiste sorrindo´´. (p. 194)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda, quando eles já estão voltando pra casa,&amp;nbsp;no avião, embarcados na conexão brasileira, a pouco mais de duas horas de Porto Alegre, ela se lembra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´Já estávamos na reta final de nossa viagem e despertados pela música da língua brasileira em torno de nós quando conseguimos nos manter acordados e conversar. Querias saber por que eu estava com aquele olhar de Fornarina e eu te disse que era porque eu estava feliz, mas estava triste, ia ser difícil chegar em casa. Também estavas assim [...].´´ (p.221)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, esses dois amantes, a&amp;nbsp;Yasmina e o Mathieu&amp;nbsp;me convenceram de que toda mulher é uma Fornarina, e todo homem é um Raphael. Os olhos de um são puro espelho para o outro, pelo menos enquanto&amp;nbsp;houver desejo que sustente uma paixão amorosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-8458331868968787135?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/8458331868968787135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/artistas-do-romance-raphael-de-sanzio-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/8458331868968787135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/8458331868968787135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/artistas-do-romance-raphael-de-sanzio-e.html' title='Artistas do Romance. Raphael de Sanzio e sua ´´Fornarina´´: mais um espelho de Mathieu e Yasmina'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9j3a9T-MXI/AAAAAAAAAJo/VoLLnsJeFGI/s72-c/1848big+la+fornarina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-3436661369761132011</id><published>2010-04-25T20:36:00.000-03:00</published><updated>2010-04-25T20:36:54.678-03:00</updated><title type='text'>Artistas do Romance. Rodin e Camille Claudel: uma lembrança de Yasmina e Mathieu</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9S-OikHu_I/AAAAAAAAAJg/AW3yxvqg7Ro/s1600/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_(detalhe)+preferida.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9S-OikHu_I/AAAAAAAAAJg/AW3yxvqg7Ro/s400/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_(detalhe)+preferida.jpg" tt="true" width="358" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Essa foto( cuja autoria desconheço)&amp;nbsp;do ´´beijo´´ de Rodin, ou melhor, esse detalhe da escultura fotografada assim deste ângulo sempre me impressiona. São parecidíssimos, senão idênticos aos dois personagens de &lt;strong&gt;´´Estranhos, Noturnos... e amantes´´, Yasmina e Mathieu&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma paixão intensa, mas ele na dimensão do desejo, ela na dimensão do amor apaixonado. E é isso o que faz toda a dificuldade, todo o mal-entendido entre esses dois estranhos amantes, que também são parecidíssimos com nós todos, ou pelo menos com muitos de nós todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando penso que Rodin se inspirou também no beijo&amp;nbsp;de seus amantes Franccesca e Paolo da &lt;strong&gt;Porta do Inferno&lt;/strong&gt; para representar seus momentos mais apaixonantes, vividos com sua Camille Claudel, chego a sentir o calafrio dos poços de Dante nas deambulações desesperadas de Yasmina em Paris. É neste momento da narrativa que eles parecem começar a descida ao inferno.&amp;nbsp; Faltam dois dias para voltarem ao Brasil, eles vão a Montmartre assistir um concerto de Jazz, e a chuva torrencial fez com que os músicos não aparecessem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só havia, além dos dois, naquela creperia noturna,&amp;nbsp;um pianista e uma cantora, o garçom, o ´´patron´´ e seus dois gatos. Ah! e havia a chuva... e&amp;nbsp;a luz das velas. Eles estão bem, calorosos e apaixonados, naquela atmosfera de sensualidade, e a cantora e o pianista executam ´&lt;strong&gt;&lt;em&gt;´les sables mouvants´´&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de&lt;strong&gt; Barbara&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomado de desejo, ele chega a dizer a Yasmina, sussurando em seu ouvido, que está se perdendo com ela, e que isso o faz feliz. Ela então não resiste, e acaba dizendo a ele ´&lt;em&gt;´je t´aime´´. &lt;/em&gt;A resposta dele foi&lt;em&gt; ´´Te desejo muito, só não quero te fazer sofrer´´. &lt;/em&gt;É quando ela se sente caindo no abismo, ou melhor, nas &lt;em&gt;areias movediças dos amores condenados. S&lt;/em&gt;abia que já estava no inferno, pois ele acabava de lhe dizer que já que ela o amava, a única coisa possível, pra ele, era fazê-la sofrer. Foi essa a tradução que Yasmina teve para a resposta de Mathieu. Um mutismo tomou conta dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois voltam para casa, e continuam com o mesmo ardor de desejo, durante toda aquela noite, ela em seu mais pleno mutismo.&amp;nbsp;E ela diz, em sua lembrança: ´´&lt;em&gt;Apenas meu corpo falava contigo, retomando sua antiga língua natal, aquela que jamais entenderias´´ &lt;/em&gt;( p. 207).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste ponto da narrativa que os dois fazem dessas lembranças, que Mathieu fica bastante aflito, chegando a dizer a ela &lt;em&gt;´´Fico quase sem palavras, pensando na minha estupidez´´&lt;/em&gt; (desta vez é ele quem emudece de angústia), e ele quer ainda saber mais sobre o sentimento de Yasmina naquela noite, lhe perguntando, depois desse &lt;em&gt;mea culpa: ´´o que fizeste com isso?´´.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não está nem um pouco interessada no sentimento dele de estupidez ou culpa, não concorda com isso, apenas acha que ele, como sempre,&amp;nbsp;foi sincero ( e foi). Mas acaba, sim, contando a ele o que ela fez com sua angústia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;´´Já eram mais de cinco da manhã quando dormiste. Eu continuei acordada, queria ouvir a sonata de Franck, mas irias despertar e eu precisava daquela solidão. Resolvi sair. Paris estava completamente escura, ainda predominavam os ruídos da limpeza pública. Caminhei pelo Boulevard Raspail, fui até Montparnasse e ali fiquei, andando a esmo, até que os cafés começassem a abrir. Meu pensamento parecia atrofiado, a cabeça em curto-circuito. Não sei quantos cafés tomei até que a luz do dia se impusesse, &amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;já perto das nove, me disse o garçom quando paguei a conta. Não sabia o que fazer de mim mesma, a única coisa possível era deambular, deixar meu corpo me levar a qualquer lugar, sem que nenhuma vontade me fizesse lembrar minha existência.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;À&amp;nbsp;chuva fina e constante se acrescentou uma rajada de vento gelado. Senti meu corpo doendo, minhas pernas não podiam mais seguir. Pensei em buscar um abrigo, senti falta de uma fraternidade e me lembrei de Camille Claudel. Tomei a direção de seu atelier, esquecendo meu sentimento do corpo, precisava chegar lá. Não era dia de visitação, estava fechado. Fiquei ali, na porta, sentada, lembrando de quantas vezes me perguntei, pensando nela, como o amor pode levar à loucura. A imensidão do Sena diante de mim pareceu finalmente dar alguma resposta: um homem que não consegue amar uma mulher é talvez como esse rio que corre indiferente, levando com ele o melhor dessa pobre louca apaixonada. Só que esse rio não faz a menor idéia do que carrega em suas águas, e também, ele não tem escolha, só lhe resta correr, seguir seu curso. Desesperadora solidão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Depois de ir até Camille Claudel, fui para o Luxembourg encontrar tuas estátuas brancas, que sempre me inspiraram tanta confiança. Fiquei por muito tempo percorrendo o jardim, tentando ter alguma intimidade com elas, até que sentei em um banco e dormi. Deve ter sido um sono longo, pois quando acordei, estava trempée, completamente encharcada da chuva fina que não parava. Tive um ataque de autocomiseração, chorei por mim mesma. Em seguida, o caos daquele antigo sentimento da catástrofe tomou conta de mim, não sabia o que me dava mais medo, se a vida ou a morte, meu corpo me escapava. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tomei um táxi e voltei para casa, completamente em pane´´. ( p. 209-210 )&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, acho que Yasmina tem razão em não se importar nem um&amp;nbsp;pouco com alguma culpabilização de Mathieu pelo estado de alma dela, e de dizer a ele que não encontrou nele em momento algum um homem insensível, egocêntrico ou estúpido. Ela é uma amante muito corajosa e muito cuidadosa, não imputa a ele o que&amp;nbsp;é dela. O que lhe acontece, somente a ela pertence. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também, a sequencia dessa passagem, quando ela chega em casa, sinceramente, a acolhida que ele lhe faz, o cuidado dele com ela é de um homem muito sensível e desejoso dela. É uma das cenas que eu mais gosto, na segunda parte do livro, quando os dois retomam as coisas, quando ele a ajuda a não se levar assim tão a sério.&lt;br /&gt;Mas que ela fica mesmo parecida com Camille Claudel, nessa cena da deambulação, isso eu acho. E pelo jeito ela mesma acha, diz que se sente irmã de Camille Claudel, e pensa em Mathieu como o rio-Rodin, correndo, indiferente.&lt;br /&gt;Amor e loucura andam mesmo sempre juntos.&lt;br /&gt;Bom, era pra matar um pouco a saudade de meus personagens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-3436661369761132011?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/3436661369761132011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/artistas-do-romance-rodin-e-camille.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3436661369761132011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3436661369761132011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/artistas-do-romance-rodin-e-camille.html' title='Artistas do Romance. Rodin e Camille Claudel: uma lembrança de Yasmina e Mathieu'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9S-OikHu_I/AAAAAAAAAJg/AW3yxvqg7Ro/s72-c/300px-AUGUST_RODIN_O_beijo_(detalhe)+preferida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6545973584103743849</id><published>2010-04-25T12:44:00.000-03:00</published><updated>2010-04-25T12:44:38.645-03:00</updated><title type='text'>Pausa. (re)construção: a vida como ela é</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9RSzVOOSZI/AAAAAAAAAJY/7xf2BfeLudU/s1600/4048758210_9183ec8481reconstru%C3%A7%C3%A3o.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9RSzVOOSZI/AAAAAAAAAJY/7xf2BfeLudU/s320/4048758210_9183ec8481reconstru%C3%A7%C3%A3o.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Logo que olhei para essa foto, quando cheguei pela primeira vez no atelier da Carolina Kazue, minha amiga fotógrafa, senti uma imensa alegria. Era como se eu reencontrasse algo de muito grandioso, do qual nenhum discurso daria conta para mim. E continuo achando isso, cada vez que a observo. Não paro de&amp;nbsp;construir e reconstruir hipóteses sobre o que poderia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje, olhando pra ela, lembrei de um enorme palhaço em esferas coloridas, que minha filha montava e desmontava quando era bebê. Ela ficava concentradíssima catando a esfera certa para colocar na sequencia, até o palhaço ficar pronto. Uma vez terminada sua construção, ela dava um soco nele e derrubava tudo. Então ria às gargalhadas, e começava tudo de novo. Era seu momento lúdico mais intenso, quando brincava com esse palhaço, entre a gravidade da busca da esfera certa&amp;nbsp;, o prazer daquela anulação e o encantador recomeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais ou menos isso o que vivo todos os dias atrás do divã&amp;nbsp;com meus pacientes. A cada sessão, eles de alguma forma sempre dizem: ´´não sei por onde começar´´. Até que a betoneira do desejo desencadeia neles uma multidão de imagens. As imagens viram palavras, com as quais eles vão montando e desmontando suas hipóteses sobre a vida que viveram e a que estão por viver. E precisa muito soco na construção, muita coragem para continuar buscando a próxima peça, até conseguir dar uma boa risada de alguma excessiva certeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois nada nos escraviza mais do que excessivas certezas encobridoras do caos a partir do qual podemos reinventar a vida todos os dias. Sofremos todos de uma monstruosa&amp;nbsp;crença no ideal. Queremos nos ver em uma cena sem furos, sem paredes descascadas, sem confusão nenhuma. Chegamos ao&amp;nbsp; cúmulo de idealizar o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem ele tem o direito de provocar estragos em nossa cena: o tempo ideal é o que nada desgasta, nada&amp;nbsp;destrói, tudo conserva. E assim guardamos feito relíquias todas as nossas dores. Somos tão apaixonados por nossa tristeza que fazemos de tudo pra ela não terminar. Se precisar, até comprimidinhos pra fingir uma alegria a gente toma, mas abrir a caixa preta da tristeza.... nem pensar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muita confusão de imagens, de busca de afetos perdidos, de desilusão com as palavras, de certezas derrubadas. Colocar uma betoneira dessas em ação, é reatar os laços da morte com a vida. Afinal, é disso que somos feitos, de morte e de&amp;nbsp;vida, nenhuma das duas existe sem a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre suportamos destruir o palhaço colorido que construímos rigidamente e fazer desse mesmo objeto um outro. Ficamos petrificados, olhando para as peças que empilhamos com perfeição, com precisão, uma encaixada na outra, mantendo nossa cena ideal de pé. A vida que se dane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a alegria que essa foto da Carolina Kazue desperta em mim&amp;nbsp;é a mesma que sinto quando vejo cada paciente que começa uma análise dizer: ´´não sei por onde pegar, não sei por onde começar, é muita confusão...´´. Quando escuto isso, sei que a betoneira já está funcionando, e que algum dia ele vai poder rir de si mesmo, porque a vida é sempre urgente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6545973584103743849?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6545973584103743849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-reconstrucao-vida-como-ela-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6545973584103743849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6545973584103743849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-reconstrucao-vida-como-ela-e.html' title='Pausa. (re)construção: a vida como ela é'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9RSzVOOSZI/AAAAAAAAAJY/7xf2BfeLudU/s72-c/4048758210_9183ec8481reconstru%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5333267557217173406</id><published>2010-04-23T01:57:00.000-03:00</published><updated>2010-04-23T01:57:14.084-03:00</updated><title type='text'>Os Artistas do Livro(VI):  Suíte para violoncelo solo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9EddjCkjrI/AAAAAAAAAJQ/x_uKu8fTDXs/s1600/P1000739.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9EddjCkjrI/AAAAAAAAAJQ/x_uKu8fTDXs/s320/P1000739.JPG" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O dia&amp;nbsp;&amp;nbsp;em que a minha filha&amp;nbsp;nasceu, 28 de julho de 1989,&amp;nbsp;foi o&amp;nbsp; mais importante da minha vida. E desde então, todos os dias com&amp;nbsp;ela foram os mais importantes da minha vida. No dia em que ela casou , em Paris, isso se potencializou. Naquele&amp;nbsp;13 de julho de 2009, mais do que nunca eu agradeci&amp;nbsp;à minha mãe pela vida que me deu. Graças a ela, eu pude colocar a&amp;nbsp;minha filha&amp;nbsp;nesse mundo. Por isso dedico ´´&lt;strong&gt;A invenção do sentimento´´&lt;/strong&gt; às duas.&lt;br /&gt;E minha gratidão de filha era também uma gratidão de mãe. Vendo minha filha casar com alguém tão especialmente sensível e digno dela, eu&amp;nbsp;&amp;nbsp;pensei: foi assim com minha mãe, foi assim comigo, e que bom, obrigada, filha, por ser fiel à sua linhagem feminina. Pois meu pai era um homem como poucos: terno, amoroso, com muito cuidado pelos que amava. O pai da minha filha é um homem particularmente sensível, e como eu sempre digo, um homem de verdade, que jamais abre mão da verdade. Então, minha criança, como eu, teve uma boa escola do amor, por isso conseguiu encontrar e se deixar encontrar por aquela pérola de homem com quem ela se casou ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca imaginei que uma cerimônia de casamento civil pudesse ser tão bonita. Era realmente uma celebração solene de um dos mais importantes atos humanos, depois do nascimento. Só de olhar a prefeita entrando na sala de cerimônias, sorrindo, com aquela faixa da bandeira francesa em seu peito, a gente já ouve a &lt;em&gt;Marseillaise &lt;/em&gt;misturada com a marcha nupcial. E ainda por cima, minha filha, que é uma violoncelista apaixonadíssima,&amp;nbsp;fez questão de pintar as claves do violoncelo nas suas costas para a cerimônia do casamento. Eu olhava tudo aquilo acontecendo, naquela sala lindíssima, com tanta gente bonita em volta, um monte de amigos, na maioria artistas, como os noivos ( o marido de minha filha é diretor de cinema) e queria me beliscar para saber se era sonho ou realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E&amp;nbsp;quando olhei para essa cena da foto, me veio à memória todo o ´´fundo musical´´ da infância e da vida da minha&amp;nbsp; menina: a&amp;nbsp;&lt;em&gt;Suíte para violoncelo solo&amp;nbsp;número 1&lt;/em&gt;, de Bach&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao Brasil, eu só podia escrever um conto com esse título. Pois afinal, é um livro de agradecimento aos artistas que encontrei na minha vida, e entre eles, minha filha é a artista que mais me ensinou a viver. Também pudera, tendo um mestre como Bach...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5333267557217173406?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5333267557217173406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livrovi-suite-para.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5333267557217173406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5333267557217173406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livrovi-suite-para.html' title='Os Artistas do Livro(VI):  Suíte para violoncelo solo'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S9EddjCkjrI/AAAAAAAAAJQ/x_uKu8fTDXs/s72-c/P1000739.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-8563023166262637401</id><published>2010-04-21T20:53:00.000-03:00</published><updated>2010-04-21T20:53:12.806-03:00</updated><title type='text'>Os Artistas do Livro (V): uma antiga história de Amor entre leitora e personagem</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S8-DIqcuZmI/AAAAAAAAAI4/mXFZgkASXns/s1600/4425586212_63156ab3cf+pesadelo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S8-DIqcuZmI/AAAAAAAAAI4/mXFZgkASXns/s320/4425586212_63156ab3cf+pesadelo.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quando eu olho para essa bela mulher de costas, chego a ver a cena&amp;nbsp; inicial do último conto do meu livro. Só que ela é vista, digamos, pela narradora. A personagem a vê de frente, em seu pesadelo com a mulher que chega com muitas cordas na mão. Aliás, ela parece mesmo ´´pura corda´´ tramada&amp;nbsp;&amp;nbsp;em seu corpo. E é bem assim, a personagem da personagem. Quer dizer, a mulher que regularmente visita a personagem enquanto ela dorme, a personagem dos pesadelos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto é da Carolina Kazue, minha artista-mor do livro. sem ela o livro seria uma sequencia de narrativas nas quais faltaria a pulsação das imagens. Claro que&amp;nbsp;o leitor sempre faz pulsar a imagem do texto, mas é muito bom ver o olho de um artista captar essa pulsação, adivinhá-la no leitor e assim, em uma espécie de ´´piscadinha de olho´´ em cumplicidade, dizer a ele: ´´eu também´´.&amp;nbsp; Foi isso o que a Kazue fez, e que todos os artistas do livro fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em leitor e em personagem, a modelo dessa foto é a&lt;strong&gt; Ana Cristina Teixeira&lt;/strong&gt;, uma colega psicanalista de quem gosto muito. Conheci a Ana em 2008, em um grupo de estudos clínicos. Sempre me&amp;nbsp; chamou a atenção o gosto dela pela leitura, e em seguida descobri também sua sensibilidade literária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela época, eu estava escrevendo o meu primeiro romance, a história de Yasmina e Matthieu. Quando terminei, antes de entregá-lo a meus editores, passei ele para algumas pssoas do meu entorno, na psicanálise, lerem. Entre elas, estava a Ana. Até hoje tenho a impressão que algumas pessoas se incomodaram com aquele pedido de leitura e que&amp;nbsp;minha angústia de autora me tornava quase inconveniente para minhas colegas, tão cheias de coisas para ler. Meu superego ficou me chingando um tempão por isso, até que um dia, recebi um email da Ana falando de sua impressão de leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Outras pessoas, do mundo literário, já me haviam retornado sua leitura e eu sabia que o livro tinha sido bem lido por elas, eram opiniões confiáveis e&amp;nbsp;alentadoras da minah angústia, haviam gostado do livro. Mas foi&amp;nbsp;a opinião da Ana que&amp;nbsp;me devolveu o sono perdido naquela época. Era uma leitura&amp;nbsp; rigorosamente sincera, ela havia ´´entrado na pele´´ de meus personagens e me falava deles com uma intimidade que me parecia até mesmo muito maior do que a minha.&amp;nbsp; Foi quando descobri que o livro já não me pertencia mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois justamente, esse último conto, é a história de uma autora angustiada, e a personagem, é a Yasmina, novamente. Aliás, ela e Matthieu voltam em vários contos. Obviamente, a Ana foi a primeira leitora de cada conto que está no livro, e eu fui tão cruel com ela que até mesmo as inúmeras versões que fiz de cada um, passei pra ela ler. O retorno certo de sua sensibilidade literária, no fundo, foi o que me fez ir em frente com a coletânea. E vejam só, ela se apaixonou por este último conto: &lt;strong&gt;Antiga história de Amor.&lt;/strong&gt; A tal ponto que estamos, eu e ela&amp;nbsp;começando um grupo de estudos dos temas que aparecem no conto. Ela, como sempre, está, como dizia meu pai de mim:&lt;em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;comendo os livros com farofa..&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma daquelas escaldantes&amp;nbsp;manhãs de fevereiro, a Carolina Kazue me despertou. Me telefonava do&amp;nbsp;Farol de Santa Marta, me dizendo: ´´Maria&amp;nbsp;!!! Li o último conto ontem á noite! Me apaixonei!&amp;nbsp;Preciso fazer uma foto pra ele, preciso fazer a foto da mulher com as cordas, já a vejo diante de mim!!!´´ Eu, meio dormindo, fiz um ato falho de autora, confundindo a Yasmina com a personagem de seu pesadelo e lhe respondi: ´´Ha! Já sei, vou falar com a Márcia Mota, minha amiga atriz, ela pode ser o modelo, já encarnou a Yasmina no palco do teatro, lá na feira do Livro!´´. E cheguei mesmo a passar uma mensagem pelo orkut pedindo&amp;nbsp;à Márcia pra encarnar novamente a Yasmina, desta vez em fotografia.&amp;nbsp;Ela, muito querida, imediatamente respondeu que sim, era só eu marcar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas depois, eu tomava um café e me dava conta que a ´´mulher das cordas´´ não era a Yasmina, e que a Ana tinha o corpo e os olhos perfeitos, de mulher e leitora, para encarnar a personagem da personagem, sabia todos os segredos de cada linha do conto. Bom, o resultado está ai, e lá no livro, com a foto de frente. Até eu, quando olho pra ela, me sinto a própria Yasmina de olhos arregalados e com a espinha arrepiada, entre o encantamento e o horror de&amp;nbsp;ver entrando&amp;nbsp;alguém tão parecida com ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês hão de convir comigo que é uma antiga história de Amor entre leitor e personagem, o que eu acabei de contar, e do qual resultou essa bela foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva a &lt;em&gt;mimesis!!!&lt;/em&gt;&amp;nbsp; Viva a arte!!E obrigada, Ana!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-8563023166262637401?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/8563023166262637401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-v-uma-antiga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/8563023166262637401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/8563023166262637401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-v-uma-antiga.html' title='Os Artistas do Livro (V): uma antiga história de Amor entre leitora e personagem'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S8-DIqcuZmI/AAAAAAAAAI4/mXFZgkASXns/s72-c/4425586212_63156ab3cf+pesadelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-8000562183924584277</id><published>2010-04-20T21:45:00.000-03:00</published><updated>2010-04-20T21:45:06.383-03:00</updated><title type='text'>Pausa: Don Juan, um inconformista revoltado</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S85Hky-hiHI/AAAAAAAAAIw/eRnTL6GzJ-Y/s1600/490px-Max_Slevogt_Francisco_d%2527Andrade_as_Don_Giovanni.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S85Hky-hiHI/AAAAAAAAAIw/eRnTL6GzJ-Y/s320/490px-Max_Slevogt_Francisco_d%2527Andrade_as_Don_Giovanni.jpg" width="262" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Adoro esse&lt;strong&gt; Don Giovanni &lt;/strong&gt;de&amp;nbsp; Max Slevogt, do impressionismo alemão. Slevogt era apaixonado por essa ópera de Mozart, e particularmente pela atuação desse barítono, o Francisco de Andrade, pintou ele várias vezes no palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um Don Juan viril, corajoso, brigão. Mozart explorou bem essa face contestadora e revoltada de Don Juan. Chegou a fazer dele mesmo um revolucionário, um apagador de diferenças sociais.&amp;nbsp;Bom, foi logo depois das ´&lt;strong&gt;´Bôdas do Fígaro´´, &lt;/strong&gt;que ele tomou do insolente Beumarchais para afzer sua criação musical. E essa peça de Beaumarchais foi o ponto de ´´démarrage´´ do processo da Revolução Francesa. Além disso, Mozart e seu&lt;strong&gt; Don Giovanni&amp;nbsp; &lt;/strong&gt;eram muito parecidos, dois irreverentes inconformistas, além de dois apaixonados pela beleza.&lt;br /&gt;Bem diferente da figura afeminada dos rídículos marqueses, com as quais sempre nos mostram Don Juan. Resta saber se os Don Juans de hoje em dia são parecidos com esse que Mozart e&amp;nbsp;Slevogt&amp;nbsp; nos deixaram - a partir de Molière -, ou são mais parecidos com certos marqueses... Questão que o personagem do meu conto não deixa passar em branco. Eta homenzinho peitudo, esse Don Juan!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-8000562183924584277?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/8000562183924584277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-don-juan-um-inconformista.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/8000562183924584277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/8000562183924584277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-don-juan-um-inconformista.html' title='Pausa: Don Juan, um inconformista revoltado'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S85Hky-hiHI/AAAAAAAAAIw/eRnTL6GzJ-Y/s72-c/490px-Max_Slevogt_Francisco_d%2527Andrade_as_Don_Giovanni.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-2749582412566523075</id><published>2010-04-20T21:26:00.000-03:00</published><updated>2010-04-20T21:26:40.071-03:00</updated><title type='text'>Pausa: Mais um pouco de Don Juan</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S85EjVLvPcI/AAAAAAAAAIo/5Z9XWngoWlM/s1600/800px-La_Barque_de_don_Juan_%2528Delacroix%2529.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S85EjVLvPcI/AAAAAAAAAIo/5Z9XWngoWlM/s320/800px-La_Barque_de_don_Juan_%2528Delacroix%2529.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;´´La Barque de Don Juan´´, ou ´´Le nauffrage de Don Juan´´, de Éugène Delacroix, me parece uma das mais intensas representações da desventura masculina desse nosso mito atemporal. Mas acho também que esta tela do Delacroix também é atemporal, e&amp;nbsp;não apenas porque é uma obra-prima de um dos maiores artistas do Romantismo francês, mas também pelo que ela tem de atual. Impossível não olhar pra ela também com olhos de psicanalista, pensando no que alguns consideram a ´´crise da masculinidade´´ contemporânea. Meu Zeus, que barco mais cheio de realidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-2749582412566523075?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/2749582412566523075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-mais-um-pouco-de-don-juan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/2749582412566523075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/2749582412566523075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-mais-um-pouco-de-don-juan.html' title='Pausa: Mais um pouco de Don Juan'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S85EjVLvPcI/AAAAAAAAAIo/5Z9XWngoWlM/s72-c/800px-La_Barque_de_don_Juan_%2528Delacroix%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6998413681429481546</id><published>2010-04-20T00:33:00.000-03:00</published><updated>2010-04-20T00:33:41.793-03:00</updated><title type='text'>Pausa: Ruth e Booz segundo Marc Chagal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S80eN3hti0I/AAAAAAAAAIg/A-9Z8th49aA/s1600/ruth%26boa+O+chap%C3%A9u+de+Ruth.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S80eN3hti0I/AAAAAAAAAIg/A-9Z8th49aA/s400/ruth%26boa+O+chap%C3%A9u+de+Ruth.jpg" width="300" wt="true" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;O encontro de Ruth e Booz&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa obra-prima de Marc Chagall me fascina, me faz acreditar cada vez mais que podemos mesmo ´´nos espelhar´´ (como diz uma de minhas personagens) nas obras de arte. É muito parecido com o encontro de cada homem com&amp;nbsp; cada mulher, todos os dias, desde os tempos ´´muito antigos´´ (diz Victor Hugo ). É uma espécie de ´´ballet´´ do desejo, o que um homem e uma mulher vivem quando se encontram assim, e celebram o erotismo, a falta que um&amp;nbsp;faz ao outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6998413681429481546?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6998413681429481546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-ruth-e-booz-segundo-marc-chagal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6998413681429481546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6998413681429481546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-ruth-e-booz-segundo-marc-chagal.html' title='Pausa: Ruth e Booz segundo Marc Chagal'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/S80eN3hti0I/AAAAAAAAAIg/A-9Z8th49aA/s72-c/ruth%26boa+O+chap%C3%A9u+de+Ruth.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-4182651950356557752</id><published>2010-04-18T20:40:00.000-03:00</published><updated>2010-04-18T20:40:36.940-03:00</updated><title type='text'>Os Artistas do Livro (IV). Don Juan: um menino ou um homem?</title><content type='html'>Muito difícil, saber se Don Juan é um homem ou um menino. Sempre digo que ele é um eterno menino, mas fico confusa com isso, pois também ele é um homem capaz de provocar descentramentos incríveis. Na verdade, se lemos bem todas as versões deste mito, é ele quem faz com que suas belas percam a inocência, se tornem mulheres. É com ele que elas saem da infância. E não apenas elas, todo mundo ´´se distorce´´ depois de encontrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já estava há muito tempo&amp;nbsp;tentando dialogar com Don Juan para conhecê-lo melhor, quando fui para a Sorbonne fazer meus estudos de letras. No programa do último ano, lá estava ele, esperando por mim. Parecia que tínhamos mesmo marcado aquele encontro em Paris. Passei com ele muitos dias na biblioteca e muitas noites em claro, tentando entendê-lo. Até hoje ele é alguém ainda muito enigmático, mas cada vez mais fascinante. Não consigo me livrar dele facilmente, mesmo depois de todo o esforço retórico para aquela dissertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra vocês terem uma idéia, muitos anos depois dessa temporada com ele na França, ele veio me reencontrar aqui, na Associação Psicanalítica de Porto Alegre,&amp;nbsp;em plena preparação de um congresso de psicanálise. Estudávamos o tema da Angústia na clínica, mais precisamente o Seminário X de Jacques Lacan, objeto temático daquele congresso em 2007. É com ele que Lacan tenta nos explicar como é que o desejo feminino se organiza. Então me encarreguei de apresentá-lo a meus colegas, já que me sentia tão íntima deste menino-homem atemporal e desconcertante.&amp;nbsp;Em seguida, preparei um artigo para uma publicação da APPOA, cujo título era: &lt;strong&gt;Don Juan: um sonho feminino. &lt;/strong&gt;Pensei: ´´Agora sim, chega de Don Juan´´. Mas não, ele continua querendo muita conversa comigo, por vezes não me deixa dormir sossegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me aflige é como o pobrezinho é mal falado, mal compreendido. Ouço tantos absurdos sobre ele, tanta impostura feita em nome dele, que fico profundamente angustiada, me sinto no dever de falar de minha intimidade com ele, talvez para que as pessoas não digam tanta tolice a seu respeito, pelo menos para mim.&lt;br /&gt;Uma madrugada, depois de terminar de escrever ´&lt;strong&gt;´O chapéu de Ruth´´&lt;/strong&gt;, que é&amp;nbsp;uma história de amores generosos,&amp;nbsp;fui dormir, e ele veio me encontrar. Tivemos uma enorme conversa, ele até discutia comigo aquele artigo para a APPOA, e me agradecia por eu gostar de contar suas desventuras. Fiquei surpresa, acordei perplexa, nunca pensei em Don Juan assim, como alguém que vive desventuras, sempre falei de suas aventuras. Mas também me dei conta que ele tinha razão. No fundo, sua vida é uma grande desventura masculina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;O que eu acabara de escrever era mesmo uma história do encontro dos homens e das mulheres, adoro a figura de &lt;strong&gt;Bozz e de Ruth&lt;/strong&gt;, na&lt;strong&gt; Bíblia de Jerusalém&lt;/strong&gt;, e &lt;strong&gt;Victor Hugo&lt;/strong&gt; me convenceu, com seu ´´&lt;strong&gt;Booz endormi´´, &lt;/strong&gt;a escrever aquele conto ( coisa de discípula de Roland Barthes, o ´&lt;strong&gt;´Prazer do Texto&lt;/strong&gt;´´me dá vontade de escrever outro texto ).&amp;nbsp;&amp;nbsp;Parecia que Don Juan tinha vindo me encontrar, naquela noite, exatamente para me dizer por onde continuar a escrever minha coletânea de contos. Se eu queria falar da ´&lt;strong&gt;´Invenção do Sentimento´´&lt;/strong&gt;, só me restava assumir que o prazer de ler Don Juan ainda era enorme, ainda me dava vontade de escrever sobre ele, e ele tinha muito a dizer sobre os sentimentos, sobre a complicação dos amores. Por isso escrevi ´&lt;strong&gt;´Desventuras de Don Juan´´.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sandra Rosária já havia mandado de São Paulo sua linda Ruth, e eu ainda não tinha uma ilustração para Don Juan, que era o conto seguinte. Cheguei a pensar em pedi-la ao Léo, meu jovem amigo, mas rapidamente me dei conta que ele talvez nunca mais me perdoasse, fazê-lo ler, aos doze anos, uma desventura masculina tão grande como a de Don Juan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando conheci o&lt;strong&gt; Antonio Albino Maciel&lt;/strong&gt;, este artista plástico maravilhoso e surpreendente. Foi numa janta na casa-atelier de Carolina Kazue. Ele é professor dela de desenho, e ela me havia sugerido que eu passasse o conto para ele ilustrar. Antonio estava por lançar um lindo livro de literatura infantil que ele havia ilustrado, cuja autora dos textos é a&lt;strong&gt; Valesca de Assis&lt;/strong&gt;. Chegou com o livro para nos mostrar: ´&lt;strong&gt;´Um dia de Gato´´&lt;/strong&gt;, verdadeira obra-prima. Fiquei até encabulada de lhe passar o conto, achei que talvez fosse pedir demais, querer que ele o ilustrasse para mim. E também lhe passei ´´O chapéu de Ruth´´, nem me lembro mais por qual motivo. Dias depois, jantamos novamente juntos, e ele me passou uma colagem belíssima, dando conta de sua leitura sensível do mito de Don Juan. Impressionante, ele conseguiu dar ênfase ao papel de&lt;strong&gt; Mozart&lt;/strong&gt; na trajetória do mito, do verdadeiro salvamento do esquecimento eterno que a música deu a Don Juan com a&amp;nbsp; ópera ´&lt;strong&gt;´Don Giovanni´´&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;, ponto essencial na narrativa do conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas&amp;nbsp;a figura masculina do&amp;nbsp;Antônio me intrigava, eu achava ele parecido com&amp;nbsp; algum dos meus pesonagens. Naquela noite em que ele me entregou a colagem, sobressaltei quando constatei que ele me lembrava &lt;strong&gt;Booz&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;E para completar, a Carolina Kazue me diz, no dia seguinte: ´´Maria (sou Maria Rosane, ela gosta de me chamar de Maria),&amp;nbsp;Tu não achas que a&amp;nbsp;Ruth está muito sozinha naquele trabalho lindo da Sandra? Não te parece que falta ali o seu Booz?´´. Concordei, e imediatamente disse a ela que&amp;nbsp;o Boooz mais perfeito para estar ali era o Antônio. Ela falou com ele, e ele topou ser o modelo para o personagem. E assim, de autor-artista-leitor, ele passou a modelo encarnado de &lt;strong&gt;Booz&amp;nbsp;sonhando com Ruth,&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;que &amp;nbsp;a arte da Carolina, mais uma vez, soube lindamente retratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um luxo só, ter no meu livro, além daquela bela colagem do Antonio&amp;nbsp;Maciel, a figura dele olhando oniricamente para a Ruth de Sandra, sonhando com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim, Don Juan sempre me deu sorte, por isso gosto tanto dele. Tomara que os leitores gostem tanto quanto eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-4182651950356557752?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/4182651950356557752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-iv-don-juan-um.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4182651950356557752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/4182651950356557752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-iv-don-juan-um.html' title='Os Artistas do Livro (IV). Don Juan: um menino ou um homem?'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-618680395816530840</id><published>2010-04-17T18:50:00.000-03:00</published><updated>2010-04-17T18:50:47.966-03:00</updated><title type='text'>Pausa: O rosto da mulher nos últimos 500 anos de arte</title><content type='html'>Na internet dá de tudo. A gente recebe e-mails completamente tolos ou mesmo desagradáveis, com envios de imagens que são verdadeiro lixo digital Incomoda. Fico sempre me perguntando se essas pessoas não têm mais o que fazer de&amp;nbsp;suas vidas além de entupir nossas caixas de correio com tamanhas asneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre me cuido para não cair na tolice ainda maior, a de bancar a intelectual ocupada demais para visualisar coisas na internet ou enviar belas coisas aos amigos. Pois é, anda meio na moda. Tem muita gente que faz como antigamente se fazia quando se ia contar um programa de TV (intelectuais têm vergonha de ver TV): ´´Eu ia passando pelo quarto da minha vó, e ela estava vendo isso...´´, ou ficam quase furiosos quando a gente recomenda algo de bom no Youtube, acham de última. Vai ver eu é que não me dou conta que o Olimpo deles é mesmo muito agitado, são deuses muito atarefados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém me envia, ou quando eu descubro alguma coisa boa no Youtube, por exemplo, faço questão de comentar e de enviar aos amigos, ou reenviar belas coisas que recebo por e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da minha agenda clínica (graças a Zeus!) ser sempre lotada, de eu ter que me virar em várias para dar conta de minhas pesquisas em psicanálise, das traduções que me confiam, dos livros que quero e preciso ler, de conviver com a família e com os amigos e ainda arranjar tempo para escrever meus livros, não abro mão da internet. Os intelectuais olímpicos que&amp;nbsp;me desculpem, e não faz mal que me achem desocupada, sem ter mais o que fazer, sou uma simples mortal que nem&amp;nbsp; televisão tem&amp;nbsp;em casa, mas curto, sim, as coisas boas da internet. Aliás, sou tão de boa fé com ela que até escrevi um romance epistolar eletrônico, lembram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse introito, para recomendar a vocês uma ´´obra-prima digital´´ que dá conta de como foi representado o rosto da mulher nos últimos 500 anos de arte. E olhem, recebi isso de uma das pessoas que mais trabalha, entre as que conheço. Gostei tanto que me dei ao trabalho de traduzir o pequeno texto que acompanha o site, no envio, pois está em francês. Confiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.artgallery.lu/digitalart/women_in_art.html"&gt;http://www.artgallery.lu/digitalart/women_in_art.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto é o seguinte: ´´&lt;em&gt; O vídeo &lt;strong&gt;Women in Art&lt;/strong&gt;, realisado por Philip Scothh Johnson, é um hino impressionante consagrado à história da arte através da imagem da mulher. A música é de Yo-Yo-Ma tocando a &lt;strong&gt;Sarabanda da Suíte para Violoncelo Solo n. 1, de Bach&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este vídeo, copiado por numerosos sites video-colaborativos, criou uma verdadeira euforia na web! Somente pelo Youtube, ele foi visualisado por mais de 5,3 milhões de visitantes e suscitou mais de 10.000 comentários, em dois meses. O número de visualisações atingiu 10 milhões, na metade de 2009. O vídeo é referenciado em centenas de blogs do mundo inteiro. Este vídeo é uma verdadeira obra-prima digital no que diz respeito á mestria técnica e&amp;nbsp;à criatividade artística[...].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] &lt;em&gt;É dedicado aos noviços da internet.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isso, o essencial está aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara que ninguém fique com alguma inibição olímpica de acessá-lo. Tenho certeza que até Zeus ia gostar de vê-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-618680395816530840?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/618680395816530840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-o-rosto-da-mulher-nos-ultimos-500.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/618680395816530840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/618680395816530840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/pausa-o-rosto-da-mulher-nos-ultimos-500.html' title='Pausa: O rosto da mulher nos últimos 500 anos de arte'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-509332210393301276</id><published>2010-04-17T14:15:00.000-03:00</published><updated>2010-04-17T14:15:37.238-03:00</updated><title type='text'>Os artistas do livro (III): Ainda sobre o Unicórnio azul</title><content type='html'>Como freudiana que sou, não posso deixar de me lembrar do que dizia Freud sobre &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Escritores criativos e devaneios&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: o processo criativo é sempre um fenômeno da infância. O artista, nesse sentido, nada mais é do que um adulto que consegue preservar em sua subjetividade toda a capacidade de invenção que a infância lhe deu. Mistério que a psicanálise não consegue explicar, diz ele, pois se todos nós um dia fomos crianças, por que não nos tornamos todos artistas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a falar disso, porque já vou em seguida comentar o trabalho de um artista que admiro muito, o&lt;strong&gt; Leonardo Silvestrin&lt;/strong&gt;, de quem tenho o privilégio de ser amiga desde seu nascimento, há pouco mais de doze anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes, eu queria dizer algumas coisas que no texto anterior em deixei passar. É também sobre o infantil. Eu hesitei muito, antes de escrever aquela narrativa do &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Unicórnio Azul.&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;Pra falar a verdade, eu pensei em escrevê-la, mas jamais publicá-la. Afinal, se tratava de uma criança, e minha família poderia achar escandaloso, eu ficar bancando a poeta com o sofrimento de Priscilla, eu poderia expor demais aquela criança, e não queria isso. Até que em uma das tardes chuvosas de domingo, o &lt;strong&gt;Jorge Valente,&lt;/strong&gt; meu cunhado e avô materno de Priscillla, me perguntou por e-mail&amp;nbsp;por que eu não escrevia uma história sobre transplante de órgão em criança, um assunto tão importante com o qual os escritores deveriam se preocupar. O Jorge também escreve, e escreve coisas lindas. Aliás, um dos contos do livro - &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Singular melancolia &lt;/strong&gt;-&lt;/em&gt;&amp;nbsp;é inspirado em uma produção dele. Então me senti à vontade para dizer-lhe que eu havia esboçado a história de Priscilla, mas que temia que Aline se chocasse. Eu nada disse sobre a canção de Sílvio Rodriguez, e ele me respondeu: ´´Por que você não se inspira na canção de Sílvio Rodriguez, eu tenho certeza que Aline ia adorar que você escrevesse o conto´´(o marido de Aline, pai da Priscilla, é cubano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi. Depois de receber uma mensagem carinhosa e animada da Aline me dizendo que ia adorar que eu escrevesse, eu produzi o conto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu ia visitar minha amiga e colega Carla, eu ficava olhando para o Leonardo, filho dela, e me encantava com a sagacidade e a percepção precoces que ele tinha do mundo em que vivemos. É um pré-adolescente como poucos. Esculpe, desenha e escreve coisas incrivelmente impressionantes e belas, enquanto se diverte como qualquer garoto de sua idade. O Léo sempre foi assim, desde bem pequeninho, um guri ´´a milhão´´, com o olhar aguçado e uma&amp;nbsp;sensibilidade especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da aventura linda da minha amizade unicorniana com Sandra Rosária, eu queria mais um unicórnio, e que fosse produzido por uma criança. Pensava em pedir ao Leonardo, mas fiquei&amp;nbsp;com receio&amp;nbsp;que a leitura do conto lhe causasse algum mal-estar. Não deve ser fácil, para uma criança, se colocar na pele da minha pequena&amp;nbsp;narradora. Não tinha coragem, desisti do unicórnio dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vejam, só: Eu, não querendo desistir de ter um trabalho dele no meu livo, cheguei a falar com Carla pra me autorizarem, ela e o Ricardo, a&amp;nbsp; passar o conto &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Desventuras de Don Juan&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;para o Léo ilustrar. Afinal, ´´Don Juan´´ é um eterno menino. Reli o conto, e sabiamente&amp;nbsp;achei um absurdo, eu querer que um garoto de doze anos encarnasse Don Juan. Até que em algum momento, o Léo perguntou à sua mãe: ´´Afinal, a Rosane não ia me passar o conto do Unicórnio pra eu fazer um desenho?´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá está ele, ilustrando o final do conto, eternizando uma criação da infãncia com a delicadeza, a sutileza e a coragem que somente ele poderia ter, naquele Uncórnio azul&amp;nbsp;que dedicou à Priscilla. Além de grande artista, é um grande leitor, esse meu jovem amigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-509332210393301276?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/509332210393301276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-iii-ainda-sobre-o.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/509332210393301276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/509332210393301276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-iii-ainda-sobre-o.html' title='Os artistas do livro (III): Ainda sobre o Unicórnio azul'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6824019640440442506</id><published>2010-04-16T01:56:00.008-03:00</published><updated>2010-04-16T01:56:37.097-03:00</updated><title type='text'>Os artistas do livro (II): Unicórnios existem</title><content type='html'>Um dos contos da minha coletânea, se chama ´&lt;strong&gt;´O Unicórnio Azul´´.&lt;/strong&gt; É uma história de transplante&amp;nbsp;de órgão infantil que para mim foi muito forte, já que me inspirei na história de Priscilla, minha sobrinha-neta que vive no México. Vi nascer Aline, a mãe dela, quando eu era adolescente, e a coisa que mais me impressionava naquela menina, era o azul de seus olhos, tão expressivos e intrigantes. Diante de Aline, a gente ficava com vergonha de se sentir cansado ou triste, os olhos dela nos convocavam à alegria e ao movimento da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o drama de Priscilla, eu não sabia o que fazer para ajudar a ela nem à sua mãe, e nem mesmo conseguia rezar para que Aline tivesse coragem e força para enfrentar tudo aquilo com sua filhinha. Apenas conseguia ouvir um pouco Solange,&amp;nbsp;minha irmã, mãe de Aline, quando ela me telefonava do pais em que vive (EUA),&amp;nbsp;angustiada com a saúde de sua neta e com a aflição de sua filha, grávida de outra menina.&amp;nbsp;Até que em uma tarde de inverno, enquanto a chuva caía,&amp;nbsp;eu ouvia Sílvio Rodriguez cantando ´&lt;em&gt;&lt;strong&gt;´Mi unicórnio azul´´&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; e vi o rostinho de Aline, seus olhos azuis olhando para sua menina. Então tive certeza de que as duas juntas iam conseguir superar aquele pesadelo que estavam vivendo. Descobri, graças à minha filha, que sempre diz que a música é coisa celestial, que aquele era meu jeito de rezar: ouvir Sílvio Rodriguez cantando aquele poema do amor e da coragem, que eu conhecia desde a infância de Aline, em minha adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um momento da minha vida em que eu estava muito desestabilizada com a partida de minha filha para estudar em Paris. Dominique já estava há cinco anos na Argentina, e voltava à França, onde havia crescido, para fazer seus estudos superiores. Bom,&amp;nbsp; Buenos Aires não é aqui ao lado, mas a gente toma um ônibus&amp;nbsp;ou um avião e em breve chega lá. Paris é outra coisa, tem um oceano inteiro pra ser atravessado. Eu jamais poderia passar uma semana por mes&amp;nbsp;lá como fazia quando a Dominique estava em Buenos Aires, então estava completamente dividida. Ficava entre a alegria da glória materna, de ver sua criança ir para o mundo com tanta coragem, correndo atrás de seus sonhos e sendo acolhida onde acredita que eles estão, e a tristeza de não ter mais uma menina da qual se ocupar, cuidar e proteger. Sem contar que era apenas o segundo ano de minha vida de mulher divorciada, ainda&amp;nbsp;elaborando o&amp;nbsp;final de um casamento de quase vinte e&amp;nbsp; quatro anos. Confesso que em muitos momentos eu sentia aquilo que de maneira folclórica todo mundo diz quando está em situação aflitiva: ´´eu quero a minha mãe!!!!´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O drama de Aline e Priscilla me ajudou a não cair na armadilha da autocomiseração. Cada&amp;nbsp;vez que Solange me contava como as&amp;nbsp;coisas estavam indo com sua&amp;nbsp;filha e sua neta,&amp;nbsp;minha maior preocupação era saber se os olhos azuis de Aline ainda mantinham seu brilho.&amp;nbsp;Sempre que&amp;nbsp;minha irmã me perguntava como eu estava, eu tinha o sentimento forte da sinceridade quando lhe respondia: ´´Muito bem!´´.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fiquei sabendo que&amp;nbsp;Priscilla já estava fora de perigo, coincidiu com uma notícia maravilhosa de minha filha em sua carreira de violoncelista: ela ia ser a cellista de um grande ícone da canção francesa em seu próximo CD, com quem ia também passar mais de um ano percorrendo o mundo em tournées de concertos. Era muita coisa boa ao mesmo tempo, eu precisava rezar para agradecer à Fortuna tudo isso, e não sabia como.&amp;nbsp;Mais uma vez, foi Sílvio Rodriguez quem me deu o teor de minhas preces, com seu lindo poema do amor e da coragem. Também chovia, naquela tarde em que eu escutei ´´Mi Unicórnio azul´´ chorando de alegria.&amp;nbsp;O mínimo que eu podia fazer era homenageá-las: então escrevi o conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, eu precisava de imagens de unicórnios para ver qual seria a mais adequada para ilustrar o que eu havia escrito. Entrei na internet para pesquisar no Google, e encontrei muitas coisas esotéricas, todas muito distantes da sensibilidade de Aline, Priscilla e Dominque. Até que encontrei o blog de&lt;strong&gt; Sandra Rosária&lt;/strong&gt;, que dizia, em resposta a comentários elogiosos que as pessoas lhe haviam deixado sobre seus desenhos: ´´adoro unicórnios´´. E os unicórnios que ela desenhava eram mesmo muito belos. Nem pestanejei, escrevi a ela um e-mail lhe pedindo aquele unicórnio que eu havia visto, queria colocá-lo na abertura do conto. Ela me respondeu: ´´Fico feliz que você tenha gostado, mas este unicórnio não me pertence mais, já é&amp;nbsp;de uma cliente. Mas me envie o conto, eu vou ter prazer em desenhar outro especialmente para ele´´.&lt;br /&gt;Depois de ler&amp;nbsp;o conto, ela me confirmou sua intenção de desenhá-lo, ia ser seu presente para meu livro, ela havia gostado muito da história. Fiquei encantada com sua generosidade, e a convidei para tomarmos um café. Ela&amp;nbsp; me respondeu: ´´Eu adoraria, mas o trajeto seria muito longo´´. Fiquei&amp;nbsp; então sabendo que ela vivia em São Paulo, não dava mesmo pra tomarmos o café das tres da tarde. Mas já éramos amigas do peito, trocávamos mensagens regulares e muito carinhosas. Mais uma vez, o unicórnio me dava um presente: a amizade. E assim, convivendo com a alma de Sandra todas as noites com nossa troca de mensagens-cartas, eu fiquei à vontade para enviar-lhe também&lt;strong&gt; ´´O Chapéu de Ruth´´&lt;/strong&gt; e o ´&lt;strong&gt;´Réquiem para Sarah&lt;/strong&gt;´´, para os quais ela também produziu belas imagens a partir de sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa incrível, a imagem que ela produziu para ´´O chapéu de Ruth´´, é seu auto-retrato, e eu acho a cara da Ruth da Bíblia de Jerusalém, assim como a acho&amp;nbsp;a irmã gêmea de minha personagem-Ruth da narrativa, a Sofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o&amp;nbsp;mais incrível mesmo é que quando ela me enviou o arquivo com a imagem do retrato de Sarah, eu quase desmaiei. Escrevi este conto em homenagem à memória de uma grande amiga de Buenos Aires, que faleceu em outubro passado. E no conto, não há a menor descriçaõ física detalhada da personagem. Eu havia feito apenas pequenos comentários com Sandra sobre a personagem, e ela me envia uma verdadeira fotografia de minha amiga: mistérios unicornianos, com os quais minha&amp;nbsp; filha e seu pai, que também gostavam muito dessa amiga, também ficaram impressionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso tudo acontecia, Sandra teve um sonho e acordou aflita, na madrugada,&amp;nbsp;procurando por um unicórnio em platina que ela havia mandado fazer há mais de vinte e cinco anos e do qual havia se esquecido completamente.&amp;nbsp;O Paulo, seu marido, achou que ela estava sonâmbula. Mas não, não era isso. Sandra acabou encontrando o pingente do unicórnio e no dia seguinte&amp;nbsp;me enviou ele de presente pelo Cedex, junto com os originais das suas imagens. Obviamente, nunca mais o tirei de meu pescoço. E sempre que lhe escrevo, lhe envio ´´beijos unicornianos´´, ou então, beijo, ´´&lt;strong&gt;con mi cuerno de anil´´.&lt;/strong&gt; Além disso, sempre que tomo o café das tres da tarde, levanto minha xícara para brindar com ela à nossa amizade. Ora dessas vamos conseguir trocar um abraço unicorniano. Quem sabe no lançamento do livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viram só, como os Unicórnios existem de verdade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6824019640440442506?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6824019640440442506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-ii-unicornios.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6824019640440442506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6824019640440442506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-ii-unicornios.html' title='Os artistas do livro (II): Unicórnios existem'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-298529703448738130</id><published>2010-04-15T01:24:00.000-03:00</published><updated>2010-04-15T01:24:15.561-03:00</updated><title type='text'>Os Artistas do Livro (I)</title><content type='html'>Ontem comecei falando em me despedir de meu segundo livro, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A invenção do sentimento, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;uma coletânea de dez contos inspirada na exposição de arte que aconteceu em 2002&amp;nbsp;no &lt;em&gt;Musée de la Musique&lt;/em&gt;&amp;nbsp;em Paris,&amp;nbsp;com o mesmo nome: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;l´Invention du sentiment&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&amp;nbsp;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei isso de estar começando a me despedir do livro porque ele ficou pronto. Faltam apenas prefácio, orelhas e contra-capa para ele enfrentar o olho dos editores. Se algum deles topar publicá-lo, então termino mesmo de me despedir dele, como no&amp;nbsp;ano passado me despedi do romance. É uma experiência muito particular, isso de se despedir de um livro. Proust comparava a um parto, e tinha razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes eu também fico olhando para o livro pronto e me&amp;nbsp;perguntando: ´´meu bebê, estás pronto, será que&amp;nbsp;algum dia vou te ver nascer?´´&amp;nbsp; E é bem isso, o nascimento é nossa primeira grande despedida. Não pertencemos mais ao corpo de nossa genitora, quando chegamos ao mundo, e a cada dia nos perdemos mais um do outro, depois que somos colocados no mundo. Mas se é verdade que um parto nos assusta,&amp;nbsp;também é verdade que o medo de não conseguirmos colocar um livro no mundo é terrível. Talvez por isso muita gente prefira nem escrever, fazem de conta que são estéreis, que nada podem produzir, para não ter que enfrentar tamanho medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfrentei isso na mais pura solidão, quando escrevi o romance. Tal qual uma índia que vai para o meio da floresta parir, eu fiquei aqui, no fundo da minha caverna, aguentando sozinha todas as dores do engendramento, até o livro se perder de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também foi assim com o livro de contos, enquanto o escrevia. Mas quando terminei de escrevê-lo, achei que ainda não estava pronto, que muita coisa ainda estava&amp;nbsp;por ser dita, antes daqueles contos virarem um livro e saírem mundo afora. Então, para que não nascessem prematuros e incapazes de algum dia&amp;nbsp;andar com suas próprias pernas por falta de cuidado meu, entreguei-os à uma incubadora muito especial: a leitura dos artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira artista, foi a &lt;strong&gt;Carolina Kazue&lt;/strong&gt;, essa fotógrafa maravilhosa. Para que não pensem que é pura projeção minha, é possível conferir a beleza e a sensibilidade do trabalho dela, até o dia 2 de maio lá no Santander Cultural, no Festival da Fotografia de Porto Alegre. Tem um vídeo belíssimo, chamado ´´Anima´´, feito a partir de sua série de fotos ´´Dor´´, uma das quais&amp;nbsp;está na abertura&amp;nbsp;do penúltimo conto do livro (&lt;em&gt;Singular melancolia&lt;/em&gt;). E a Carolina não está no livro apenas com essa foto de abertura, pois rapidamente me dei conta que estava diante de alguém com um talento e uma sensibilidade estética raros. Então pedi a ela que se ocupasse de todo o tratamento das imagens do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a leitura do primeiro conto, a Carolina já tinha uma intimidade enorme com tudo o que eu havia escrito ali.. E como um artista nunca anda sozinho, ela se juntou ao &lt;strong&gt;Alessandro Oliveri,&lt;/strong&gt; esse músico e compositor talentoso como ela, e os dois juntos deram corpo ao livro. Ela na direção de imagens, ele no projeto gráfico e na composição do livro. Os dois trabalharam arduamente para que cada página do livro tivesse uma pulsação, um jeito único de se&amp;nbsp;movimentar diante do&amp;nbsp;olhar do leitor. E o melhor de tudo isso, é que eles, dois artistas, além de cuidarem da minha produção escrita, cuidaram também do trabalho de cada artista-leitor, tomados pela preocupação em nada perder do que cada imagem produzida tinha a dizer do texto&amp;nbsp;que&amp;nbsp;lhe dava origem. Para continuar aqui com a metáfora da gestação e do parto, o mínimo que posso dizer do resultado do&amp;nbsp;trabalho deles é que foi de uma imensa fecundidade em beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acabamento do livro foi um processo tão surpreendentemente bom e me ensinou tanta coisa, que eu não poderia deixar de contar aqui a história dele. Por isso vou ir contando aos poucos como foi que cada artista se tornou, comigo, co-autor dessa coletânea de contos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã conto a vocês como é que uma artista de São Paulo, a Sandra Rosária, entrou no livro. É uma&amp;nbsp;bela história de Unicórnios. Depois conto como foi a participação da&amp;nbsp;Éléna Moaty, de Paris, do JEREMIAH, também de Paris, e do Antônio&amp;nbsp;Albino Maciel, aqui de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a primeira vez que me acontece, isso de contar a&amp;nbsp;história de um livro, e estou&amp;nbsp;gostando muito, me ajuda a continuar a me despedir dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-298529703448738130?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/298529703448738130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/298529703448738130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/298529703448738130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/os-artistas-do-livro-i.html' title='Os Artistas do Livro (I)'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7591698765702389367</id><published>2010-04-14T02:29:00.000-03:00</published><updated>2010-04-14T02:29:37.237-03:00</updated><title type='text'>Arte: fidelidade eterna</title><content type='html'>Hoje comecei de verdade a me despedir de meu segundo livro, uma coletânea de contos que vai se chamar &lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Invenção do Sentimento.&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;Nem sei ainda se algum editor vai querer publicá-lo, pois é um livro um tanto esquisito: um livro escrito por mim e por alguns artistas. São dez contos, inspirados em uma exposição de arte que aconteceu em Paris em 2002, com este mesmo nome ´&lt;em&gt;l´Invention du Sentiment. &lt;/em&gt;Era no&lt;em&gt; Musée de la Musique, &lt;/em&gt;e a gente podia, enquanto apreciava as obras, fazer também um ´´percurso musical´´. Colocávamos o fonezinho no ouvido e viajávamos naquela dupla experiência estética. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu morei uns cinco anos em Paris, e fui a muitas exposições de arte, mas a que mais me marcou foi esta. Talvez porque era meu último ano de residência lá, foi apenas dois meses antes de meu retorno ao Brasil, nunca mais consegui me livrar do efeito daquelas telas e daquele percurso musical em mim. Essa exposição provavelmente vai ficar comigo &amp;nbsp;por toda a minha vida, e ainda bem, pois ela me ajuda a inventar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que a arte tem mesmo essa virtude: quando encontramos verdadeiramente uma invenção, nunca mais ficamos sozinhos. É assim como&amp;nbsp;quando lemos um livro que nos apaixona, ele é um companheiro para o resto da vida. Mesmo quando o esquecemos, mesmo quando o perdemos de vista, ele está sempre conosco, nos ajudando a ler melhor outros livros, a escolher melhor as pessoas com quem partilhamos nossas experiências, nossas leituras.&amp;nbsp;Depois de vermos um grande filme ou uma grande peça de teatro, nunca mais vamos ao cinema ou ao teatro mal acompanhados, escolhemos a dedo com quem ir ou preferimos ir sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais ouvimos grandes obras musicais com quem poderia bocejar enquanto as escuta. E desde minha geração, fui uma criança dos anos sessenta, a gente já escolhia os amiguinhos para brincar no pátio da escola conforme as músicas que sabiam cantar. Se eram muito ruins, sabíamos que não ia ser divertido. Na geração de minha filha, que hoje tem vinte anos, isso era ainda mais forte: as crianças tinham interesses comuns, e eles em larga medida se definiam a partir de um certo sentimento estético do mundo. E isso nada tem a ver com preconceito, é uma questão de cuidado, de critério, até para não impor ao outro a árdua empreitada de ter que nos aturar com nosso gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que no decorrer de nossas vidas, mudamos nossos gostos. Muitas vezes chegamos&amp;nbsp;à idade adulta sem entender como conseguíamos gostar de certas coisas na infância. É para isso mesmo que a arte existe, para educar nosso gosto, para nos fazer amadurecer em nossa exigência de prazer. Em nossa vida amorosa, sempre aderimos parcialmenet ou totalmente o gosto estético de nossos parceiros, e sempre aprendemos muito com isso, refinamos gradualmente nossa busca de prazer, desta vez partilhada. Quando essa adesão é falsa, o romance degringola. Acabamos dizendo algum dia: &lt;em&gt;´´devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu [....] Fico com o disco do Pixinguinha, sim, o resto é seu...[...] Já vou tarde´´.&lt;/em&gt; Não tem jeito, o amor é sempre uma cumplicidade estética, ou não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nossa educação, é uma educação dos sentimentos, da sensibilidade com o outro, com o mundo exterior. Nesse ponto, toda ética é uma estética, uma forma escolhida, um estilo assumido por cada um de nós em nosso jeito de resolver as coisas. Não é por nada que nossa língua coloquial gosta tanto de usar expressões como ´´Que feio!!´´ ou ´´Que bonito!!´´ para nossas atitudes, desde nossa tenra infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Aliás, pessoalmente, tenho uma grande dificuldade em entender o sentido do termo ´´arte-educação´´ ou ´´arte-educador´´, me parece o cúmulo da redundância, uma vez que a arte por si só já nos educa. Prefiro pensar, em minha ignorância sobre essa disciplina recentemente inventada, que se trate de alguma proposta reparadora de uma dramática precariedade da experiência estética no desenvolvimento de algumas pessoas. Pois se a arte não fizesse parte de nossa vida cotidiana, viveríamos em um mundo caótico, irrespirável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de pensar na experiência estética como uma viagem educativa ( ponto para os educadores). Mas no sentido&amp;nbsp; que se dava às viagens no século dezenove, quando as famílias mandavam seus filhos viajarem com seus preceptores para terras distantes, para o acabamento de sua educação, antes de ingressarem na idade adulta. Certo, mas na verdade, nossa educação só termina com nosso último suspiro.&amp;nbsp;E também,&amp;nbsp;um livro, um filme, uma exposição de arte, uma peça de teatro, uma música, nos fazem atravessar oceanos imensos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dizia Marcel Proust, a obra de arte nos dá acesso a mundos inacessíveis. É nossa aventura estética com o mundo o que nos leva a amar apaixonadamente alguém. Quando nos apaixonamos, nos sentimos tendo acesso a um universo ao qual apenas o ser amado pode nos levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso escolhi escrever uma coletânea de contos em homenagem aos artistas e à eterna fidelidade das artes à nossa sensibilidade. Os personagens de cada um desses contos&amp;nbsp;estão em constante intimidade com a arte. Ela é&amp;nbsp;inclusive co-personagem, participa e até mesmo decide o desenlace do drama que eles vivem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã&amp;nbsp; conto mais um pouco sobre o livro. Principalmente, sobre os artistas do livro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-7591698765702389367?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/7591698765702389367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/arte-fidelidade-eterna.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7591698765702389367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/7591698765702389367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/arte-fidelidade-eterna.html' title='Arte: fidelidade eterna'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-3274932296911934709</id><published>2010-04-11T03:25:00.000-03:00</published><updated>2010-04-11T03:25:20.756-03:00</updated><title type='text'>Em primeira pessoa</title><content type='html'>Este blog foi pensado, em um primeiro momento, como uma forma de convidar as pessoas a participarem da trajetória do meu primeiro romance, lançado em agosto de 2009, e que se encaminhava para a Feira do Livro. Mas já havia, nessa proposta, uma segunda intenção: a de criar um espaço onde fosse possível, para mim, falar do que escrevo, do que leio, e também&amp;nbsp;fazer desse espaço um lugar onde eu pudesse partilhar com as pessoas, todos os efeitos que&amp;nbsp;esses escritos e essas leituras deixam em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, me interessava, quando pensei na criação desse espaço virtual, poder partilhar e comentar textos que outras pessoas me enviam, discussões que tenho com elas sobre&amp;nbsp;a produção escrita,&amp;nbsp;não somente a minha,&amp;nbsp;mas também&amp;nbsp;a delas e a de outros autores, sejam eles clássicos, modernos ou contemporâneos. Minha paixão pelas artes&amp;nbsp;está incluída nessa intenção&amp;nbsp; de partilha, pois&amp;nbsp;a literatura nunca está sozinha&amp;nbsp;.&amp;nbsp;Por isso&amp;nbsp;a pintura, a escultura,&amp;nbsp;música, a ópera,&amp;nbsp;o teatro, o cinema, a fotografia, etc.., estão juntas nessa vontade de partilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que alguns achem um tanto incompreensível, alguém com tantas intenções demorar tanto tempo para postar alguma coisa em seu próprio blog. Mas é preciso que eu conte aqui um primeiro segredo: demorei&amp;nbsp;quase cinco meses para mais uma vez dizer algo neste blog, por pura inaptidão com a tecnologia. Não fosse a competência da Sabrina Santos, a jornalista que elaborou o blog,&amp;nbsp;e a de mais duas pessoas, o designer o e tecnólogo, que executaram tecnicamente&amp;nbsp;o que a Sabrina idealizou para o blog, não teria havido blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi essa minha inaptidão que assumi quando fiz questão de colocar o blog em terceira pessoa. Porque foi mesmo uma terceira pessoa que nele escreveu a meu respeito, que discutiu com seus parceiros o modo de exposição do que ela escrevia, a forma de apresentação das palavras, das&amp;nbsp;imagens, e mesmo dos&amp;nbsp;sons,&amp;nbsp;já que também há, no blog, um espaço musical&amp;nbsp; onde se pode escutar a ´´trilha sonora do romance´´ ( aventura da qual até mesmo a Dominique,&amp;nbsp;minha filha, &amp;nbsp;participou de Paris via internet). A Sabrina teve a inteligência e a sensibilidade e não trabalhar isolada, no seu canto. Ela soube buscar a colaboração certa no momento certo, coisa que só mesmo profissionais criativos e responsáveis pelo que criam sabem fazer. Por isso o blog ficou tão bonito (pelo menos eu achei, e mesmo lindo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse esforço dispendido, foi obviamente suscitado pela certeza de que as pessoas que acessariam o blog mereciam encontrar nele informações que não estivessem dissociadas da beleza, do cuidado e da justa medida. E nisso a Sabrina, na minha opinião, foi magistral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autoria de um trabalho é algo da ordem do sagrado. Tudo o que fazemos na vida, assinamos em baixo, ou não somos dignos de nosso próprio nome. E assinar com seu nome próprio o trabalho de um outro é sempre um ato delinquente, odioso demais para ser cogitado por qualquer pessoa, menos ainda por um escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso&amp;nbsp; me é prazeroso estar hoje aqui, comunicando a vocês, que acessarem meu blog, que a pessoa que escreveu e apresentou meu trabalho no blog até 13.11.2009 foi a Sabrina Santos. É muito bom falar dela assim, na terceira pessoa, com toda a admiração, carinho e gratidão que ela merece de minha parte. Obrigada, Sabrina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas olhem só, eu consegui aprender a usar um blog, e fazer novas postagens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado isso, pois afinal, meu romance tem até um subtítulo &lt;em&gt;´´retrouvailles on-line´´, &lt;/em&gt;que em português quer dizer &lt;em&gt;´´reencontros on-line´´, &lt;/em&gt;além de ser uma história de troca de cartas entre dois ex-amantes, pela internet, é um romance epistolar eletrônico. Daria pra pensar que a autora é plugadíssima, sabe tudo da internet, não é mesmo? Pois é, mas muitas vezes,&amp;nbsp;a ficção ´´nos leva no bico´´, a gente jura que ela é verdade. Bom, em muita coisa isso é certo... mas nem sempre. Na verdade, faz pouco tempo que descobri que meu computador não morde, e que posso me divertir com ele. Mas daí a ser uma ´´expert´´.... tem muito chão ainda pela frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso, saibam que de hoje em diante, é com meu mau-jeito tecnológico que vou escrever&amp;nbsp;neste blog, com&amp;nbsp;a maior&amp;nbsp;assiduidade possível, para falar, em primeira pessoa, de tudo o que estava incluído na minha intenção de inventá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de amanhã vou contar um montão de coisas aqui. Me aguardem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosane Pereira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-3274932296911934709?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/3274932296911934709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/em-primeira-pessoa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3274932296911934709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/3274932296911934709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2010/04/em-primeira-pessoa.html' title='Em primeira pessoa'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-9134891329298926809</id><published>2009-11-13T20:14:00.002-02:00</published><updated>2009-11-13T23:45:01.797-02:00</updated><title type='text'>Rosane autografa na Feira do Livro</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Logo após o sarau no domingo (08/11), Rosane Pereira autografou seu livro às 19h30, na Praça de Autógrafos da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Confira as fotos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4IQJCaLXI/AAAAAAAAAHs/K1M4bcdN3I8/s1600-h/DSC03355+corte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4IQJCaLXI/AAAAAAAAAHs/K1M4bcdN3I8/s320/DSC03355+corte.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4IkDRDk-I/AAAAAAAAAH0/hujroH-ieF4/s1600-h/DSC03353+corte.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4IkDRDk-I/AAAAAAAAAH0/hujroH-ieF4/s320/DSC03353+corte.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4IyseZUaI/AAAAAAAAAH8/_yl8LbLDW6Q/s1600-h/Rosane+frente.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="258" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4IyseZUaI/AAAAAAAAAH8/_yl8LbLDW6Q/s320/Rosane+frente.jpg" width="316" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4JaGyRYGI/AAAAAAAAAIE/xzWbQrb0QC0/s1600-h/DSC03360.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4JaGyRYGI/AAAAAAAAAIE/xzWbQrb0QC0/s320/DSC03360.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4J7SJHMgI/AAAAAAAAAIM/zJ8Ej0oAgHY/s1600-h/DSC03366.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4J7SJHMgI/AAAAAAAAAIM/zJ8Ej0oAgHY/s320/DSC03366.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4K_nORIMI/AAAAAAAAAIU/cOfIpNkUkpk/s1600-h/DSC03376.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4K_nORIMI/AAAAAAAAAIU/cOfIpNkUkpk/s320/DSC03376.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-9134891329298926809?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/9134891329298926809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/11/rosane-autografa-na-feira-do-livro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/9134891329298926809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/9134891329298926809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/11/rosane-autografa-na-feira-do-livro.html' title='Rosane autografa na Feira do Livro'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Sv4IQJCaLXI/AAAAAAAAAHs/K1M4bcdN3I8/s72-c/DSC03355+corte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-7415913552147506936</id><published>2009-11-11T11:54:00.011-02:00</published><updated>2009-11-11T23:42:09.189-02:00</updated><title type='text'>Sarau De Chico a Chopin lotou em sua estréia</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;No domingo (08/11) o Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo lotou com a apresentação do Sarau De Chico a Chopin, inspirado no romance Estranhos, Noturnos... e amantes &lt;i&gt;Retrouvailles on-line&lt;/i&gt;, de Rosane Pereira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Yasmina e Mathieu. Dois estranhos, de costas um para o outro. Ligados pela palavra, pela memória de sua relação amorosa. Assim os atores Márcia Mota e Paulo Gleich fizeram a leitura dramática dos personagens amantes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrCl2fTSDI/AAAAAAAAAGU/c1h_uKxW4F4/s1600-h/DSC03126.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrCl2fTSDI/AAAAAAAAAGU/c1h_uKxW4F4/s320/DSC03126.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;O clima do amor que eles viveram e tudo que caracterizava os seus encontros, ficou por conta, também, das músicas apresentadas. Elizabeth Jager, cantora, Luiz Mauro Pinto da Costa Filho, pianista, Paulo Henrique Muller, clarinetista, e Trio Chico (Pedro Gonzaga, Andrea Cavalheiro e Rodrigo Reinheimer) fizeram um repertório variado como foi a proposta do sarau, com canções de Chico Buarque, Tom Jobim, Jacques Brel, Billie Holliday até Chopin, entre outras músicas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrDGHJwUHI/AAAAAAAAAGc/RBszxsocXds/s1600-h/DSC03165.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrDGHJwUHI/AAAAAAAAAGc/RBszxsocXds/s320/DSC03165.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrDQR3GuxI/AAAAAAAAAGk/q9iP9bn_c30/s1600-h/piano+beth+yasmina.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrDQR3GuxI/AAAAAAAAAGk/q9iP9bn_c30/s320/piano+beth+yasmina.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrEFIsTT2I/AAAAAAAAAGs/xB4elqeLYUk/s1600-h/p%C3%BAblico.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrEFIsTT2I/AAAAAAAAAGs/xB4elqeLYUk/s320/p%C3%BAblico.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O público gostou tanto que sugeriu outras apresentações do sarau, o evento teve sua estréia na programação da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrEsoG6VII/AAAAAAAAAG0/26GQCccxVFM/s1600-h/morangos+silvestres.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="218" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrEsoG6VII/AAAAAAAAAG0/26GQCccxVFM/s320/morangos+silvestres.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrE_Nhc7oI/AAAAAAAAAG8/r1KOMk1VxPI/s1600-h/cavalete.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrE_Nhc7oI/AAAAAAAAAG8/r1KOMk1VxPI/s1600-h/cavalete.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cenário com suco de morangos silvestres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvtbJX4UF2I/AAAAAAAAAHU/C8dPKrnf4OA/s1600-h/cavalete.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvtbJX4UF2I/AAAAAAAAAHU/C8dPKrnf4OA/s320/cavalete.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;os amantes &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrF7sPPO7I/AAAAAAAAAHE/XtKHiouM0Is/s1600-h/DSC03119.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrF7sPPO7I/AAAAAAAAAHE/XtKHiouM0Is/s320/DSC03119.JPG" width="210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrHLqk170I/AAAAAAAAAHM/OR56hveYQOI/s1600-h/DSC03226.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvrHLqk170I/AAAAAAAAAHM/OR56hveYQOI/s320/DSC03226.JPG" width="210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Svti8GljKXI/AAAAAAAAAHk/kbgPW7cQFaI/s1600-h/DSC03299.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Svti8GljKXI/AAAAAAAAAHk/kbgPW7cQFaI/s320/DSC03299.JPG" width="278" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvtgkehgAnI/AAAAAAAAAHc/w6SQIAlLz5M/s1600-h/Yasmina.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/SvtgkehgAnI/AAAAAAAAAHc/w6SQIAlLz5M/s320/Yasmina.JPG" width="228" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; 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Sarau literario de Chico a Chopin - Dia 8 de novembro, às 17h30, no  Auditório Barbosa Lessa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Suy4P2QQckI/AAAAAAAAAFs/JIJ5cCydQQY/s1600-h/conviterosane.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Suy4P2QQckI/AAAAAAAAAFs/JIJ5cCydQQY/s320/conviterosane.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; line-height: 28px;"&gt;A Câmara Rio-Grandense do Livro está convidando, junto com a Editoras Associadas e a autora, a um sarau musical inspirado na obra, que fará parte da programação da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. O evento será realizado no&amp;nbsp;dia 8 de novembro, às 17h30 no Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 28px;"&gt;&lt;span style="color: #303030; font-family: Helvetica, sans-serif; font-size: 14px;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 28px;"&gt;&lt;span style="color: #303030; font-family: Helvetica, sans-serif; font-size: 14px;"&gt;&lt;div style="color: black; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No programa, o público poderá presenciar belas performances, como&amp;nbsp;Noturnos de Chopin, ária da ópera Don Giovanni, de Mozart, solo de clarineta extraído do Trio para Clarineta, violoncelo e piano de&amp;nbsp;Brahms, canções de Jacques Brel, Barbara, Bilie Holliday e Ella Fitzgerald, mais uma seleção de obras de Chico Buarque e Tom Jobim.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para executar esse repertório, o sarau conta com a participação de Elizabeth Jager, cantora, Luiz Mauro Pinto da Costa&amp;nbsp;Filho, pianista, Paulo&amp;nbsp;Henrique Muller, clarinetista, mais a participação do Trio Chico (Pedro Gonzaga, Andrea Cavalheiro e Rodrigo Reinheimer).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 28px;"&gt;&lt;span style="color: #303030; font-family: Helvetica, sans-serif; font-size: 14px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Os atores Márcia Mota e Paulo Gleich farão leituras de passagens escolhidas da obra.&amp;nbsp;Após as apresentações, às 19h30 haverá sessão de autógrafos. Não deixe de apreciar este encontro!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Clique na imagem para visualizar o convite.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-6613470918868276226?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/6613470918868276226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/10/o-livro-na-feira-sarau-literario-de_9099.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6613470918868276226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/6613470918868276226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/10/o-livro-na-feira-sarau-literario-de_9099.html' title='O livro na feira! Sarau literario de Chico a Chopin - Dia 8 de novembro, às 17h30, no  Auditório Barbosa Lessa'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Z4Er6nP6RcE/Suy4P2QQckI/AAAAAAAAAFs/JIJ5cCydQQY/s72-c/conviterosane.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-5412832875054205930</id><published>2009-10-30T20:24:00.000-02:00</published><updated>2009-10-31T20:24:30.973-02:00</updated><title type='text'>Entrevista no programa Estação Cultura - 17/08/09</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="265"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NYtsGJD-iPs&amp;hl=fr&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NYtsGJD-iPs&amp;hl=fr&amp;fs=1&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-5412832875054205930?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/5412832875054205930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/10/entrevista-no-programa-estacao-cultura_7917.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5412832875054205930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/5412832875054205930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/10/entrevista-no-programa-estacao-cultura_7917.html' title='Entrevista no programa Estação Cultura - 17/08/09'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-78054531845104203</id><published>2009-10-30T10:24:00.000-02:00</published><updated>2009-10-31T20:08:35.124-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imprensa'/><title type='text'>O livro na FM Cultura</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Entrevista concedida à Rádio FM Cultura no dia do lançamento, em 18.08.09, às&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt; 18h15 para o programa &lt;i&gt;Estação Cultura&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;P: Você lança, daqui a pouco, na livraria Cultura, seu primeiro romance &lt;i&gt;Estranhos, Noturnos... e amantes&lt;/i&gt;. Podemos falar um pouquinho sobre a obra? É um romance de cartas eletrônicas, uma troca de e-mails entre dois amantes. Por que você fez essa escolha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;R: Sim, daqui a pouco é o lançamento. Obrigada por se interessarem em falar comigo sobre o livro. Fiz essa escolha pensando na "configuração" da comunicação entre as pessoas hoje em dia, e em como o discurso amoroso encontra lugar nessa realidade. Está em uma das frases da narradora: "a literatura imita a vida, e não o contrário". Então, foi imitando a realidade da nossa comunicação e interrogando a possibilidade e a impossibilidade do encontro amoroso, que escolhi essa forma para escrever o livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;P: E o título: por que "Estranhos, Noturnos... e amantes"? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;R: &lt;i&gt;Estranhos&lt;/i&gt;, porque o outro é sempre um estranho, por mais familiar que ele nos pareça ou apareça, na nossa vida. Sair de si mesmo está na ordem do impossível, uma vez que somos humanos. E não vivemos sem o outro, embora sempre o evitemos, mesmo quando estamos com ele. Acho que a internet funciona muito a serviço do evitamento do encontro com o outro, do apagamento dessa necessária discórdia com a qual convivemos quando encontramos uns aos outros. É justamente desse estranhamento que se produz a possibilidade do amor – por mais paradoxal que possa parecer. Quando amamos, somos sempre dois fraternos estrangeiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Noturnos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;, os amantes do meu livro são, não apenas porque são dois amantes de Chopin cujos encontros foram muitas vezes "trilhados" pelos belos noturnos que ele compôs. São noturnos porque no primeiro momento do encontro deles, se encontravam sempre à noite, e se escreviam sempre à noite. O amanhecer, a luz do sol... tem muita coisa dita sobre isso, no livro. E tem também o fato de as pessoas, de um modo geral, passarem muitas noites em claro buscando encontros pela internet. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Amantes&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;, porque nessa estranheza eles se amaram e se desejaram muito. O subtítulo: &lt;i&gt;retrouvailles on-line&lt;/i&gt;, que quer dizer&amp;nbsp; "reencontros on-line" dá conta desse desejo. Eles queriam mesmo se reencontrar, e aproveitam ao máximo esse reencontro, com tudo o que ele tem de doloroso e difícil para os dois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;Aliás, isso é o que o livro tem de otimista: meus personagens fazem o caminho inverso daquele que é percorrido pelo senso comum. Eles não usam a internet para evitar o encontro ou a estranheza, mesmo que ela se imponha a eles. Quando estavam juntos, a usavam para "reescrever" o encontro que tiveram, e nesse reencontro fazem isso de novo. Nisso eles são subversivos, eles colocam a internet a serviço do encontro, e não do evitamento dele. Então, mais do que uma crítica à solidão, é uma declaração de fé no desejo de amar das pessoas, apesar de toda a dificuldade e o sofrimento que isso possa comportar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;P: Você é psicanalista. Sua decisão de escrever um romance tem algo a ver com isso? Sua clínica inspirou você, em alguma medida?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;R: Não, absolutamente. Não há uma única vírgula, neste livro, que tenha sido inspirada no que ouço em minha clínica. A única coisa, e que é muito importante, que me inspirou da&amp;nbsp; psicanálise para fazer literatura é o fato de eu estar há mais de vinte anos ouvindo histórias de amor. Coloquei um agradecimento aos pacientes que escutei até hoje. Mas, na verdade, é uma forma de devolver a eles alguma invenção minha, sobre o amor. E isso eu só poderia fazer a partir da minha vida vivida. Não há nada mais criminoso do que roubar o sofrimento de outro, em uma situação de intervenção clínica, para inventar poesia com ele, eu me sentiria uma raptora de almas, se fizesse isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;E também, tenho minha trajetória com a literatura. Minha primeira formação foi em Letras, e é algo que percorre quase como um fio condutor, minha postura de psicanalista. Assim, é ao contrário, não fui da psicanálise à literatura, mas da literatura à psicanálise. Minha decisão em passar o resto de minha vida interrogando o desejo humano, o sofrimento psíquico que os afetos nos deixam, foi com Baudelaire, Proust e outros, que tomei. Foram eles que me levaram a&amp;nbsp; Freud, e não Freud a eles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;Inclusive, toda vez que presto contas à minha comunidade científica, pois os psicanalistas têm este dever, então, quando vou a congressos e jornadas clínicas, ou quando publico artigos em coletâneas temáticas tratando de problemas da clínica, eu sempre incluo, nos argumentos de autoridade dos quais necessito, algum ponto convergente extraído de alguma obra literária que me ajudou a pensar o problema.&amp;nbsp; Obviamente não abro mão de minha pesquisa clínica e teórica. Mas tenho total adesão à idéia de Freud segundo a qual os escritores são os verdadeiros mestres dos psicanalistas, e também à idéia de Lacan segundo a qual nós não devemos nem precisamos bancar o psicólogo ali, onde o escritor nos antecedeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;P: Além de seus artigos de psicanálise, você tem alguma publicação ligada à literatura, antes deste livro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;R:&amp;nbsp; Tenho meu primeiro artigo de crítica literária, publicado pela revista&amp;nbsp; Norte-Livros, Artes, idéias no número nove, em julho deste ano, quase contemporânea ao livro. É um artigo que se chama &lt;i&gt;A altitude de Marcel Proust&lt;/i&gt;, onde examino a recepção da obra de Proust na América Latina e os elementos que ela tem de universal&amp;nbsp; e não de estritamente francesa. Antes disso, em 2000, eu publiquei um artigo, no Correio da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, cujo número tinha o título de &lt;i&gt;Brasil: descoberta e invenção&lt;/i&gt;. Eram nossos quinhentos anos comemorados, eu vivia em Paris e havia apresentado, na Association Freudienne Internationale, um trabalho sobre Carlos Drumond de Andrade. O título é &lt;i&gt;Eternos aprendizes de Drumond.&lt;/i&gt;&amp;nbsp; A&amp;nbsp; APPOA&amp;nbsp; me pediu&amp;nbsp; o artigo e eu o enviei.&amp;nbsp; Mas é uma publicação em veículo da comunidade psicanalítica, então fico no meio do caminho...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;Como tradutora, participei de uma publicação que está por sair na Cidade do México. É um projeto ousado, de publicar uma coletânea de poemas&amp;nbsp; traduzidos em várias línguas, no mesmo livro. Traduzi um poema de uma poetisa de língua árabe, e que teve seu poema traduzido em francês. A mim coube a tradução para o português.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;Também traduzi&amp;nbsp; para a língua francesa um conjunto de poemas escolhidos, cinqüenta poemas de Ricardo Silvestrin, do livro &lt;i&gt;O menos vendido&lt;/i&gt;, mais um projeto de publicação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;P: E seu próximo livro, você já está escrevendo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;R: Sim, há meses, desde que terminei o romance. É uma coletânea de contos.&amp;nbsp; Deve ficar pronta dentro de um ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;P: Muito obrigada, parabéns e sucesso com o livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;R: Eu é que agradeço.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1401425355852443401-78054531845104203?l=rosanepereiraescritora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/feeds/78054531845104203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/10/estranhos-noturnos-e-amantes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/78054531845104203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1401425355852443401/posts/default/78054531845104203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rosanepereiraescritora.blogspot.com/2009/10/estranhos-noturnos-e-amantes.html' title='O livro na FM Cultura'/><author><name>Rosane Pereira Escritora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13041226826842258181</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-XcbEkhYw7OY/TXWh9ciqkbI/AAAAAAAAASg/qFmScrjt8hI/s220/IMG_2417%2Bforte%2Beu%2Be%2BDomi.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1401425355852443401.post-6703278058612425367</id><published>2009-10-28T19:09:00.006-02:00<
